6 de agosto de 2020

A Talho de Foice

Pandemia ou férias prolongadas

Na sequência desta pandemia que afetou o Mundo, os Açores não ficaram indiferentes nem isentos. É nestas alturas, que desejávamos ser esquecidos, como no passado, em que os Açores passavam despercebidos e no meio da sua pequenez, as gentes destas paradisíacas ilhas viviam o dia-a-dia em tranquilidade e prosperidade. Já se passaram alguns meses sobre o surgimento do vírus “Covid-19” e do pânico que causou em todo o planeta, sem que até à data haja uma previsão de até quando irá se manter este clima de medo e de destruição económica e social. É incrível a força deste vírus que, pela sua complexidade, torna ainda quase que exequível a vacina para o combater, ou talvez seja demasiado simples e o Homem habituado a problemas complexos, ainda não se debruçou sobre a sua simplicidade, porque uma das formas de o prevenir é o uso de água e sabão, álcool gel, luvas e o uso de mascara, algo não bate certo. A saúde mundial encontra-se fragilizada, e como diz o povo; um mal nunca vem só, em caso de uma catástrofe natural, por exemplo; um sismo ou um tsunami, as já fragilizadas estruturas certamente irão se desmoronar e será o caos. A economia encontra-se falida, com uma serie de empresas em lista de espera para a falência. Este mês que por natureza é o que mais movimenta a economia, avizinha-se uma tragédia, matando as poucas expectativas e derrubando a fé, que muitos tinham depositado no turismo e nas massas que dai advém. Estou convicto que no próximo mês de setembro, metade do sector ligado à restauração, hotelaria e similares entrará em falência, e sendo um sector que cria linhas de negócio em cadeia, pela diversidade dos seus fornecedores, provocará uma queda em dominó nas várias empresas associadas, arrastando para o desemprego milhares de trabalhadores indefesos e que provocará o caos na economia e no sistema de Segurança Social já fragilizado. Para além da crise de saúde pública que vivemos, já se nota a crise económica, que em pouco tempo dará lugar à crise social, e desta vez não haverá América ou Canadá para nos salvar através da emigração, criando uma oportunidade de trabalho e de melhores condições de vida, desta vez o que nos irá salvar é a pequenez dos Açores e o isolamento, que irá permitir a auto-suficiência e a sustentabilidade deste povo. Verifico que andamos anestesiados, a gozar de umas férias forçadas, ora por suspensão da atividade económica, ou por “lay off”, empurrando para o futuro o que acontece no presente, com as moratórias aplicadas a tudo e a todos, até à nossa vida aplicamos moratórias, sem saber ou querer saber o que nos irá custar. Muitos aproveitam para repintar a casa e cuidar do jardim, outros para praticar desporto, piqueniques, agora que já podemos confraternizar, mantendo as medidas de segurança, na esperança que tudo vai correr bem.  Se assim for, será fantástico e se assim não for, estaremos preparados? Teremos um plano B? Por vezes escuto que, sendo um problema mundial, se correr mal é para todos e que o governo terá de arranjar uma solução. É a hipocrisia de não querer ver mais além, que associada ao medo do futuro, vive-se um estado de morte súbita, como o que se viveu durante a Segunda Guerra Mundial, em que, na iminência de morrer a qualquer momento, a população vestia a melhor roupa e frequentava os bares e outros eventos da altura, vivendo intensamente cada segundo, cada dia. Este é o mês por excelência das férias dos portugueses, aproveitemos cada dia, porque depois… o depois a Deus pertence e assim ficaremos todos mais tranquilos e gozaremos destas “merecidas férias prolongadas”.

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Categorias: Opinião

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