Avós relembram neste seu dia a “alegria” e o “amor imenso” que sentiram no dia do nascimento dos netos

Assinala-se hoje o Dia dos Avós. Um dia para mostrar o nosso agradecimento a todos quantos dedicam muito dos seu tempo aos seus netos, e a todos quantos amam os seus netos, mas por razões de distância física não podem estar com eles, mas, como nos dizem, “os netos e filhos estão sempre no coração”. Com a pandemia, os muitos avós ficaram impedidos de estar com os seus netos devido ao cofinamento, agora com o regresso a alguma normalidade, dentro do possível, o sorriso dos avós agigantam-se, com a possibilidade de voltar a estar com aqueles que mais amam e lhes fazem felizes. 
Foi uma senhora chamada Ana Elisa Couto (1926-2007), conhecida como Dona Aninhas, que reivindicou a instituição de uma data que valorizasse a figura dos avós.
Natural de Penafiel e avó de seis netos, ela tentou durante quase 20 anos que a data comemorativa fosse reconhecida, sendo escolhida para a sua celebração o dia 26 de Julho, por este ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.
A data foi instituída pela Assembleia da República em 2003. 
Neste Domingo, então, homenageamos todos os avós. Procurámos, como é habitual, conhecer os relatos de alguns “avós babados” no sentido de percebermos de que forma os netos se tornaram importantes na vida destas pessoas e que mudanças trouxeram.

Falar da neta é uma enorme alegria
Para João Agostinho, proprietário do restaurante O Avião, falar na neta que hoje tem dois anos de idade é sempre uma enorme alegria, como se pôde ver assim que se introduzimos o tema da conversa pelo sorriso que mostrou.
Voltando atrás no tempo, até ao dia do nascimento da menina dos seus olhos, o empresário salienta que foi um dia de tanta alegria que até ficou “sem palavras”, nunca esperando que todas as lendas contadas sobre os avós babados se concretizassem a partir daquele dia. 
“Só quem passa por isto é que sabe, eu nunca tinha passado por isto mas foi uma alegria imensa. Mudou tudo, a maneira de brincar com ela, de estar com ela, na altura não tinha tempo para estar com os meus filhos, mas agora tenho muito mais tempo para estar com a minha neta”, diz.
Hoje, mesmo com a vida atarefada reconhecida na restauração, apesar de se atravessarem momentos desafiantes a nível financeiro, este avô, hoje com 60 anos de idade, garante que a grande parte do tempo livre de que dispõe é utilizada para dar atenção à neta, salientando ainda que mesmo durante a pandemia não foi capaz de deixar de ver a sua neta.
“Não deixei de a ver na quarentena. Estive dois meses e meio em casa, pouco saía, então aproveitei para estar com ela algumas vezes e em todas elas foi uma alegria, foi uma pandemia alegre”, afirma o empresário.

Ser avô é ser pai duas vezes
Há cerca de 15 meses foi também a vez de Sérgio Vicente, hoje com 62 anos, descobrir o que é ser avô, relembrando que o dia do nascimento do neto foi “uma alegria” e que a sua vida representa também uma companhia para os avós.
Porém, para este avô, a pandemia acabou por ser um pouco menos alegre, uma vez que passou os últimos quatro meses sem o poder ver, algo que mudou apenas na passada semana num reencontro que apesar de bom “não foi um reencontro normal porque o normal seria poder dar-lhe abraços ou beijos e poder estar com ele ao colo”, salienta.
Para Sérgio Vicente confirma-se a máxima de que ser avô é ser pai duas vezes, uma vez que, na sua opinião, “os avós são mais chegados aos netos do que os pais”, algo que terá também a ver com o avançar da idade e com o aumento da disponibilidade que existe para os mais novos.
Por seu turno, lamenta apenas ter conhecido uma tia-avó, tendo em conta que todos os seus avós morreram muito novos. No entanto, mesmo não os tendo conhecido em vida, este avô procura ainda hoje encontrar mais informação relativamente à vida destes parentes próximos através das suas investigações na área da genealogia.
“Lamento bastante não os ter conhecido porque faço trabalhos de investigação na área da genealogia há cerca de 20 anos e tento, ao longo desses anos, reconstituir a vida de cada um dos meus avós, do lado materno e do lado paterno, através de fotografias antigas, consultas a jornais da época, livros. São histórias muito interessantes, umas boas e outras menos boas que aconteceram devido à época da guerra e das dificuldades financeiras que existiam”, diz.

