Bandas de Vila Franca do Campo consideram que Governo Regional deveria “descomplicar” os apoios às Filarmónicas

Fundada a 20 de Abril de 1907, a Filarmónica Marcial União Progressista foi criada, segundo o Secretário da Banda, para “abrilhantar as Festas do Espírito Santo na época”. Carlos Vieira conta também o que esteve na base da criação desta Filarmónica em Vila Franca do Campo.
“Na época em que foi criada já existia a outra, a Banda Lealdade, e a nossa teve o contributo do Partido Progressista. Daí o nome “Filarmónica Marcial União Progressista”. Na altura a política estava misturada em tudo e reza a historia que o Partido Progressista deu um grande patrocínio para erguer esta filarmónica”, conta.
De lá para cá muito mudou e passados mais de 100 anos, a Filarmónica conta, nos dias que correm, com 36 elementos e com 10 alunos a frequentar a sua escola de música.
Como todas as outras, também a Marcial União Progressista foi obrigada a passar pelo encerramento obrigatória devido à Pandemia de Covid-19. Carlos Vieira revela que as actividades presenciais ainda se encontram suspensas, mas que e apesar disso, os membros da Banda foram mantendo contactado adaptando-se à nova realidade.
“Temos feito uma troca de impressões através das redes sociais e atreves de uma ou outra ligação via skype ou zoom com os nossos alunos. Temos dado um pouco de formação e mandado alguns trabalhos para eles fazerem em casa. O objectivo é que eles não percam a rotina. Quisemos dar ali uma certa continuidade àquilo que eles tinham aprendido”, realça.
O Secretário da União Progressista admite que todos os músicos compreenderam a necessidade do encerramento, mas confessa que nos últimos tempos já começa a existir alguma impaciência relativamente ao retorno dos ensaios.
“Actualmente já sentem aquela necessidade de se juntarem para ensaios, formações e aulas. Sentem muito essa falta. Temos um pequeno grupo no facebook onde trocamos impressões e já há muita saudade de tocar em conjunto”, revela.
Carlos Vieira reforça ainda sobre este tema que “aquela parte social, do convívio do conjunto faz falta, faz mesmo muita falta”.
Apesar de “não existir ainda nada planeado”, o Secretário da Filarmónica União Progressista admite que existe vontade de reaparecer durante as Festas do Senhor do Bom Jesus da Pedra.
“Temos de falar com as autoridades locais civis e de saúde para saber se há condições para fazermos esta homenagem ao Senhor Bom Jesus da Pedra. Vamos perceber se é possível e consoante o parecer das autoridades, vamos tomar a nossa decisão”, adianta.
Relativamente à componente financeira, a Filarmónica União Progressista admite que a tesouraria sofreu algumas complicações, mas que, mesmo assim, “nem tudo foi mau neste período”.
“A Câmara Municipal deu um grande subsídio à Filarmónica porque não se realizaram praticamente nenhuns eventos a nível camarário. O que estava destinado à cultura foi entregue à cultura. Recebemos um subsídio de 10.000 euros que em muito nos vai ajudar a colmatar as despesas correntes que temos. A Junta de Freguesia também nos entregou um subsídio de 1000 euros”, revela.
Já a nível dos apoios do Governo Regional, Carlos Vieira considera que nesta vertente, é necessário descomplicar e desburocratizar o acesso aos mesmos.
“Há muita burocracia. O Governo Regional deveria descomplicar um pouco os apoios às filarmónicas porque grande parte delas não consegue preencher os formulários e as candidaturas. O Governo deveria dar um outro tipo de apoio e facilitar os subsídios e os apoios às filarmónicas”, destaca.
Quanto aos tempos próximos, o dirigente da União Progressista mostra algum optimismo e revela alguns dos planos para o ano que vem.
“Estamos com confiança que no próximo ano tudo irá acalmar e vamos retomar aos poucos a nossa actividade. Nós temos o compromisso, que era para este ano, de um intercâmbio com duas filarmónicas; uma do Pico e uma que vinha do Continente. Esse compromisso é para ser assumido no próximo ano. Digamos que estamos contando com isso para que, em 2022, possamos nós ir ao Continente”, revela.

Filarmónica Lealdade

Fundada a 8 de Maio de 1867, esta Filarmónica, a mais antiga de Vila Franca de Campo, é a Banda rival da Progressista. O Presidente da Filarmónica Lealdade, Cláudio Medeiros, admite essa rivalidade, realçando no entanto que esta já foi mais intensa no passado.
“Essa rivalidade nota-se nos mais nos antigos do que nos mais novos. Os músicos são como os jogadores de futebol, defendem sempre a sua camisola. Se alguém troca de filarmónica não é muito bem visto, com as devidas aspas. Mas essa é uma situação que se vai superando e antes, essa rivalidade era maior”, faz questão de destacar.
Cláudio Medeiros que assumiu a presidência há pouco tempo, conta-nos também que a Filarmónica tem cerca de 40 elementos e que a escola tem entre 10 e 12 músicos. O presidente da Lealdade admite que estes números estão sempre sujeitos a alterações.
“É sempre uma incógnita. Pelo conhecimento que tenho e pelas conversas que tenho tido com outras filarmónicas, está tudo com os seus altos e baixos”, considera.  
Ainda sobre a Escola de Música, o Presidente realça que a Filarmónica Lealdade tem nas suas ‘fileiras’ alunos de todas as Freguesias do Concelho de Vila Franca do Campo.
“Recebemos elementos de todas as cinco freguesias e quem estiver interessado em ingressar na nossa instituição é sempre bem vindo para aprender musica e ter formação musical gratuita e eventualmente, mais tarde, poder integrar-se nas atuações da nossa Banda. São todos bem vindos desde Água de Alto até a Ponta Garça”, reforça.
Sobre a Pandemia de Covid-19 e os seus efeitos na Filarmónica, Cláudio Medeiros utiliza a rábula da formiga e da cigarra.
“Somos como a formiga, trabalhamos de Verão para termos a casa aberta de Inverno. Infelizmente foi tudo cancelado por força das medidas de confinamento social”, afirma.
Perante este cenário o Presidente da Filarmónica Lealdade confessa que se não fossem os apoios autárquicos, a situação financeira da Banda seria muito complicada.
“Se não fosse a Câmara Municipal a ajudar-nos estávamos em maus lençóis porque tínhamos dívidas pendentes a pagar.  O que fez à Lealdade fez para a União e para todas as instituições que estavam com o mesmo problema”, destaca.
Falando do presente, Cláudio Medeiros revela que os ensaios tiveram o seu início na semana passada, ressalvando que são cumpridas todas as regras de distanciamento social.
“Começamos os ensaios na semana passada com as devidas medidas de segurança. Estiveram 20 músicos, mas todos com a distância de segurança, com a máscara e com os desinfetantes. Cumprimos tudo o que a Direcção Regional de Saúde recomenda”, salienta.
Olhando para o futuro, o Presidente da Lealdade admite que existem algumas preocupações relativamente ao interesse dos mais jovens na Filarmónica.
“ A juventude vai se interessando por outras coisas. No verão, que é a altura alta dos nossos trabalhos muitos não aparecem porque há a praia e o calor. A filarmónica tem os serviços quase sempre aos fins-de-semana e em horas altas de calor, não é fácil. Para ser músico e preciso ter muito gosto”, afirma Cláudio Medeiros.   

Luís Lobão

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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