19 de julho de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! Esta semana a minha prima Maria da Praia andou numa roda-viva, tomando nota de todas as promessas feitas pelo Governo do meu querido Presidente Vasco Cordeiro durante a visita à Ilha de Jesus. Segundo diz Maria da Praia, entre inaugurações e promessas… mais aprecia o Milagre da Rainha Santa Isabel, quando transformou o pão num regaço cheio de rosas para ludibriar o poderoso Rei D. Diniz. Depois do fim da visita, a minha prima lá me voltou a ligar, dizendo que tirando o que foi inaugurado, todo o resto são promessas de projectos que já têm bolor, e mais valia que tivessem dito que todas as promessas incumpridas já tinham perdido validade… É que Maria da Praia diz que já não pode ouvir falar de tanta promessa para o porto da Praia já que quase todas elas acabam por morrer na areia…. Depois, Maria da Praia lá falou das listas de deputados para a Assembleia Regional, em que o PS anunciou ter havido uma grande renovação traduzida pela ocupação dos independentes. Maria da Praia queria saber como era a lista por São Miguel mas eu não pude dar a informação desejada, porque só conheço além do cabeça de lista que é Vasco Cordeiro,  Francisquinho César, que vai em quarto ou quinto lugar, José Contente, que foi remetido para oitavo lugar, José San-Bento, que vai a meio da tabela e Pedro Moura, que fecha o ramalhete. Depois do bate-papo que tivemos e das dúvidas da minha prima Maria da Praia, só me veio à memória o que se passou há anos no PSD, quando o sábio Duarte Freitas, Presidente dos laranjas trocou os militantes pelos independentes, ficando pelo caminho sem uns e sem outros… É a política tal a como a puseram!....

Meus queridos! Tenho seguido com toda a atenção, no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, a série de artigos que se seguiram ao editorial do meu querido Director Américo Viveiros sobre os dislates “jacobinos, centralistas e com sabor separatista” do constitucionalista Vital Moreira acerca da Autonomia dos Açores e deliciei-me com a resposta do sempre defensor da Autonomia e Finanças Regionais, Eduardo Paz Ferreira. Como sempre pensei, o Portugal de 1975, em estado de choque pela perda do império, estranhou a Autonomia dada aos Açores, mas passados quase 50 anos ainda não entranhou que não somos uma colónia, como bem escreveu o meu querido director, no passado Domingo. Nem tão cedo irá entender isto, porque até nos mais simples documentos a designação de Regiões Autónomas não consta e os Açores aparecem ou como “distritos” ou na cauda das listas de assuntos. Como diz a minha sobrinha-neta, enquanto pensarem que as ilhas são de Portugal, nunca perceberão que elas são Portugal. E o pior é que a mentalidade vai alastrando…


Ricos! E já que falo da “ barragem” da autoria do meu querido amigo Eduardo Paz Ferreira, quero também referir a cacetada dada pelo meu rico Presidente do PS Carlos César sobre a SATA e os delírios do conceituado constitucionalista jubilado Vital Moreira, depois de eu ter desafiado César nos meus recadinhos da semana passada a pôr ordem nas suas hostes… Mas a semana continuou rica em pensamento e opinião nas páginas do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, com a dissertação de Carlos Amaral professor da UAc sobre a “Autonomia Açoriana e o novo plano de salvação nacional de António Costa e Silva”, ao que se junta o Cesto da Gávea da autoria do meu querido antigo Reitor Vasco Garcia,  em que desnuda os interesses e os interesseiros nos recursos dos Açores em “Flops do Atlântico”. Termina com “O sonho de Ícaro” do antigo Presidente João Bosco Mota Amaral, lembrando sonhos e tacticismos que podem cair com Ícaro. Numa altura em que tudo é tratado pelas brasas sem deixar consistência, valha-nos o pensamento que o centenário Correio dos Açores vai registando e proporcionando aos seus leitores. O meu repenicado beijinho a todos os que opinam e fazem pensamento através do jornal , fazendo luz para o futuro. 


Meus queridos! Não sou mulher de andar a ver muita televisão, porque prefiro uma boa leitura, um bom jornal e uma conversa com as minhas amigas de peito, em vez de estar ali a ouvir debitar generalidades e a destilar veneno, como em algumas se vai vendo. Mas mesmo no pouco que vejo, às vezes arrepio-me toda…. com as calinadas e erros básicos que se comete a torto e a direito… Bem sabemos que todos estamos sujeitos a errar, …. e erramos quando menos queremos, mas o que se vê e ouve não são lapsos… mas sim fruto de não ter tido escola a sério… Numa mesma estação de notícias, lá para os lados de Carnaxide, no passado Domingo eu vi, com estes que a terra há-de comer, ilustrar uma notícia da Madeira com repetidas imagens do Pico, enquanto se lia uma carta do Presidente Albuquerque a Boris de Londres, para mandar turistas para a Pérola do Atlântico. E na mesma estação ouvi dias depois falar na ilha de Porto Santo, no Arquipélago dos Açores. E disse cá comigo que a charmosa Secretária da Saúde tinha razão, porque afinal somos dez… e não nove… E que tal um curso intensivo de geografia atlântica para jornalistas e apresentadores do rectângulo?


Ricos! Dá gosto passar pela baixa da cidade de Ponta Delgada e ver o que Câmara e Juntas de Freguesia se têm esforçado pelo ajardinamento e enfeite de ruas e praças, desde a rampa da Igreja de São Pedro até à Igreja de São José, passando pela Matriz e outras ruas. Autênticos tapetes floridos tratados com carinho e fotografados por muita gente… Mas, como sempre, e como ainda há dias se queixava o Presidente da Junta de São José, os vândalos não descansam enquanto não fazem das suas e destroem o que vêem na sua frente… Mas, como diz a minha prima Teresinha, pelo aspecto do arranque de muitas plantas, das respectivas floreiras, aquilo mais parece obra de quem sabe da poda… porque há muita gente, elas e eles, que não resistem ao ver uma plantinha que pode ser plantada no seu quintal… e pela calada da noite ou pelo deserto nas redondezas…, elas rapidamente saltam para um saco ou para uma mala. Quanto a civismo, … ainda há muito caminho para fazer… E não falo só dos vândalos! 


Ricos! Já há muito tempo que não vou visitar a minha prima Maria Eugénia, que mora nos Arrifes, nem ela tem vindo  aqui à minha Rua Gonçalo Bezerra, porque diz… que não está para dar cabo do seu popó naquelas valas e valados das obras da rua que parece que nunca mais têm fim…. Pensava eu que eram pegadilhos dela, ciosa como é do seu popó… que lhe custou os olhos da cara a pagar, e por isso não fiz muito caso. Mas quando na Terça-feira passada li, no velhinho e sempre renovado Diário dos Açores, o desabafo do meu querido e simpatiquérrimo Dr. Gualter Furtado, sobre a Rua da Piedade e as obras que ele chama de Santa Engrácia, logo percebi que a minha prima Maria Eugénia  dos Arrifes estava cheia de razão, porque afinal, não é só o problema das molas do popó, mas também a poeira e sujidade há muitos meses, que cobre os ditos cujos.. Pois das casas, nem falar! Os moradores não podem abrir nem porta nem janela. Pior do que tudo ainda é o facto de não se saber se a responsabilidade é da EDA, … dona da obra, ou da empresa subcontratada, ou ainda da Câmara… Assim se trata os cidadãos que pagam impostos por tudo e por nada… mas quando chega à hora de serem respeitados por terceiros é o que se vê… Quem é que põe mão nisso? E como diz o nobre “caçador -mor” cá do burgo; todos pelo progresso! Tenham dó!


Meus queridos! Lembrou-me a minha prima Maria das Capelas que o afamado e consagrado grupo Belaurora está a comemorar os seus 35 anos de vida, já que foi criado pelo ainda seu mentor e dirigente, Carlos Sousa, em 1985, e cedo se tornou numa referência com a recolha de música açoriana, das nove ilhas e na apurada interpretação que o distingue, não fosse o seu fundador um aluno e seguidor do grande maestro Edmundo Machado Oliveira, natural aqui da minha cidade-norte. Para todos os que fazem o Belaurora que já pisou palcos em várias partes do mundo, incluindo o célebre Théâtre de la Ville, em Paris, onde, na história foi a 5.ª presença portuguesa, depois de Amália Rodrigues, José Afonso, Trovante e Madredeus, vai o meu ternurento beijinho, e com votos que continuem e que sejam como o vinho do Porto, e no nosso caso como o verdelho do Pico, sempre mais saborosos com a idade. E quando for hora de partir o bolo, passado o confinamento, prometo que lá estarei com o meu vestido azul bandeira…


Meus queridos! A minha prima Maria dos Flamengos telefonou-me esta semana toda contente porque soube que vai ser reaberto o Museu de Arte Sacra da Horta, passando do Convento de São Francisco para a Igreja do Carmo, recentemente recuperada e que vai ter como director já nomeado pelo Bispo diocesano, Dom João Lavrador,  o sempre activo padre Marco Luciano, a quem mando um ternurento beijinho. Diz a minha prima que o espólio é valioso e que a ele se vai juntar também o legado cultural do saudoso Monsenhor Júlio da Rosa que estava à guarda da Matriz daquela cidade… Merece parabéns à cidade da Horta e só me apetece dizer que não gostava nada de morrer sem ver em Ponta Delgada, concretizado o velho (e com barbas) projecto do roteiro museológico do Convento e Santuário da Esperança em Ponta Delgada, sempre adiado em nome de outras prioridades. Mas a esperança é a última a morrer…

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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