“A minha doce Aurora”
Goreti Gaspar, de 44 anos,  é uma avó bastante jovem e assume que não estava preparada para o ser- No entanto, apesar da surpresa, assume que esperou com muito carinho o nascimento da neta e “quando esta veio ao mundo foi uma grande alegria. Ver a Aurora, a minha neta, foi um sentimento de amor muito grande. É uma emoção imensa e um sentimento sem palavras. Só podemos dizer que a felicidade naquela altura não tem tamanho e que a nossa vida ganha outra dimensão. Somos mães duas vezes”.
Goreti Gaspar é uma avó que trabalha, mas todos os tempos livres que tem em casa guarda para “a minha doce Aurora”, e é habitual vê-la todos os dias e ficar com ela algumas horas no fim-de-semana. 
“Fico com o coração preenchido, até porque a Aurora está numa fase muito engraçada” e que responde com carinho aos mimos da avó, que “são autênticas brincadeiras e muito divertidas”.
Para Goreti Gaspar, ser avó é o complemento da sua vida e as suas actividades diárias também têm em conta as necessidades da neta, porque quem tem “um amor imenso. Adoro estar com ela, vê-la brincar e sorrir, um sorriso que enche o coração e nos deixa mais felizes. Estar com a minha neta é sinal de muitas emoções, muita brincadeira, e acima de tudo de muito amor”

“Uma avó babada” no futuro
Contrastando com estes três exemplos, uma vez que ainda não é avó, Ana Melo não esconde o desejo de ver a família crescer por intermédio do seu filho, hoje com 24 anos de idade. Conforme contou ao Correio dos Açores, este é um tópico que surge várias vezes nas conversas entre mãe e filho, mas neste momento há outras prioridades tidas em conta.
Ainda assim, e uma vez que não lhe resta outra alternativa senão esperar por esta ocasião até que se torne possível, esta mulher sonha com o dia em que se poderá tornar avó. Inclusive, acredita que ser avó “deve ser melhor do que ser mãe”, uma vez que aos 54 anos de idade há mais tempo disponível para passar com os netos.
“Acho que ser avó deve ser melhor do que ser mãe, porque quando somos mães pouco tempo temos para usufruir com os nossos filhos. 
Quando é com os netos penso que a gente tem mais tempo, ainda não estou na reforma mas vejo isso pelo menos com a minha mãe que tinha mais paciência para o meu filho. Parece até que o amor é outro”, diz a propósito deste dia.
Da sua parte, durante a sua infância, admite ter também sentido que a avó lhe dedicava mais do seu tempo e carinho, algo que lhe dá ainda mais certezas de que será “uma avó babada” no futuro.

“Amo os meus filhos, mas adoro os meus netos”, diz Fernado de Jesus, avô de três

Neste Dia dos Avós netos e filhos presenteiam simbolicamente os seus avós, de forma a agradecer o apoio e dedicação destes à família e mostrar o quanto eles são importantes para os seus familiares. 
Nunca é demais visitar os que amamos são o testemunho vivo da nossa ascendência.  Do outro lado, surge o testemunho de um avô, no caso, Fernando Manuel Soares de Jesus, de 73 anos de idade, feitos no passado dia 19 de Junho.
Fernando de Jesus é avô de duas netas e um neto. Samira é a mais velha, surgindo ainda os netos Lucas e Benedita.
“Com toda a minha franqueza lhe digo, e os meus filhos sabem disso, amo os meus filhos, mas adoro os meus netos”.
Tudo a seu tempo. “Quando trabalhava, não tinha tempo para dar aos meus filhos tudo aquilo que eles queriam, mas como já estou há muito tempo sem trabalhar, dedico agora muito tempo aos meus netos, que são os amores da milha vida e os meus filhos também”.
Questionado se os avós são pais duas vezes, Fernando de Jesus valida que “ser avô é ser pai com mais calma, mais tempo e mais experiência”. Ou seja, “a bagagem que se tem quando se educa os filhos transmite-se aos netos em duplicado”. 
É raro o dia em que Fernando de Jesus não convive com os netos. “Ainda esta semana tive aqui em casa dois netos e tenho uma neta, que todos os dias me telefona. Por vezes também acontece ao contrário, ligo para trás e falo com todos eles. Somos amigos e adoro os meus netos. Já tenho uma neta com 18 anos, a Samira, mas para mim continua a ser a minha bebé. Tenho um com 14 anos, o Lucas, que é o meu adorado, e tenho a Benedita, que é a violoncelista cá da terra”. 
Curiosamente, os três netos de Fernando Jesus frequentam o Conservatório Regional de Ponta Delgada. “A Samira tem uma voz líria fantástica, o meu neto Lucas toca guitarra e a Benedita violoncelo”. 
Claro, que “há tempo para tudo” e os netos do nosso avô também lidam com telemóveis ou tablets, com as suas redes sociais, jogos e demais aplicações. Contudo, “os pais impõem regras, nos períodos das refeições e nas horas de estudar, e os avós sublinham por baixo”, acrescentou.
Aposentado, Fernando de Jesus teve uma vida ligada ao comércio. Começou a trabalhar com 11 anos de idade, na “Borboleta”, numa antiga loja de comércio que existiu em Ponta Delgada. Mais tarde, recebeu uma proposta para ir trabalhar para o “Armazém Canadá”, tendo aí ficado durante 31 anos, antes de se montar por sua conta, com a “Sóvestir”, onde também em tempos funcionaram os “Grandes Armazéns do Chiado”.
  
Nélia Câmara/Joana Medeiros/Marco Sousa
 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima