Relatório de Execução Financeira do Sector Público Empresarial Regional

Grupo SATA e hospitais foram as empresas públicas que mais deram prejuízo nos primeiros meses de 2020

Nos primeiros três meses deste ano, quando a pandemia da Covid-19 ainda não se fazia sentir com grande intensidade na Região, foram poucas as empresas das 22 que fazem parte do Sector Público Empresarial Regional (SPER) que obtiveram resultados positivos. Os maiores prejuízos vão para a SATA, principalmente a companhia que faz as ligações internacionais de e para o arquipélago (Azores Airlines) e que somou prejuízos de 17,8 milhões de euros. Na totalidade, o Grupo apresentou prejuízos de mais de 21,2 milhões de euros, já que a SATA Air Açores registou um prejuízo de 3,3 milhões de euros. A SATA - Gestão de Aeródromos foi a única empresa do Grupo com saldo positivo, mas apenas de 31 mil euros.
Os valores vêm descritos no Relatório de Execução Financeira do Sector Público Empresarial Regional (SPER) que já foi entregue aos deputados da Assembleia Legislativa Regional e a que o “Correio dos Açores” teve acesso e que dão conta que SATA Air Açores gastou 8,5 milhões de euros com o pessoal, enquanto a Azores Airlines teve gastos com o pessoal na ordem dos 9 milhões de euros. Já a SATA – Gestão de Aeródromos gastou com pessoal 216 mil euros.
Além do prejuízo, o relatório dá conta das comparticipações do Governo Regional, em forma de subsídios à exploração que são permitidos às empresas com capitais públicos. Neste sentido, no primeiro trimestre de 2020, a SATA Air Açores recebeu no Governo Regional pouco mais de 9 milhões de euros, enquanto a Azores Airlines recebeu comparticipações do executivo de pouco mais de 14 mil euros.
Também na saúde, os três Hospitais Entidade Pública Empresarial (EPE) acumularam prejuízos e nem mesmo as transferências do Governo Regional para os Hospitais de Ponta Delgada, Terceira e Horta foram suficientes para fazer face aos gastos. No total, os três hospitais tiveram prejuízo de 10 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano.
O Relatório de Execução Financeira do Sector Público Empresarial Regional dá conta que foi o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), de Ponta Delgada, que registou maior prejuízo, com 5,4 milhões de euros, apesar das transferências do Governo Regional terem atingido perto de 24 milhões de euros. Quase 15,5 milhões de euros foram gastos com pessoal do HDES.
No Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) os prejuízos nos três primeiros meses do ano foram de 3,2 milhões de euros, sendo que 10 milhões de euros foram gastos com o pessoal. As transferências da Região para o HSEIT foram de 14,2 milhões de euros nos primeiros três meses do ano.
Já o Hospital da Horta registou prejuízo de 1,3 milhões de euros, sendo que foram transferidos do Governo para aquele hospital 6,2 milhões de euros. Os gastos com pessoal representaram 4,4 milhões de euros.
Além destas empresas, que representam os maiores prejuízos do Sector Público Empresarial Regional, há outras que também apresentam prejuízos mais modestos.
Como o caso da Atlânticoline que nos primeiros meses deste ano registou 132 mil euros de prejuízo, apesar de ter registado 1,5 milhões de euros em vendas e serviços prestados. Os gastos com pessoal representaram 720 mil euros naquele período.
A Portos dos Açores também registou prejuízos, de 357 mil euros, registando com gastos de pessoal 3 milhões de euros e tendo recebido 4,5 milhões de euros por vendas e serviços prestados.
O Serviço de Lotas dos Açores – Lotaçor registou 235 mil euros de prejuízo, tendo conseguido 1,6 milhões de euros em vendas e serviços prestados, e gasto 1 milhão de euros com pessoal.
A Pousada da Juventude da Fajã de Santo Cristo, em São Jorge, teve prejuízo de 3,1 mil euros, e a AZORINA – Sociedade de Gestão Ambiental e Conservação da Natureza registou perdas de 78 mil euros, embora tenha recebido transferências do Governo Regional na ordem dos 788 mil euros. O mesmo aconteceu com o Teatro Micaelense que registou prejuízo de 2,4 mil euros, tendo recebido subsídios à exploração de 206 mil euros.

Mas também houve lucros
Apesar da maioria das empresas do Sector Público Empresarial Regional ter registado prejuízos, 10 das 22 empresas detidas pela Região registaram lucros e alguns bem avultados.
Como o caso da EDA, que teve lucros de 3,7 milhões de euros nos primeiros meses deste ano. O mesmo aconteceu com a EDA Renováveis que também registou lucros semelhantes, na ordem dos 3,4 milhões de euros. À eléctrica açoriana junta-se também a Globaleda – Telecomunicações e Sistemas de Informação que registou um saldo positivo de 78 mil euros nos primeiros meses deste ano.
Mas os lucros avultados ficam-se por aqui e apesar de outras empresas públicas terem registado saldo positivo no primeiro trimestre de 2020, o certo é a maioria registou estes números tendo recebido comparticipações do Governo Regional.
É o caso da Conserveira Santa Catarina, de São Jorge, que apresentou em três meses lucros de 5,6 mil euros. No entanto, recebeu do Governo Regional transferências no valor de 99,5 mil euros.
Tal como a Sociedade Anónima Ilhas de Valor que fechou os primeiros três meses do ano com saldo positivo de 361 mil euros, mas recebeu 751 mil euros do Governo. O mesmo aconteceu com a SINAGA, que teve lucro de 308 mil euros mas recebeu de comparticipações do Governo 600 mil euros. Ou mesmo a SEGMA – Serviços de engenharia, gestão e manutenção, que nos primeiros meses registou saldo positivo de 194 mil euros, tendo recebido de transferências do executivo 2,1 mil euros. O mesmo aconteceu com a IROA, que registou saldo positivo de 1,7 mil euros, tendo recebido como subsídio à exploração 487 mil euros. E a SDEA – Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores que registou lucros de 15 mil euros, tendo recebido do Governo Regional 428 mil euros.
Apenas a empresa Naval Canal, estaleiros de construção e reparação naval, registou lucros de 5,3 mil euros, sem subsídios à exploração, permitido às empresas com capitais públicos.
 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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