João Medeiros, administrador do Grupo 296

“Os efeitos em determinados setores em que operamos, nomeadamente no turismo e rent-a-car, serão devastadores”

CE - Como analisa a actual situação económica nos Açores?
JM - A actual situação económica nos Açores é bastante complexa, onde os efeitos da pandemia referente ao Covid-19 já se fazem sentir de forma muito significativa. Temo mesmo que esta situação se agrave e será transversal a praticamente todos os sectores económicos de Região.
CE- O turismo caiu a pique, aliás as últimas estatísticas apontam para que  os Açores sejam a região do país onde o turismo mais regrediu. Quanto tempo vai levar para recuperar dos valores antes da Covid-19?
JM- Sendo os Açores uma região singular por natureza, onde o turismo ainda estava em fase de consolidação, o tempo de recuperação para valores antes Covid-19 será demorado e penso que antes de verão de 2023 não teremos recuperado os números de 2019.
CE- Na sua qualidade de membro da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, não acha que temos que fazer mais, muito mais, para reverter este cenário?
JM- Como membro de Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, acho que temos que fazer, todos, mais do que estamos nesta altura a fazer. Certo é que se tem reagido de forma positiva a este revés, no entanto julgo que numa fase inicial subestimamos os efeitos económicos que esta pandemia está a provocar. Os empresários, de uma forma generalizada, tudo têm feito para preservar os seus ativos empresariais, com maior destaque para os seus colaboradores.
CE- O seu grupo está a ser afectado por este cenário de pandemia, com o turismo, o sector da rent-a-car e a venda de veículos a sofrer fortes quedas. Como reagiram a este cenário provocado pela Covid-19?
JM - As nossas empresas de uma forma global encontravam-se com alguma solidez económico-financeira o que nos permite estar mais tranquilos com esta situação. No entanto, os efeitos em determinados setores em que operamos, nomeadamente no turismo e rent-a-car, serão devastadores e com consequências muito significativas nos resultados das empresas em 2020. Estamos a fazer tudo para manter os postos de trabalho das várias empresas e tentamos aproveitar todas as pequenas oportunidades que nos aparecem. Neste momento difícil, temos de ser o mais eficientes e proativos possível. Aproveitamos ainda o momento para fazer algumas obras de adaptação, manutenção e recuperação de alguns dos nossos ativos, de forma a que tenhamos alguma atividade interna (nomeadamente na construção) e estejamos melhor preparados para o pós-Covid-19.
CE - Há muita gente à espera que este cenário seja alterado de forma rápida. Mas a expectativa positiva de uns é muito pessimista para outros. Em que posição se encontra?
JM - Estou moderadamente otimista, no entanto não penso que o cenário económico em que vivemos seja de rápida recuperação. Esta crise já provocou e provocará danos muito significativos na economia, com destaque para o sector de turismo que, pela sua especificidade, será aquele que demorará mais tempo a recuperar. Não nos podemos esquecer que vivemos em ilhas e para o turista chegar cá necessariamente utiliza um avião, o que reduz a livre circulação destas pessoas. No entanto, por esta mesma razão esta debilidade poderá ser uma força se conseguimos fazer passar a imagem de uns Açores “limpos de Covid-19”. Temos ainda que ser muito rápidos nas respostas aos testes, de forma a  reduzir este impacto naqueles que nos visitam.

CE- Enquanto empresário, agrada-lhe a forma como os Açores estão a lidar com a situação?
JM- Enquanto empresário penso que se tomaram algumas medidas que permitiram numa fase inicial menorizar os efeitos económicos desta pandemia, particularmente no que se refere na manutenção de postos de trabalho. No entanto os custos das empresas não se reduzem aos custos salariais e será com certeza necessário tomar mais medidas económicas e financeiras que possam permitir salvar o maior número de empresas possível.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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