“Estamos cá desde sexta-feira e ainda só apanhámos dois atuns”, queixa-se pescador de atuneiro no porto de pescas de Ponta Delgada

À entrada do Porto encontramos Roberto Amaral, pescador da embarcação “Chamas da Vida” que se tem dedicado à apanha da lula. O pescador começa por afirmar que a captura deste tipo de molusco não está dentro das expectativas e que este ano, os números estão a ser muito inferiores aos registados no passado.
“Estamos aí a 30% e isso é pouco ou nada. Isto está muito fraco. O preço em lota até está bom mas o problema maior é que não há lula no mar”, realça.
Roberto Amaral pede, por esta razão, maior atenção por parte do Governo Regional e da Secretaria Regional das Pescas sobre este sector de actividade.
“Por causa da Covid-19 deram 3 subsídios e recebemos o POSEIMA, mas o Governo não olha para o pescador. Devíamos ter mais apoios”, defende.
O pescador do “Chamas da Vida” considera mesmo que deveria ser fixado um ordenado fixo a estes profissionais para que os pescadores não continuem a passar por dificuldades financeiras.  
“Devia ser estabelecido um ordenado fixo ao pescador. Se a União Europeia não quer dá-lo, o Governo que o faça. Se é para parar 60 dias paramos. Se é para ir 15 dias ao mar vamos, mas precisamos de ter a garantia que temos o ordenado mínimo ao fim do mês”, destaca Roberto Amaral.

A época do Atum
Atracados mais à frente no Porto de Ponta Delgada estão agora várias embarcações que se dedicam à pesca do atum. A grande maioria destas embarcações é, como já vem sido hábito, proveniente da Região Autónoma da Madeira.
Nuno Vieira é mestre da embarcação “Mar Profundo” e começa por referir que a Pandemia de Covid-19 veio prejudicar o ciclo habitual deste tipo de pesca, que este ano, não tem registado números próximos aos de anos anteriores.
“Está a ser um ano muito difícil e estamos 70% aquém das expectativas. A pandemia veio prejudicar o ciclo da pesca, tanto ao nível das vendas como também das compras. Já começamos tarde e para além disso, alguns dos principais mercados no estrangeiro estão fechados”, destaca.
O mestre do “Mar Profundo” afirma também que muitos dos barcos que normalmente vinham para os Açores “não quiseram arriscar” e considera que para além dos preços baixos praticados em lota, a falta de peixe é uma realidade este ano.
“Isto pode ter acontecido por termos começado mais tarde a safra, por o peixe ter passado mais cedo ou até por ter passado por outras águas”, afirma.
Nuno Vieira considera ainda que a quebra do turismo nas duas Regiões Autónomas tem afectado o sector. Apesar do panorama menos animador, o mestre desta embarcação espera que o subsidio prometido para o sector “chegue rapidamente” e que principalmente, “o mercado melhore a nível de preços”.
Também proveniente da Madeira, Francisco Alves, contramestre da embarcação “Cabo do Mar” afirma que apesar de terem chegado aos Açores na última sexta-feira, a pesca do atum tem sido muito baixa.
“Apanhámos 2 atuns. Isso não dá para nada. Viemos da Madeira para aqui mas até agora nada”, reforça.
Para além da fraca captura deste ano, Francisco Alves lamenta também o baixo preço praticado em lota.
“O preço em lota está muito baixo e assim a quota esgota-se e a gente não consegue ganhar muito dinheiro. A quota é muito pequena e o preço do pescado é muito baixo. Para ganharmos dinheiro temos de fazer grandes quantidades e esgotando-se a quota rapidamente, não conseguimos o nosso objectivo”, realça.
O contra-mestre do “Cabo do Mar” considera que, depois do que se passou com a Pandemia de Covid-19 e com o abaixamento do preço do pescado, deveria existir um apoio mais concreto por parte do Governo aos pescadores.
“Logicamente que o governo deveria auxiliar o pescador. Quer seja através da atribuição de subsídio ou aumentando o preço do pescado com o apoio deles. Alguma coisa deve ser feita”, conclui.
Perante o cenário “negro” deste ano para a época de captura de atum, Francisco Alves não tem a garantia de que a sua embarcação permaneça nos Açores o tempo que tinha previsto.
“Temos estimado ficar nos Açores 2 meses mas isso é só uma expectativa. Isto é uma vida em que nunca se sabe. Hoje tem peixe e amanhã pode já não ter. Enquanto houver peixe e quota vamos andar por aqui. Quando acabar havemos de ir para casa”, afirma o pescador madeirense. 
                                        
                                         Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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