2 de agosto de 2020

Editorial

Combate aos divisionistas

 1- Em 2019, o Fundo Monetário Internacional reviu em baixa a sua previsão de crescimento global de 3,7% para 3,5% e para o ano de 2020 de 3,7% para 3,6%. Enquanto isso, o Banco Mundial também reapreciou a sua estimativa de crescimento da economia mundial, baixando 0,1%, isto é, passando a estimativa do crescimento para 2,9%. São projecções como as que agora acabam de ser divulgadas relativamente aos países da zona euro, com Portugal a apresentar um recuo do Produto Interno Bruto no segundo trimestre de 2020 de 14,1%.
2- O ano passado, os líderes políticos e empresariais que participaram no Fórum Económico Mundial na Suíça discutiram a possibilidade do mundo estar à beira de uma recessão global.
3- Um ano depois, a recessão global está aí, só que essa recessão não teve origem nos mercados financeiros, como os líderes políticos e empresariais auguravam. Ela resultou da natureza e apresenta-se mais devastadora do que aquela que era imaginada pelos analistas em 2019.
4- Sentimos isso em Portugal, mas em economias pequenas e frágeis como é o caso dos Açores, a situação parece ser bem pior.
5- O mundo andou anos a gerar à volta do dinheiro e a conviver com as trafulhices dos manipuladores do capital, onde se incluem Bancos, banqueiros, batoteiros e mentirosos. 
6- É triste ver o governo da República de gatas perante os bancos que fazem e desfazem negócios, e depois sacam milhões em nome de contratos ruinosos para o erário público, como é o caso do Novo Banco, que se tornou um caso de polícia.
7- Porém, mais forte do que os mercados e os mercadores, é a natureza mãe que comanda tudo, incluindo a saúde que temos e não temos, e que nos indica o caminho a fruirmos. 
8- A postura que usamos assenta no saber ouvir, aprender todos os dias, desafiar os tímidos e os acomodados, resistir ao infortúnio e encontrar no passado a força e o saber para projectar o futuro.
9- Daí termos ido à procura de políticos que tenham deixado marcas para a história em tempo de grandes crises e encalhámos no passado do Presidente Franklin Roosevelt dos Estados Unidos da América. Foi o único Presidente a ser eleito para quatro mandatos sucessivos e, depois disso, o Congresso teve de fazer uma lei de limitação para dois mandatos.
10- O Presidente Roosevelt concorreu à Presidência dos Estados Unidos da América em 1933, pouco depois da grande recessão mundial de 1932, propondo um corajoso plano de acção para resgatar o país daquele que era considerado o pior desastre económico do século XX e prometendo ao povo o governo mais activo, alegando que os americanos não tinham nada a temer, a não ser de si próprios. 
11- Roosevelt foi eleito por uma esmagadora maioria e conseguiu aprovar no Congresso, em apenas cem dias, o seu inovador plano económico, que chamou de “New Deal”, traduzido como Nova Ordem. O Congresso atribuiu ao Presidente Roosevelt 3,3 bilhões de dólares, uma quantia sem precedentes, para investir na criação de novos empregos e aprovou a Lei Nacional de Recuperação Industrial, dando ao presidente o poder de orientar a economia. Em 1935, o Congresso aprovou a histórica Lei de Segurança Social, de âmbito nacional.
12- O sucesso do Presidente Roosevelt marcou-o como um dos maiores Presidentes dos EUA, reconhecido mundialmente pelo contributo que teve depois no desfecho da segunda guerra mundial.
13- O sucesso de um país ou de uma Região depende da qualidade dos políticos e da sua capacidade para envolver o povo na sua reconstrução social. 
14- Os Açores precisam de um “New Deal”, traduzido como Nova Ordem, que inclua o combate sem tréguas ao novo centralismo, a regeneração da açorianidade como pilar da Autonomia Democrática, uma nova ordem económica e financeira apostada na promoção industrial e na valorização dos nossos recursos endógenos. E isto faz-se desde que haja coragem e competência.
15- Precisamos de fazer doutrina na escola, nas empresas e na sociedade em geral para que se entenda o valor da Autonomia, e tal com disse Roosevelt em 1933 aos americanos, dizemos agora aos Açoreanos que só devem temer as consequências a não ser de si próprios.
16- Não sobreviveremos como Região Autónoma se nos deixarmos envenenar pelos divisionistas e revisionistas.
                                      Américo Natalino Viveiros

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Autor: CA

Categorias: Lista - Editoriais

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