Nordeste assinala hoje o seu 506º aniversário do Munícipio

“Todas as ilhas tem excelentes condições de acesso ao mar e o Nordeste tem sido esquecido”, diz o autarca António Miguel Soares

O Concelho assinala hoje o seu aniversário. Como vão ser as comemorações?
As comemorações este ano vão ser muito contidas. Não só devido à questão das orientações da Direcção Regional de Saúde (DRS) mas também atendendo aquilo que se passou no nosso concelho, nomeadamente com as mortes causadas pela Covid. Para além das recomendações da DRS estamos de luto pelas mortes que aconteceram. Foi decidido realizar esta cerimónia de forma muito contida, só com os membros da Assembleia Municipal e com a Vereação. Não há convidados. A cerimónia será transmitida na internet para quem quiser assistir. Será no nosso Auditório Municipal para manter as regras de distanciamento social 

É inevitável falar da Pandemia de Covid-19. O Concelho do Nordeste foi o mais atingido pela Pandemia. Este foi um ano muito difícil…
Foi um ano muito difícil. É um ano que nunca vamos esquecer e em que perdemos vários entes queridos não só do nosso Concelho mas também de pessoas que estavam no Lar da Santa Casa da Misericórdia. Como este é um Concelho pequeno, em termos de população, acaba por abranger quase todas as famílias. São pessoas que dedicaram toda a sua vida para que o Nordeste fosse aquilo que é hoje e que pudesse potenciar o seu desenvolvimento, não só a nível de infraestruturas, mas também a nível social e a nível das suas famílias. Essas pessoas que faleceram fazem parte da nossa existência. Eu conhecia a grande maioria dessas pessoas que faleceram e a sua morte deixou-me com muita pena e o Concelho ainda neste momento acaba por estar de luto. 

Agora que passou a fase crítica, o que está a ser feito pela Autarquia para apoiar as pessoas do Concelho?
Na altura da Pandemia o Executivo decidiu por unanimidade, o que vem provar que em tempos difíceis estivemos unidos, apoiar todo o comércio e também os particulares, durante 3 meses na taxa de desvalorização da taxa de água. Para além disso também os espaços que são pertença do Município estão a ser explorados por comerciantes e aqueles que perderam 50% da sua receita, estão com isenção de renda. Somos um município pequeno e que está em reequilíbrio financeiro e não podemos de forma alguma retroceder no processo que tem sido feito para que o Nordeste saia desta situação. Nós estamos a preparar e aliás já estão em execução pequenas obras de dimensão das nossas empresas de maneira a que se consiga que fiquem no nosso Concelho e que as empresas consigam manter a mesma mão de obra que tem actualmente. Está neste momento em andamento a questão do saneamento da freguesia de Santana e posso dizer que foi aprovada a candidatura do aumento do parque industrial que vai criar melhores condições para os nosso empresários e captar algum investimento. Por outro lado, estamos de forma exaustiva a canalizar a grande maioria das suas verbas para todos os programas que o Governo Regional e muito bem, está a disponibilizar de forma que venha a colmatar as dificuldades que o próprio concelho tem a nível de emprego. A minha preocupação no momento e, atendendo às medidas do Governo Regional e o da República, tem a ver com o subsídio social que vai até 31 de Dezembro e neste momento as coisas estão controladas. A minha preocupação será efectivamente a partir de Janeiro, no entanto o Executivo está a preparar, se não vier uma 2ª. vaga da pandemia, várias iniciativas de forma a reavivar a economia local. É disso que vivemos e esses pequenos comerciantes precisam de apoio com alguma urgência.
Como será concretizado esse apoio?
Esse apoio será através da criação de eventos para que se possam canalizar verbas indirectas para a economia local. Quero acrescentar que estamos a fazer algumas diligências e a ponderar alguns benefícios, mas a Câmara por estar em reequilíbrio não consegue, por mais boa vontade que tenhamos, aprovar medidas de redução de taxas sem a aprovação do FAM que é o fundo que financiou o Município na reestruturação. Estamos a incentivar e a apoiar em tudo o que podemos dentro das nossas limitações.

Um projecto muito falado do Nordeste tem a ver com as Piscinas da Ribeira do Guilherme. Como está esse processo? 
Esse é um projecto ansiado pelos nordestenses há algumas dezenas de anos e onde, alguns protagonistas políticos têm entrado e saído e o que se nota é que efectivamente essa obra tão desejada continua a aguardar dias melhores. No entanto, este Executivo, porque trabalhamos com muita seriedade, mandámos e já está em prazo de execução um projecto para a foz da ribeira para substituir o anterior que, estava obsoleto e porque, devido à erosão do mar, existem zonas que já não estão como foram projectadas há 20 anos. Para que essa obra seja possível é preciso um novo acesso ao mar. Essa competência é do Governo Regional dos Açores, no entanto, a Câmara Municipal do Nordeste está a preparar o caminho para que seja possível um futura candidatura e resolver esse problema de uma vez por todas. A ideia é ter tudo devidamente preparado para que se consigam fundos comunitários para a respectiva obra. O Concelho é virado para a natureza e também deveria ter outras condições de aceso ao mar. Já referi antes e volto a dizê-lo, os nordestenses são tão micaelenses ou açorianos como todos os outros e nalgumas visitas que tenho ido, verifico que todas as Ilhas têm excelentes condições de acesso ao mar e o Nordeste, infelizmente tem sido esquecido. Não sei se é por ter pouca população ou se os nordestenses não são merecedores de uma obra desta natureza.  Espero que muito em breve haja coragem para assumir esse problema de uma vez por todas.

Quando vai ser apresentado o projecto?
O projecto está em execução e vais ser apresentado assim que esteja pronto. Infelizmente o projecto que foi apresentado em 2003 aos nordestenses em fase de campanha eleitoral não existia. Este será um projecto realista que será apresentado muito antes de eleições para que se estude e que se possa modificar. 
Já disse que o Nordeste é um concelho de turismo e este ano, com tudo que se está a passar, está preocupado com os impactos que isso terá no Concelho?
É preocupante não só para o Nordeste. É preocupante para toda a Região. No entanto já se vai vendo algum turismo, mas de forma lenta. Os Açores não dependem só do turismo e ainda bem, mas o turismo tem sido uma boa alavanca no desenvolvimento e na criação de novos postos de trabalho. Eu penso que, da forma que as coisas foram tratadas durante a pandemia, as pessoas cada vez mais vão ter confiança, não só na ilha de São Miguel, mas nos Açores em geral, e irão retomar a sua vinda aos concelhos periféricos como o Nordeste. Tivemos uma infelicidade e que se isso não tem acontecido, o concelho do Nordeste teria passado por esta fase isento de qualquer situação de Covid. Os nordestenses são pessoas de garra, de luta e eu confio plenamente nos nossos empresários, na nossa estrutura de pequena economia e quem todos juntos vamos dar em volta. 

Ligado ao turismo está a questão do Alojamento Local que, teve aí no Nordeste, um grande crescimento. Isso poderá ter levado a que existam menos casas para as famílias e para os casais mais jovens se poderem fixar no concelho?
Por um lado julgo que todos os proprietários têm interesse e o direito de fazerem investimentos que querem para os seus imóveis. Por outro, entendo ser responsabilidade do Governo Regional dos Açores a criação de um ou dois bairros no Nordeste. Não me refiro a bairros sociais, refiro-me a bairros de custos controlados e penso que há uma grande necessidade disso. Acho que foi uma boa medida criada por anteriores Governos e também pelo actual, que pela venda de terrenos a preços simbólicos. A construção desses bairros de custos controlados é uma responsabilidade do Governo Regional, nomeadamente da Secretaria da Habitação que tem feito o que pode aqui no Nordeste. A Câmara, por sua vez, não tendo essa responsabilidade, também tem investido em algumas casas sociais. Neste momento adquiriu-se duas e casas e vamos reconstruir 3 casas num terreno que adquirimos, mas não é à dimensão daquilo que é necessário. A facilidade da construção de novas casas para os casais mais novos faz com que se fixe pessoas. O Nordeste é um concelho periférico, tal como a Povoação, e deve merecer uma atenção redobrada por parte do próximo Governo Regional.

 Como se encontram as finanças da Câmara Municipal?
A Câmara Municipal saiu da ruptura financeira devido à gestão de rigor e transparência. Eu sempre disse que era possível cumprir com tudo aquilo que foi contratualizado para a diminuição da dívida e retomar o investimento. Todas as obras que temos vindo a executar são realizadas com muito rigor. Queremos continuar a cumprir aquilo que está estipulado mas também, retomar o investimento ao contrário daquilo que se anunciava. É possível manter um controlo, cumprir os compromissos e investir. Só devido ao grande empenho deste executivo e dos funcionários que trabalham nas devidas áreas da Câmara, é que se conseguiu chegar a bom porto. 

Conseguiram controlar a divida mas houve um abate nesse valor? De quanto?
Estamos a pagar as amortizações e vamos cumprindo com o plano financeiro ao contrário daquilo que se anunciou. Dizia-se que se tinham amortizado milhões e milhões mas as insolvências não são consideradas amortizações. Nós temos cumprido e, neste preciso momento, a dívida ronda os 14 milhões de euros. Vamos continuar a cumprir e a investir porque sem investimento o concelho não avança.

Como gostava de ver a Vila do Nordeste daqui a alguns anos? Qual é o seu grande sonho, o seu grande objectivo para o Concelho?
O meu grande sonho era que a população estivesse a aumentar, que o desemprego fosse zero e que as pessoas se sentissem bem e felizes no Nordeste. Quero voltar a realçar que, apesar da conjuntura, os nordestenes são pessoas felizes, resilientes, lutadoras e são pessoas que já têm provas dadas de que conseguem passar por tormentas. Acredito que esta tormenta que estamos a passar, dentro em breve passará a ser história.               

Luís Lobão
 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima