Atlantic Bikes está a retomar a actividade depois da pandemia

Jovem empresário “triste” com vandalismo que tem imobilizado bicicletas que querem tornar Ponta Delgada mais sustentável

Desde que findou o Estado de Emergência e se começou a caminhar para o desconfinamento, que a primeira (e única) empresa de partilha de bicicletas (bike sharing) dos Açores voltou a estar disponível para os micaelenses. 
Com o decréscimo de turistas, o número de bicicletas disponíveis também diminuiu mas pode encontrar as bicicletas Atlantic Bikes nas Portas do Mar e na Praia das Milícias, “pontos estratégicos” nesta altura de Verão, e que deverão aumentar “muito em breve” assim que as licenças camarárias forem autorizadas, conforme explica o gerente da empresa, Roberto Medeiros. Para já basta descarregar a aplicação Atlantic Bikes, que está disponível para Android e iPhone, e depois de se registar consegue ver a localização das bicicletas, e qual a que está mais perto de si. Pode depois consultar os planos e assinaturas, sejam mensais, semanais ou diárias, sendo que a empresa já estabeleceu vários protocolos com estabelecimentos de ensino, como a Universidade dos Açores e o Colégio do Castanheiro, que permitem descontos nas assinaturas mensais, bem como com a Câmara Municipal de Ponta Delgada, permitindo aos seus munícipes ter descontos no plano de assinaturas por 31 dias. Há ainda as assinaturas mensais e diárias para que todos possam usufruir deste serviço de bicicletas partilhadas. 
O objectivo é que, em breve, em 15 pontos estratégicos da cidade de Ponta Delgada passe a ser possível pegar e deixar as bicicletas Atlantic Bikes, que além de um sistema de geo-localização, têm um cadeado que só abre quando o veículo é solicitado e só tranca quando a bicicleta está numa zona própria de estacionamento. Se a bicicleta for deixada num local que não deve, é cobrada uma taxa extra ao utilizador. 
É por isso com alguma tristeza que o gerente da empresa, e que estudou durante dois anos qual o melhor modelo de mobilidade sustentável para aplicar em Ponta Delgada, vê o vandalismo gratuito que as bicicletas têm sido alvo de há algumas semanas para cá. “Já fizemos duas denúncias à Polícia, a reportar os danos que fizeram às bicicletas. Foram actos de vandalismo”, explica Roberto Medeiros, que acrescenta que mesmo tendo as bicicletas alarme, geo-localização e sejam praticamente impossíveis de roubar, o certo é que têm sido cortados cabos e há peças que têm vindo a ser roubadas. Houve até uma bicicleta que foi atirada ao mar, recentemente, nas Portas do Mar.
“Para nós é muito triste. Querer fazer as coisas bem, investir na ilha, oferecer um produto e serviço de qualidade e estas coisas acontecem. Tivemos um grande apoio das pessoas depois que tornámos este público. Estamos a passar por uma crise, um momento difícil, e é altura de nos ajudarmos mais, de ajudarmos uns aos outros e não é possível que alguém veja uma bicicleta na rua e queira parti-la ou um sinal de trânsito ou uma mesa de café. As nossas bicicletas estão devidamente identificadas, não chateiam ninguém, estão onde podem estar e é triste que alguém decida parti-las”, afirma Roberto Medeiros.
Agora, a empresa está a tentar melhorar as medidas de segurança das bicicletas e “estamos a preparar-nos para colocar mais sistemas anti-roubo, uma melhor comunicação com as autoridades e com os nossos advogados. Porque há prejuízos de cada vez que isto acontece. Uma bicicleta estragada não é só o valor da bicicleta, é o tempo que perdemos a tentar arranjar e os clientes que perdemos com isso”, adianta o gerente da Atlantic Bikes, que garante que no caso de ser apanhado um responsável por vandalismo não receará em levar o caso a tribunal. “É uma situação terrível, perdemos muito quando uma bicicleta fica danificada, o prejuízo é muito”, adianta.

Os micaelenses aderem?
E o serviço está agora a ser cada vez mais uma opção dos micaelenses, já que apesar de ser um negócio que estava pronto para começar no ano passado, só arrancou no início de 2020 e mesmo logo a seguir foi decretado o Estado de Emergência. “Não deu para ver como ia ser” a adesão a este projecto de mobilidade sustentável idealizado por Roberto Medeiros. 
Agora que apenas uma parte da frota de bicicletas está na rua, “temos pessoas que pagam uma mensalidade para usar as bicicletas para ir à praia, para ir trabalhar ou para ir às compras, mas também temos as bicicletas que são pagas ao dia”, embora esta última modalidade seja mais adequada para turistas que, nesta altura, estão ainda escassos. “Até agora, e acho que tem a ver um pouco com a descida do turismo, temos tido mais clientes mensais, clientes açorianos. Maioritariamente utilizam a nossa empresa como alternativa de transporte. São pessoas que moram no centro da cidade e em vez de andarem de carro usam as bicicletas e ficam mais felizes por isso e isso deixa-nos a nós felizes também”, afirma o responsável pela empresa.
Com o objectivo de contribuir para tornar Ponta Delgada uma cidade mais acessível, menos poluída e com menos congestionamentos, a Atlantic Bikes vê assim começar a ser cumprido o objectivo inicial que se propôs alcançar. 

Como tudo começou
Roberto Estevez Medeiros nasceu na Venezuela mas é neto do Comendador Manuel Medeiros, empresário nascido nos Arrifes e que fez carreira na Venezuela na área da banca e da distribuição. 
Em 2017 decidiu deixar para trás o seu país natal, “que estava, e está, a passar por uma crise muito complicada”, em busca de um novo rumo. Parte da família estava nos Açores e por isso foi uma escolha natural rumar a São Miguel. “Vim procurar um futuro, em busca de estudos e até agora tem corrido bem”, afirma Roberto Medeiros que é também estudante na Universidade dos Açores. 
Entretanto, e depois da passagem por vários países, “apaixonei-me pela mobilidade sustentável, pela sustentabilidade e tive a intenção de começar um programa de bike sharing e entrar nesta área da sustentabilidade e da mobilidade ligeira”. Uma das coisas que sempre lhe chamou a atenção, e que constantemente lhe merecia reflexão, “era porque é que praticamente todas as cidades da Europa e da América do Norte, quer sejam pequenas ou medianas, têm opções sustentáveis de mobilidade e nós não”. Dedicou-se “a estudar” o tema, durante dois anos, para ver “o melhor modelo a aplicar cá, quais as empresas que existem e o que se tem feito de bem e de mal, foram anos de estudo e de dedicação para encontrar o que seria o melhor para o mercado açoriano e é isso que estamos a oferecer agora, um sistema de bike sharing”. Agora, com o sistema implementado, há que esperar que cada vez mais açorianos optem por esta forma de mobilidade, mais amiga do ambiente. 
            
 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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