9 de agosto de 2020

Coisas do Corisco

Os filhos de Deus e os filhos do diabo!

Nesta visita recente que fiz à ilha do Pico, que não a visitava desde há  praticamente 6 anos, reparei na grande evolução que aquela ilha teve, principalmente nas suas infraestruturas rodoviárias, na modernização e expansão dos seus vinhedos, assim com na limpeza existente e o bom gosto com que se muraram, muitas propriedades, e melhoraram várias residências, tudo em cores escuras, como é a lava picarota.
Outra das coisas que me despertou a atenção foi a da aproximação que sucedeu entre as ilhas ditas do triângulo, (Pico, São Jorge, e Faial) com a Graciosa, e Ilha Terceira, unidas com viagens regulares de barcos para transporte de passageiros e viaturas.
Mota Amaral, quando chefiou o primeiro Governo Regional, aquilo que planeou imediatamente, foi o desenvolvimento harmónico de todas as ilhas dos Açores  por forma a ultrapassarem o grande atraso  que tinham, principalmente nas suas infraestruturas fundamentais para a segurança, conforto, e desenvolvimento.
Com essa medida o governo açoriano equipou todas as ilhas, sem excepção, com aeroportos, ou aeródromos,  portos, unidades de saúde, modernas escolas, estradas capazes e seguras, assim como múltiplas estruturas para que fossem melhoradas as condições de vida de cada ilha. Assim, Mota Amaral, abriu o caminho para que os governantes que se lhe seguissem pudessem ter o grande alicerce lançado, onde daí nasceriam todos os restantes edifícios que permitissem transformar o arquipélago num lugar seguro e apetecível de se viver.
Só que após Mota Amaral ter criado o que criou, os governos de Carlos César e depois de Vasco Cordeiro, desenharam e criaram outras rotas orientadas no  sentido primário de se cativarem os votos das gentes que por cá vivem.
Carlos César primeiro concertou a posição familiar, e só depois disso as obras que permitissem a conquista dos votos, em ilhas politicamente estratégicas, como são todas as ilhas do grupo central, para ganhar sucessivamente a governação dos Açores, procedimento agora seguido por Vasco Cordeiro com  a grande influência de César que até já namora de longe a presidência dos Açores, para o seu filho, já  colocado na rampa  de lançamento para tomar o comando dos cordéis políticos regionais, sentado no trono da presidência dos Açores.
Quanto a mim choca ver-se a forma como, por exemplo, as ilhas do grupo central se desenvolveram e movimentam, e aquele que é o abandono com que se trata a ilha de Santa Maria,  quanto a mim, abandonada no conceito regional.
Por isso, sendo salutar e bonito ver-se o envolvimento criado entre as ilhas do grupo central com carreiras marítimas estruturadas em ferry-boats, permitindo às pessoas um grande e são intercâmbio, movimentando-se com os seus carros para passearem, conviverem, ou mesmo negociarem entre si, provoca-me alguma tristeza de que não exista, pelo menos, um barquinho, mesmo velho, feio, até lento, com capacidade, nem que fosse, para transportar meia dúzia de bicicletas, ou 12 pares de patins, entre  São Miguel e Santa Maria, hoje autenticamente, uma ilha perdida no Atlântico.
Saberão os nossos governantes que São Miguel e Santa Maria têm, no seu conjunto, muito mais gente que o grupo central todo junto com 5 ilhas? Que a união com ferry-boats  regulares entre as duas ilhas tiraria os marienses, e até os micaelenses do isolamento em que vivem? Terá Vasco Cordeiro, esse nosso “insonso”   presidente, a noção daquilo que cresceria Santa  Maria ligada a São Miguel com uma carreira regular com um pequeno ferry?
Não. Aquilo que Vasco vê é que comparativamente às ilhas do grupo central, o  voto político de Santa Maria, praticamente não tem valor, daí o seu abandono por parte da arrogância socialista.
Não entrando por um bairrismo negativo, não posso deixar de reconhecer que quem não chora não mama e reclamar, por exemplo, que a ilha do Faial que tudo tem sem o merecer ter, quer pela sua exígua população, quer pelo seu quase nulo  contributo para o PIB, tenha os privilégios que tem. A ilha do Faial sempre teve mais do que merecia, ensombrando desde sempre a ilha do Pico que a sustentava, e iluminava. Só que os picarotos, ingenuamente, deixaram-se dominar pelas elites faialenses que apenas faziam do Pico,  o seu local preferido de férias.
Tudo quiseram, e tudo tiveram os faialenses, à custa daquilo que seria lógico outras ilhas terem. E se foi pensado o desenvolvimento harmónico para os Açores, os socialistas renegaram esse intuito a favor do voto, oferecendo a muitas ilhas aquilo que nunca deveriam possuir pois, ao fim e ao cabo, aquilo que o Governo injustamente lhes ofereceu, fê-lo à custa do sacrifício de todos os açoreanos que têm que  pagar os sucessivos deboches que os socialistas usaram entre nós
Por isso, analisando aquele que é o esforço regional para com as diferentes ilhas, logo se constata a indecência e baixeza de tratamento que se tem usado para com a nobre ilha de Santa Maria, porque por exemplo nem o Faial nem qualquer outra ilha lhe é superior.   
Santa Maria, quanto a mim, tem, portanto, todas as razões para acusar os socialistas de papões do voto e da forma como são esquecidos.

 

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima