José Avelino Nóia, Presidente da Associação Amigos da Ilha das Flores

“A Associação já recebeu em São Miguel 2.758 doentes deslocados das Flores”

Com sede na Rua do Perú, a Associação Amigos da Ilha das Flores abriu-nos a sua porta para que percebamos as actividades que estão a ser desenvolvidas e os seus objectivos para os próximos tempos. Ficamos a conhecer a sua história e que, desde o ano de 2003, têm como principais focos a preservação das tradições sociais, culturais e gastronómicas da ilha das Flores e, principalmente, ajudar e dar apoio aos doentes deslocados que têm de vir a São Miguel. Tal como nos explica José Avelino Nóia, Presidente da Associação, estes foram os princípios fundadores que levaram à sua criação, há quase 17 anos.
“Isto nasceu através de um grupo de pessoas das Flores que falaram entre si e criaram esta Associação para que as pessoas naturais das Flores pudessem conviver e para que se pudesse fazer algum tipo de festas e de jantares para lembrar as tradições da ilha. Depois, veio o grande objectivo desta Associação; os doentes deslocados. Essa é a vertente principal, que passa por ajudar as pessoas que vêm cá às consultas e ficam aqui nesta casa”, conta.
José Avelino Nóia, natural de Ponta Delgada, das Flores, mudou-se para Ponta Delgada, em São Miguel, há 34 anos, e começa desde logo por destacar que as duas localidades não têm “nada a ver”. 
“A das Flores é muito mais pequenina e, embora seja a freguesia maior das Flores, tem muito pouca gente”, afirma.
A ideia de regressar à ilha de origem ainda esteve nas suas cogitações, mas “depois veio um casal de filhos e desisti da ideia”. 
O Presidente da Associação Amigos da Ilha das Flores explica que, sem o apoio das duas Câmaras Municipais das Flores (Santa Cruz e Lajes), não seria possível manter toda a estrutura que é necessária para garantir as condições aos florentinos doentes que se deslocam a São Miguel. José Avelino Nóia confessa que, desde o 1 de Janeiro, a Associação passou a cobrar um preço simbólico aos seus “hóspedes” (10 euros) e justifica que isso foi necessário para poder ajudar no pagamento de uma funcionária contratada para dar apoio a quem utiliza estas instalações.
“Era muito difícil para nós vir abrir a porta porque os voos nunca têm horas certas e todos nós trabalhamos. Tivemos de arranjar uma alternativa e arranjamos uma senhora que vem abrir a porta. A partir daí o doente não paga mais nada e tem acesso à cozinha, à sala e às casas de banho. Quando regressam às Flores, a Segurança Social dá o valor das diárias que eles têm direito. O valor que pagam aqui à entrada é simbólico”, explica.
José Nóia realça que a grande maioria dos doentes e acompanhantes valorizam o papel e o desempenho da Associação e destaca que, durante o ano de 2019, a Associação deu guarida a um total de 181 pessoas que correspondem a 580 noites e com um período médio de estadia de 4 dias. Desde a sua fundação, “a Associação Amigos da Ilha das Flores recebeu já 2.758 doentes”, destaca o seu Presidente
O Tesoureiro da Associação, Jaime Pacheco, explica que as restantes actividades que a Associação realiza ao longo do ano, tais como, as Sopas do Espírito Santo, o almoço de Matança, os Santos Populares ou o jantar de couves com carne, denominada nas Flores como “Cozinhada”, ajudam financeiramente a Associação e à própria manutenção do edifício. 
“Os nossos recursos são parcos. Temos os protocolos com as autarquias das Flores mas também temos de angariar alguns recursos de outras formas, e conseguimos isso através das festas que realizamos. São almoços e jantares para que as pessoas possam colaborar e há sempre mais algum dinheiro que chega e que é suficiente para a manutenção do edifício”, sublinha.
Relativamente às actividades que a Associação tinha planeado para o ano de 2020, José Nóia confessa que apenas uma delas foi realizada. As restantes ou já foram canceladas ou ainda estão à espera do evoluir da situação pandémica.
“O plano de actividades que tínhamos para 2020 foi um fracasso devido à pandemia, mas isso é assim mesmo. Este ano é muito atípico e não sabemos o que nos vai acontecer. Fazer um jantar só para 20 pessoas é muito chato. Vêm esses 20 e  os outros que não podem vir ficam chateados. Sendo assim preferimos não fazer”, desabafa. 
Sobre os próximos anos desta Associação, a sua Vice-presidente, Carla Pimentel, afirma que por vezes não é fácil seduzir os mais novos para que integrem os órgãos sociais da Associação.
“É complicado porque estamos a trabalhar e eu, por exemplo, tenho dois filhos pequenos. É complicado chamar os jovens porque toda a gente tem a sua vida. Ainda se consegue chamar para virem às actividades agora, para pertencerem à Direção da Associação, isso ai é que está a ser mais difícil”, explica.
Numa outra vertente, Carla Pimentel faz questão de destacar o papel importante e divulgador que a Associação desempenha na promoção das tradições e da cultura da Ilha das Flores.
“Temos algumas pessoas das Flores mas a maior parte são amigos de florentinos e vemos que as pessoas gostam de ver e conhecer aquilo que se fazia e que hoje em dia ainda se faz. É isso que as pessoas gostam de conhecer; um bocadinho da Ilha das Flores”, afirma.
Sobre os principais objectivos que a Associação Amigos da Ilha das Flores tem para os próximos tempos, o seu Presidente explica que a continuação do sucesso passa por manter o trabalho e a linha que tem sido traçada desde a sua fundação.
“Isto tem continuado devido ao nosso lema, que são os doentes. Espero que isso continue sempre a ser assim e essa é uma alegria que eu terei na vida. Depois, ir fazendo algumas festas para as pessoas das Flores conviverem e que as pessoas que são de cá (São Miguel) gostem de participar nelas”, destaca José Avelino Nóia.   
                                         
Luís Lobão                                      

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Autor: CA

Categorias: Regional

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