2 de agosto de 2020

Recados com amor...

Meus queridos! Fiquei para Deus me levar quando li esta semana no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, uma continuação do evangelho segundo Marcos que terminava assim: “A Autonomia é prejudicial para 8 das nove ilhas dos Açores. É provavelmente a altura de acabar com ela. É altura de lançar esse debate”… Debate? mas que debate? Por todo o “arrangel” que precede esse fatídico parágrafo, isso mais parece um ultimato de quem tem a cabeça cheia de complexos. Com autonomistas destes nem precisamos de centralistas, porque o arraial está montado para a guerra intestina que vai minar a unidade açoriana que tem dado tanto trabalho a construir…. A minha prima Jardelina que nem pode ouvir falar em bairrismos, desta vez até gritou que se querem acabar com a autonomia açoriana esperem para ver… porque vai haver quem agradeça e seja capaz de viver de mão estendida como foi noutros tempos…. No meio disso tudo, gostava de saber, o que pensa o partido laranja de que o dito cujo senhor Marcos é um dos maiorais lá para as bandas da Ilha de Jesus. Sendo os laranjas tidos como os pais da Autonomia e unidade açoriana, que dirão agora deste promotor do fim da Autonomia? A minha prima Maria da Praia que também está fula com tamanhos dislates do seu conterrâneo, disse-me que se fosse Rui Rio a mandar cá no laranjal, decerto que já tinha remetido o caso para o Conselho de Jurisdição do seu partido como fez agora com os deputados que votaram contra a suspensão dos debates quinzenais do Primeiro-ministro na Assembleia da República… mas nada disso vai acontecer porque por cá… os laranjas são uns amanhados e por isso não se vê toca donde saia coelho… É que o dito cujo escriba nem teve o cuidado de escrever “desta Autonomia”, mas sim “da Autonomia”. É obra, senhor Couto… E já sei que vai vir cartinha de resposta, e vou avisando que da minha parte não terá resposta… e por favor não me chame Tia, porque não tenho sobrinhos desse calibre…


Ricos! Muito gostei de saber pelo jornal que tão generosamente me acolhe o seu seio, que lá para os lados da velha capital a Câmara do meu querido Presidente Ricardo Rodrigues está a reconstituir virtualmente os fortes do concelho, com base no que deles resta e nas suas plantas originais, incluindo o forte de Santo António da Ribeira das Tainhas que já vem do século XVII e de que agora pouco ou nada resta, para além dum pedaço de muralha e o nome de “Castelo” que deu a toda aquela zona de Calhau e até aos terrenos por ali próximos. Pensei cá com os meus botões que enquanto uns andam a gastar dinheiro e tempo a reconstruir virtualmente fortes desaparecidos, outros nem olham para o que resta desses preciosos tesouros da nossa história, como é o caso de Ponta Delgada, com o forte de São Caetano, nas Milícias, ou o forte de São Francisco Xavier que mesmo sendo privado pode e deve ser objecto de diálogo e ajuda para não ser desvirtuado ou destruído, como corre o risco de ser. Depois queixam-se da falta de memória das novas gerações… Pois se não se preserva nem se divulga como deve ser o património que foi deixado e faz parte da nossa história como ilhéus, … como querem alimentar as raízes que nos tornam povo… E depois lá terão de fazer reconstruções em três D… e apresentar tal proeza como uma conquista da era tecnológica… São sortes!


Meus queridos! Eu tenho um fraquinho pela Ilha do Pico, coisa que vem de longe… pois quando trabalhava lá na Caixa, e antes de me reformar e remeter-me para o meu refúgio aqui na Rua Gonçalo Bezerra convivi com várias colegas da Ilha montanha. Por isso vou conversando de vez em quando com a minha prima Maria do Pico que agora está muito contente porque finalmente chegaram os grandes tanques para centenas de milhares de litros de vinho e que muita falta faziam aos produtores que estavam penando sem saber onde e como arrumar os vinhos que as adegas já não comportam. E disse-me ela que agora e com tanto que está a ser prometido e projectado para o Pico, até já há quem sonhe e escreva que a Vila da Madalena será a próxima cidade dos Açores. Só não foi ainda porque o Pico não tem habitantes suficientes para três cidades… Senão tinha já  ficado decidido na última visita do séquito  governamental que Madalena seria proposta para cidade…


