No Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, o distanciamento nem sempre é cumprido

Maioria dos passageiros provenientes de Lisboa opta por trazer teste feito para evitar ficar fechado à espera do resultado

Eram 12h07 quando aterrou na pista do Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, o voo da Ryanair oriundo de Lisboa. Até à saída dos primeiros passageiros decorrem aproximadamente cinco minutos e estes são imediatamente encaminhados, pelos agentes policiais presentes na aerogare, para a estrutura montada do outro lado da estrada e onde é obrigatória, a apresentação presencial de todos os passageiros provenientes do exterior da Região. Nesse momento os passageiros são divididos em dois grupos à entrada da estrutura montada no Aeroporto João Paulo II: os que trazem o teste de despiste à Covid-19 já realizado nos laboratórios convencionados com o Governo Regional dos Açores e, aqueles passageiros que não trazem teste de despiste realizado e que têm obrigatoriamente de o realizar nessa mesma estrutura.
Na fila de espera e com o avolumar de passageiros que por vezes não cumprem o devido distanciamento, estes são reencaminhados para uma fila que se situa ao lado da habitual “saída de passageiros”. Aqui, estes passageiros aguardam que os agentes da Polícia de Segurança Pública lhes concedam autorização para se dirigirem para a já referida estrutura.
Enquanto aguardam, encontramos Luís Gama e a restante família que decidiram, pela primeira vez, visitar a Ilha de São Miguel. Natural de Castelo Branco, a família albicastrense confirma que todos os seus elementos já trazem consigo os testes de despiste à Covid-19 e avançam que o voo em que embarcaram, vinha com “aproximadamente 60% da sua lotação”.
Luís Gama relata também como decorreu o embarque e o desembarque do seu voo.
“Aqui à chegada foi directo. Ninguém nos disse nada e só nos encaminharam para aqui para tratar de entregar a documentação. No aeroporto de Lisboa ainda menos. Basicamente foi entrar e embarcar”, realça.
O passageiro que vem de férias à Região afirma que esta vinda aos Açores não constitui para si e para a sua família, um receio acrescido.
“Não temos receio. Lá, como cá, temos de tomar as devidas precauções que é o que já estamos basicamente a fazer em casa. Estamos cá para conhecer a Ilha, nós os 5, sem grandes problemas. Conscientes mas tranquilos”, reforça Luís Gama.
Mais atrás nesta fila estão Raquel e Francisco que vêm, “de férias visitar os pais do Francisco que moram cá”. Também neste caso, ambos aterraram em Ponta Delgada já com os testes de despiste ao Sars Cov 2 realizados num laboratório do continente português.
“Fizemos em teste em Lisboa num laboratório que tem acordo com o Governo dos Açores. Marcamos com antecedência, fizemos o teste e recebemos no próprio dia. Fizemos segunda-feira e viemos hoje quarta-feira (ontem)”, destacam
Questionados sobre se as regras de distanciamento são cumpridas dentro do avião, ambos respondem que tiveram “sorte por o avião não estar cheio”.
“Dentro do avião tivemos a sorte de não ter ninguém ao lado. Pagamos mais para virmos juntos. Não havia espaçamento entre os passageiros e não estava nada a ser controlado nesse sentido”, relatam.
Raquel e Francisco mostram-se optimistas em relação ao futuro e admitem que as convencções com os laboratórios no exterior da região ajudaram na decisão de viajarem para Ponta Delgada.
“Tomando todos os cuidados acho que não haverá problemas e acabamos por vir. Este acordo acabou por facilitar este processo”, destacam.
Em trabalho veio Joaquim Almeida que irá permanecer na Ilha de São Miguel cerca de 48 horas. “Já fiz esta viagem muitas vezes e venho com teste feito. Recebi os resultados em 24h”, começa por contar. Joaquim Almeida admite não ter receio de viajar até porque como nos confidencia, “se eu tivesse de apanhar o covid isso já tinha acontecido. Logo de início tive contacto com pessoas infectadas. Já sou, por isso, experiente nesta matéria de fazer testes”.
Já depois da “triagem” e da apresentação da documentação obrigatória na estrutura montada no Aeroporto João Paulo II, conversámos com Miguel Homem, natural de São Miguel, mas residente em Lisboa e que vem por poucos dias à Ilha. O passageiro também optou por trazer o teste de despiste já realizado. Dentro da estrutura essa é aliás a regra, tal como nos conta, com a grande maioria dos passageiros a apresentarem testes feitos nos laboratórios convencionados. Miguel Homem aponta, no entanto, algumas falhas em todo o processo.
“Está um pouco confuso. Chega-se ali (à estrutura) e depois mandam-nos para dentro da tenda. Lá dentro depois não têm canetas e existem filas a sobreporem-se. Podia estar mais bem organizado”, afirma. Para este passageiro existem igualmente alguns problemas no que diz respeito aos questionários online. “Existe a opção de preencher o questionário online. Eu preenchi-o mas não recebi o código. Podia ter passado aqui muito mais rápido. Acho que não está a funcionar muito bem essa parte”, aponta.
Para Miguel Homem e apesar de não se dever “desconsiderar” esta situação anormal relacionada com a Pandemia de Covid-19 “não é preciso alarmismos. Podemos fazer viagens e podemos fazer a nossa vida”.  

 

Luís Lobão
                                        

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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