4 de agosto de 2020

Virar a Página…

Açores -Potência ou Possessão?

“Os Açores são o melhor sítio do mundo para estudar o mar”. Palavras do Professor Costa Silva, nomeado consultor do Governo de Portugal e autor do documento: “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030”. E acrescentava, “ os Açores são oportunidade de ouro para o país sair da crise”.
Não deixa de ser uma resposta categórica para aqueles que têm vindo a defender a tese de que os Açores não são viáveis.
A interdependência, a globalização e o digital, ao contrário dum óbice é a oportunidade que a “Causa Açoriana” não pode perder.
Contra o argumento falacioso da “inviabilidade” têm-se batido, desde sempre, os Resistentes da “Causa Açoriana” defendendo a centralidade atlântica dos Açores com a sua enorme zona económica exclusiva, tornando-os uma potência oceânica, capaz de rivalizar com muitos países da União Europeia.
Por aí se vai dizendo que, muitos dos que em 1975 eram os mais entusiastas defensores da Independência dos Açores, agora não hesitam em manifestarem o seu apoio ao partido dos seus “ideais” que tardava em “chegar” para por na ordem não só uma certa “cultura marxista” como os separatistas açorianos.
Mas os “Resistentes” aí estão não só para lhes responder, com a força do Ideal que receberam do Presidente José de Almeida, como para bem receberem na “Causa Açoriana” todos aqueles que, como recentemente aconteceu com o escritor açoriano João de Melo, que quando colocado perante a pergunta, “…e se os Açores se tivessem tornado independentes como pretendia a FLA? “ respondia assim, “… Uma luta pela independência só poderia ter algum sentido contra a ditadura e o fascismo salazarista; e contra a pobreza, o isolamento, o atraso sistémico de quase tudo em relação ao continente. Os próprios separatistas não acreditavam na viabilidade dos Açores como país independente”.
Não há como não acompanhar o Escritor na sua resposta, muito em particular, na última parte.
Quanto às ligações do Doutor José de Almeida e de outros açorianos da “Causa”, ao antigo regime, João de Melo bem sabe, sabemos todos, que com excepção do PCP e este com fortes ligações a outra ditadura, por omissão ou passividade, “todos colaboramos” com o Estado Novo, a começar pela maioria dos capitães de Abril, muitos dos quais teriam alinhado com o General Kaúlza, uma vez que este tinha a promessa de responder positivamente às suas reivindicações de classe. Curiosamente, ou talvez não, vamos encontrar, após o golpe de estado, muitos desses militares ligados à esquerda radical.
Seja como for, irão estar novas circunstâncias históricas a acontecer, pelo que o escritor João de Melo, assim como muitos açorianos com pensamento crítico, estão convidados a fazerem parte do grupo de “Senadores da Autonomia” ou como há dias, outro açoriano Elias Pereira, igualmente entrevistado, afirmava, “…Este é um tempo de ruptura com velhas práticas de um estado regional em certos aspectos anquilosado sobre si próprio, que talvez exigisse um “colégio de sábios”, com um conjunto de ideias para 10 a 15 anos…”.
Virar a página, para um novo modelo de auto governo dos Açores, “sempre com Portugal ao lado”, como incansavelmente os “Resistentes” açorianos fazem por repetir, contudo há quem na Metrópole não entenda, e não são só os apologistas da restauração do Portugal Imperial, mas também muitos democratas da esquerda à direita, como os últimos acontecimentos têm vindo a evidenciar.
  “...E passados 45 anos também são muitos os que a nível nacional têm a ideia de que os Açores são uma possessão de Portugal. Esta ideia ainda persiste na mente de muitos e não podemos deixar que isso aconteça…”. Parte duma conferência sobre os “45 anos de Abril” proferida, pelo considerado pai da Autonomia Democrática, Presidente Mota Amaral.
Autonomia, Estado Federal, Autodeterminação ou Independência? 
Não teria sido aquela, a oportunidade de, restaurada a democracia e estarem em curso os processos de descolonização das antigas possessões em África e Oriente, terem os Açores apanhado, igualmente, o comboio deste processo?
 Contudo, naquela altura não foi esse o entendimento do ilustre conferencista, para  desagrado do Doutor José de Almeida, assim como para os apoiantes da CAUSA, que ainda hoje como há 46 anos mantêm acesa a chama de tão nobre ideal.
Afastado o perigo duma nova ditadura, sobejava a questão de se continuar ou não o IDEAL da independência, para não se voltar a cair no histórico erro, dos Açores apenas servirem de  “moeda de troca”, quando para tal fosse esse o interesse da capital do Império. Ontem como hoje. Em ditadura ou em democracia.
 São muitos os exemplos que a história regista, desde as negociações entre o Doutor Oliveira Salazar e os aliados para as cedências das bases de Santa Maria e das Lajes, para já não referir as sucessivas situações, pós restauração da Democracia em 1974, chegando-se ao ponto das contrapartidas recebidas, as mais das vezes, nunca chegarem a beneficiar os Açores e o seu POVO. E, como testemunhava um reputado jornalista, já ter de se chegar ao ponto das potências dominantes chegarem a negociar os Açores entre si sem avisar Portugal.
A Autonomia Politica -Administrativa concedida aos Açores em 1976 possibilitou progressos inegáveis, mérito dos Governos dos Presidentes Amaral, César ou Cordeiro. Hoje. Como estamos? 
“Autonomia sem Autonomia”, é como estamos, parafraseando um conhecido cronista da nossa imprensa.
Os recentes indicadores sociais e económicos colocam os Açores numa posição nada confortável, apesar de todos os progressos alcançados.
Os centralistas do Terreiro do Paço espreitam e jamais irão desistir.
 Virar a página… com todos e para todos. Açores sempre! Em Democracia e Liberdade!
 

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