4 de agosto de 2020

A reprimenda do Sr. Presidente


Há menos de 4 meses, em entrevista à RTP Açores, o Sr. Presidente do Governo Regional dos Açores,  com um olhar dorido e profundo, referia que era devido ao esforço e sacrifício de todos os açorianos que estava a ser possível controlar ao máximo o surto de covid 19, na região.
Rasgava elogios ao pessoal do serviço regional da saúde, aos que estavam na linha da frente neste combate e a quem nunca tinha parado a sua atividade – estávamos em Estado de Emergência.
Vasco Cordeiro respondia às questões do entrevistador usando de todas as técnicas possíveis – olhar, calma, expressão corporal e conceitos - que nos levassem a considerar que estava tudo entregue aos deuses do PS, bastando-nos para isso cumprir integralmente as indicações da Direção Regional da Saúde. 
Chegados a esta fase, em que se começa a aliviar as medidas restritivas e à retoma de mais setores da sociedade, a mesma pessoa que noutro momento se mostrou ponderada nas  palavras, dirigiu, aos mesmos açorianos que havia elogiado a sua capacidade de resiliência, um autêntico “recado”, como se falasse com crianças mal comportadas: “o comportamento individual não reside nos enfermeiros, não reside nos médicos, não reside no Serviço Regional de Saúde. Esses entram em ação por descuido, por desinteresse, por irresponsabilidade, em alguns casos”.
A falta de capacidade de gestão revela-se neste tipo de discurso. É indiscutível que é mais fácil confinar e impor restrições. A dificuldade encontra-se na capacidade de gerir o período de abrandamento das medidas restritivas, fase para a qual já deveria - o Governo Regional - estar preparado. 
Chantagear emocionalmente é a atitude que menos se espera de um líder. Isso espera-se de chefes arrogantes e autoritários.
No entanto, relembro ao Sr. Presidente aquilo que nunca deveria esquecer: O Governo Regional não se pode demitir das suas responsabilidades e se considera que o Serviço Regional de Saúde não tem capacidade para dar resposta, tem tudo nas suas mãos para inverter essa situação.
O Serviço Regional de Saúde tem de ser a solução e não a opção, portanto, pode começar por reconhecer as reivindicações dos enfermeiros e dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica que mais uma vez foram enganados por uma simulação de negociação.
Alexandra Manes

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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