“Modus operandi” da Saúde está a prejudicar a economia

Câmara do Comércio de Ponta Delgada e Angra traçam cenário negro para o Turismo e pedem reunião com Vasco Cordeiro

O turismo transformou-se num dos maiores sectores exportadores da economia dos Açores, para além de um dos maiores criadores de emprego e a alavanca para a recuperação do edificado urbano e rural, contribuindo para tirar o sector da construção do fosso em que havia caído na última crise. A constatação pertence à Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), cuja direcção reuniu com a Comissão Especializada do Turismo manifestando que com o desconfinamento era expectável uma gradual retoma da actividade, designadamente através de visitantes nacionais, o que não se está a verificar.
Por seu turno, a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (CCIAH), presidida por Rodrigo Rodrigues, fez um balanço muito negativo do sector do turismo, “senão mesmo catastrófico”, também em comunicado, que “em plena época alta são muitos poucas as reservas existentes, sendo certo que as perpectivas a partir de Setembro irão piorar. Concluiu-se facilmente que o sector do Turismo em geral, e não só as empresas do alojamento, não terão retorno este ano, só se prevendo uma retoma gradual a partir de Maio de 2021”.
A direcção de Mário Fortuna, da CCCIPD, explica na nota enviada às redacções, que “para esta situação contribuem vários factores exógenos, mas também internos, como é, por exemplo, a comunicação negativa que tem contribuído para afastar os turistas, face a situações incompreensíveis que se continuam a verificar com o processo de testes de despistagem da COVID 19, com envolvimento, por vezes, do tribunal, com forte repercussão na comunicação social nacional. Sem necessidade, o “modus operandi” da saúde está a prejudicar a economia regional e a sua capacidade para manter postos de trabalho”.
Dizem que esta situação é muito preocupante, para mais conjugada com a falta de uma política de hospitalidade, não apenas por afastar potenciais visitantes no imediato, mas também pela imagem que perdurará da Região como destino turístico a evitar, com consequências muito nefastas no futuro. Também a Câmara de Angra  sutenta que “as milhares de análises que vêm sendo efectuadas e a escassez de casos positivos, conjugada com o controlo imediato desses poucos casos, demonstra que, desde que continuemos a seguir as normas e recomendações de segurança, ambos são perfeitamente conciliáveis. Atendendo à importância do sector, e efeitos transversais em toda a economia regional, desde a construção civil, ao comércio ou à agroindústria e pescas, não queremos que, à pandemia do vírus, se siga a pandemia do desemprego e da miséria. É fundamental, por isso, que a Região cumpra com o que se compromete, designadamente em matéria de testes, que se possam encontrar outras formas de dinamizar o turismo, inclusivamente o interno, e que os açorianos mantenham a hospitalidade que sempre os caracterizou”.
A CCIPD “o turismo não se sente acompanhado devidamente pelos poderes públicos regionais. Não se verifica, ao contrário do que acontece noutras regiões, a manifestação de compreensão, apoio e defesa, de uma forma empenhada, da sua situação, bem como do realce da sua importância no emprego e na geração de riqueza. É em situações de grandes dificuldades como a actual, que mais se exige um apoio e presença próximas das entidades governamentais”.
Disposta a colaborar, a CCIPD dá conta de algumas medidas que conseidera serem fundamentais para o sector, com carácter imediato e com fundo perdido, de que se destacam: Complementar a medida nacional de apoio à “retoma progressiva”, que aguarda publicação, em montante equivalente à que as empresas teriam com a utilização do lay-off simplificado mais complementos regionais, até ao início do verão de 2021; Prolongar as moratórias fiscais e de crédito, devendo ser implementada redução fiscal até aos limites possíveis na lei; Implementar um programa de redução de custos fixos de exploração, para além dos custos com pessoal; e, tornar menos restritivos os condicionalismos relativos aos apoios que impliquem a manutenção dos postos de trabalho. Dada a gravidade da situação a CCIPD vai solicitar uma reunião urgente com Presidente do Governo. N.C.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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