2 de agosto de 2020

Coisas do Corisco

Da utopia ao desastre

 Nós em Portugal, regiões autónomas incluídas, somos, de facto, um país curioso pela ambiguidade que existe na cidadania. Esse facto leva-nos a perguntar, com alguma perplexidade, como é possível num país pequeno, lindo de morrer, com um clima cheio de sol como aquele que temos, uma culinária do melhor que existe no mundo, o encanto do contraste regional urbanístico existente em poucos quilómetros percorridos, a curiosidade dos seus diferentes sotaques, assim como a simpatia do nosso povo, haver tanta gente malvada e sem moral?
Um dos factos que mais nos surpreende, é que a luta pelo poder, pelo luxo, e pelo protagonismo no nosso país, reside, principalmente, no seio de gente nascida na província, que migrando para a capital, ávidos de poder e de riqueza, se tornaram nos importantes líderes que têm existido entre nós. Daí, numa análise rápida da cidadania nacional se constatar facilmente que os lugares de maior destaque político e social do país provieram, na sua esmagadora maioria, de gente que saiu do Portugal periférico, o Portugal rural, não se entendendo, de todo, que a genuína coqueluche da capital, ingenuamente se tenha deixado dominar, principalmente na política, por esses migrantes chegados da província.
Por isso, veja-se o número dos importantes políticos, dos homens influente deste país, assim como daqueles que exercem cargos importantes no funcionamento das instituições que movem os cordéis da vida nacional. Quem são eles? Como chegaram e a onde chegaram? Como conseguiram e conseguem esse domínio?
Mas o pior que nos tem sucedido, é o facto de essa gente não poupar meios para atingirem os fins que ambicionam, muita vez controlando, roubando, distorcendo, criando um vergonhoso clima, de uma espécie de anarquia, que esconde a escandalosa corrupção que impera em Portugal, tornando-nos num dos países, dito evoluídos, mais corruptos do mundo.
Olhando com atenção para o comportamento dessa gente que governa, administra, gere, ou orienta os cargos de maior destaque na administração pública, facilmente se nota que eles não estão nos cargos que estão para servirem a política, mas para se servirem dela, atropelando e devorando em proveito próprio, os princípios éticos que os deveriam nortear, dai a corrupção indecente que grassa no país.
Vamos aos exemplos:  
Olhe-se, para Carlos César, esse profissional da política, que se despiu da ética para atamancar muitos dos seus familiares em empregos públicos, e que teve agora o atrevimento de dizer que a TAP tem que ser apoiada financeiramente, assim como disse hoje que a SATA, sendo uma empresa estratégica para os Açores, não pode soçobrar. Essa é uma afirmação bem estranha pois Carlos César foi o coveiro da Sata tirando o tapete debaixo dos pés  ao Engenheiro António Manuel Cansado, que deixou o cargo que teve de Presidente da SATA entre 1997 e 2007, sempre com lucros em todos os exercícios, para depois entregar a presidência da transportadora aérea regional,  à mão da incompetência, que lhe causou, desde a saída de Cansado, prejuízos acumulados de mais de 400 milhões de euros; olhe-se também para o nosso Presidente da República, que de um momento para o outro encabrestou na asneira de proteger os políticos, fomentando-lhes coisas que negou ao povo numa desigualdade cruel. Este Presidente da República que navega, qual rolha, sempre na crista da onda onde está o sucesso e o poder, não se sabendo se ele virou socialista; olhe-se para a inadmissibilidade calada do Primeiro Ministro com o roubo de armamento de Tancos, ao que parece com conhecimento do Ministro da Defesa, agora em julgamento nos tribunais nacionais; um Primeiro Ministro que tolera a incompetência de um Ministro da Administração Interna, medíocre, que nunca resolveu os problemas do desatino das chamas que ardem o nosso país todos os anos, causando dor e prejuízos imensos a Portugal; esse castigo do nosso Primeiro Ministro que consegue conviver com as asneiras atrozes das mulheres que tem mantido à frente da pasta da saúde nacional, baralhando a cabeça dos portugueses que nunca sabem quando elas falam verdade, e escutam as palermices que elas proclamam, dizendo que Portugal, quanto à pandemia do Covid-19, está bem, ignorando que já são 17 os países europeus que não engolem as suas mentiras e que impõem restrições à entrada de portugueses nas suas fronteiras.
Só alguém muito descuidado como António Costa, ainda não se apercebeu do perigo que corremos com o constante desacreditar do povo na honorabilidade dos políticos, no funcionamento da democracia, na honestidade do sistema bancário, na segurança e funcionamento da justiça, enfim de tudo aquilo que poderia fazer com que o comum cidadão português dormisse descansado.
Mas não dorme porque, simplesmente, não acredita no funcionamento correcto das instituições e na honestidade de quem o governa.   

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Categorias: Opinião

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