Continuidade do serviço de take away permitiu que P’alma Sushi registasse quebras de apenas 20% a 30% nos últimos meses

Na freguesia de São Pedro, onde ao longo dos últimos dois anos tem vindo a existir uma aposta maior na abertura de novos restaurantes, todos eles com conceitos diferenciados, encontra-se o P’alma Sushi, oferecendo ao cliente uma opção variada desta especialidade japonesa muito apreciada por locais e turistas.
Ao contrário do que aconteceu com a grande parte dos restaurantes, o restaurante gerido por Cristina Machado e pelo genro Leonardo Araújo manteve-se aberto durante praticamente todo o período da pandemia, exceptuando durante três semanas entre os meses de Março e Abril.
“Não nos obrigaram a fechar mas achámos mais prudente fechar temporariamente para não sermos um foco de infecção onde as pessoas se pudessem encontrar, para protegermos a família e os clientes”, explica Cristina Machado ao nosso jornal.
Isto é, durante o restante tempo, e ainda hoje – mesmo após a reabertura oficial – a equipa que compõe o P’alma Sushi decidiu apostar em força na opção de take away, continuando assim a satisfazer uma necessidade gastronómica que faz parte da preferência de muitos, evitando quebras de negócio demasiado acentuadas mesmo em tempos difíceis. 
“Quando tudo começou a ficar mais calmo, e como havia sempre pessoas a telefonar, achámos que era melhor abrir desta forma. Com todos os cuidados fomos comprar o separador acrílico, fizemos um balcão que normalmente não está na sala para as pessoas não entrarem no restaurante, marcámos os take away com 15 minutos de intervalo para as pessoas não se encontrarem e foi funcionando bem”, realça a proprietária do espaço.
Este esforço fez assim com que o restaurante tivesse, ao longo dos últimos meses, uma quebra de 20% a 30%, o que em comparação com o que aconteceu com outros restaurantes é uma percentagem mais animadora.
Para além de o restaurante ter continuado aberto com a acessibilidade ao take away, a realidade é que mão houve uma quebra acentuada na procura, uma vez que esta é uma comida fácil de colocar em take away e que mantém a sua qualidade mesmo no dia seguinte, desde que devidamente conservada.
Ao contrário da maior parte dos restaurantes, também o P’alma Sushi optou por aguardar mais um pouco antes de reabrir o restaurante, optando assim por o abrir no final do mês de Junho, um mês depois da data autorizada.
“Não reabrimos logo. Deixámo-nos ficar um bocadinho em take away porque pensámos que havia ainda muita limitação, que poderia haver focos de coisas que não íamos saber controlar e achámos melhor continuar com o take away”, diz, salientando que esse tempo foi também aproveitado para dar ao restaurante uma nova imagem.
“Entretanto contratámos um artista de Lisboa, o José Carvalho (Ozearv) que faz arte pública em Lisboa e pela Europa fora, porque queríamos fazer qualquer coisa na parede maior do restaurante”, resultando assim em motivos que são alusivos ao Japão e à matéria-prima que consta no sushi, o peixe.
Aquando da reabertura adiantam que o regresso dos clientes ao local foi calmo, “sem enchentes”, e que ao longo do mês de Julho se começa a ver uma melhoria gradual uma vez que também os turistas começam a aparecer em maior número, algo que não se via antes da pandemia, salienta Leonardo Araújo.
Na perspectiva do sushiman, este regresso lento é visível sobretudo a partir do número existente de reservas, uma vez que antes da pandemia seria necessário reservar mesas com alguma antecedência, uma vez que os dois turnos existentes à noite ficavam completamente lotados, algo que agora acontece “de forma mais aleatória”, diz.
Apesar de considerarem que aqueles que visitam o restaurante se sentem seguros e cumprem as recomendações de segurança, “há ainda clientes que vêm cá buscar take away mas que ainda não vieram à sala, isso há”, o que os empresários consideram ter a ver “com o facto de terem pessoas mais debilitadas na família ou com o facto de eles próprios serem mais velhos ou terem crianças”.
Ainda assim, para atrair mais esses clientes e para os fazer sentir mais seguros, Cristina Machado adianta que o P’alma Sushi terá a partir da próxima semana acesso a uma esplanada no exterior do estabelecimento.
Quanto às perspectivas de futuro, apesar da sua estratégia estar delineada até em caso de surgir uma nova vaga do novo coronavírus, os empresários acreditam que caso não exista mais tanta procura, seja pela parte dos locais ou dos turistas, “todos se irão ressentir, e estou convencida de que a economia a nível global vai ter menos dinheiro para gastar, o que fará com que a restauração sofra como aqui há alguns anos”.
Porém, e apesar de alguma concorrência desleal que surgiu aquando da pandemia, Cristina Machado e Leonardo Araújo mantêm a fé e o optimismo em melhores dias.

 

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