Ainda sem data para a retoma

Sector cultural foi “esquecido e maltratado” e promotores de espectáculos querem ajuda extraordinária do Governo Regional

Foi o primeiro sector a fechar e é o último a abrir. O sector cultural e de eventos ainda não tem data de quando poderá voltar a funcionar e, à semelhança de outros sectores, está a passar por sérias dificuldades que poderá levar ao encerramento de empresas ligadas quer à promoção dos eventos quer da concretização dos próprios eventos.
É o caso da Fábrica de Espectáculos que no ano passado celebrou 25 anos de existência e que “se não tivermos ajuda vamos ser obrigados a fechar. É uma realidade bastante grave o que estamos a viver”, refere a directora da empresa, Patrícia Leite.
O evento mais icónico da Fábrica de Espectáculos será talvez a PDL White Ocean, ou a festa branca no centro histórico de Ponta Delgada, que iria acontecer já no próximo Sábado mas que foi cancelada pela autarquia logo no início de Maio. Essa falta de eventos e as dificuldades por que passam não só os trabalhadores fixos da empresa mas todas as outras empresas que dela dependem, como empresas de segurança, empresas de iluminação, técnicos, músicos, leva Patrícia Leite a classificar como “catastrófica” a situação que se vive actualmente neste sector cultural.
“É catastrófico. Não temos outra fonte de rendimento. Em 2020 estamos sem qualquer evento, não temos trabalho nem previsão de quando podemos retomar. Na Região o sector está desprotegido. Temos sido esquecidos e maltratados”, desabafa enquanto aproveita para dizer que a Fábrica de Espectáculos e outros organizadores de eventos se juntaram para pedir uma audiência ao Presidente do Governo Regional. O objectivo é conseguirem “medidas especiais” para o sector, como um Fundo de Emergência “que nos ajude a fundo perdido porque neste momento não temos eventos. Não tem sido ano nada fácil e precisamos de ajuda”. Patrícia Leite pretende que esta reunião, que deverá acontecer em Agosto e ainda não foi marcada, seja “uma conversa franca, em que nos oiçam porque precisamos de ajuda. Têm que se lembrar de nós”.
A empresa colocou os trabalhadores em layoff mas no entender da responsável não é suficiente, já que o layoff “paga parte do ordenado dos funcionários mas temos todas as outras despesas. Somos os primeiros a parar e os últimos a retomar. Continuamos à espera de retomar” e ainda sem data para poderem organizar espectáculos.
E até mesmos alguns eventos, que à semelhança do que tem acontecido a nível nacional, não têm tido autorização para acontecer como “eventos drive-in e similares, que não tivemos autorização para fazer, para dar algum dinamismo cultural”.
Patrícia Leite lembrou que os eventos culturais também são bastante importantes e dinamizadores da economia local. Principalmente quando “temos hotéis vazios, restaurantes vazios, e temos uma panóplia de serviços que gira à nossa volta, principalmente no Verão, que estão bastante fragilizados pelo facto de nós não conseguirmos retomar”. A Directora da Fábrica de Espectáculos lembra que nem mesmo as duas grandes casas de espectáculos de Ponta Delgada – Teatro Micaelense e Coliseu Micaelense – que até têm grande capacidade e têm possibilidade de ter um sistema controlado de entradas e saídas, têm ainda autorização para retomar a actividade.
“Espero que em Agosto possamos retomar, mesmo com pequenos eventos” porque a disponibilidade financeira da empresa “está muito complicada” pois os artistas que estavam agendadas para os dois grandes festivais organizados anualmente pela empresa “já foram pagos”. Apesar disso, a empresa garante que mesmo com as restrições, até com a “prata da casa” se conseguem fazer “momentos mágicos” para presentear não só os turistas mas também os próprios locais que estão a viver este ano um Verão muito diferente. “A dinâmica que trazemos a vários sectores, com a nossa experiência, está a fazer falta a todos. Vamos ver se conseguimos dar a volta em ponto pequenino”, refere.
No entanto, a Directora da Fábrica de Espectáculos reconhece que voltar a ter quase 75 mil pessoas no centro de Ponta Delgada, como no último PDL White Ocean, não voltará a acontecer tão cedo. “Nem nós queremos”, estando conscientes dos riscos para a saúde pública. “Mas queremos fazer acontecer alguma coisa, tanto para nós como para quem está à nossa volta como os próprios comerciantes, que também beneficiam desses nossos eventos”, explica Patrícia Leite.

 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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