Meus queridos! Apesar de fuseira de gema, sou leitora fiel, desde há muito anos, da Crença, jornal da velha capital e que agora anda cada vez mais irreverente “prá frentex”. Ainda na passada semana lá vinha a notícia de que para os lados de Itália e em Portugal, para os lados de Bragança, alguns bispos tinham resolvido acabar – numa experiência de três anos – com os padrinhos de baptismo e crisma, fundamentando tão inusitada decisão… com o facto do Código de Direito Canónico apenas aconselhar… mas não obrigar… a que haja padrinhos. Mas em vez de acabar, por que não tornam a coisa facultativa e ao critério dos pais ou do próprio? O argumento de que muitos escolhem padrinhos por razões  de ordem social… é fraquinho demais… O que acontece é que muitos padres custam a lidar com os padrinhos que os pais escolhem, porque não estão dentro das medidas do referido código… Cá por mim, lembro-me sempre do meu querido Padre Cassiano que agora e depois de longa doença, goza a sua reforma nas Furnas e que no seu meio século de padre nunca pediu um papel para padrinhos de Baptismo ou de Crisma. Dizia ele que se serve para os pais ou para o crismando, porque não servirá para a Igreja? Mais do que acabar com padrinhos precisa a Igreja de se aliviar de tanta burocracia que até parece uma repartição pública!
Ricos! E já que falei em burocracia na Igreja, também não entendo a transformação de um Movimento Católico em Associação, como é o caso dos Romeiros, que hoje estão em dia de eleições, no AçorArena da Vila que pelo menos vai servindo para os Comícios partidários e eleições de Romeiros. Como não quero acreditar que tenha sido o pilim a motivar a criação de uma Associação de Romeiros, ainda não me entrou na cabeça a razão pela qual é preciso uma Associação para regular os ranchos de romeiros, e quiçá dar formação… que é coisa que deve continuar a pertencer a cada paróquia aos respectivos mestres e contra mestres…. Mas isto talvez seja porque com a minha idade já me falta  capacidade de apreender essa coisa de transformar tudo em turismo, folclore ou património, como até queriam fazer com a procissão do Santo Cristo quando a colocaram a votos num programa comercial das chamadas sete maravilhas… Quando se vende a alma à tradição, não há muito mais a dizer.


Meus queridos! Desde ontem que é obrigatório o uso de máscaras, mesmo na rua, lá para os lados da chamada Pérola do Atlântico que é a Madeira. Ainda não soube se alguém já moveu alguma acção judicial contra o uso da dita cuja, apesar de ao início da manhã de sexta-feira, já haver 5.031 assinaturas a pedir a revogação da iniciativa… Cá por mim juro que estou atenta para a qualquer momento  ouvir o Presidente Ferro Rodrigues  a chamar à Madeira a “Ilha dos mascarados”, pois não me esqueço de na altura da preparação da Sessão solene do  25 de Abril na Assembleia da República, ele ter de início recusado o uso de máscara, dizendo que não ia mascarado para a Assembleia… Afinal, e desde o princípio, essa coisa de máscara sempre dividiu as opiniões, mas como diz a minha prima Jardelina, isso de usar máscara é como as coisinhas de Nossa Senhora: quanto mais melhor!


Meus queridos! A minha prima Teresinha ficou toda contente quando soube que a Câmara de Ponta Delgada, brevemente, vai requalificar o parque de estacionamento de São Francisco Xavier, tornando-o mais prático e bonito, já que não há pilim para a medida de fundo que era criar-lhe mais um piso, dobrando-lhe a capacidade. O que ela pergunta e que não viu em nenhum jornal onde leu a notícia é se o parque vai continuar gratuito ou se vão matar um dos poucos lugares onde ainda se pode ter o popó sem levar um rombo no orçamento… Essa é coisa que gostaria de saber, apesar de não ser frequente utilizadora daquele parque, mas sabendo quanto custa a vida a quem tem de se deslocar a Ponta Delgada todos os dias para trabalhar e sem ter parques gratuitos espalhados pela cidade para parar o popó é um rombo no parco vencimento que recebem, porque quem pode tem sempre forma de resolver o seu problema.

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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