9 de agosto de 2020

Recados com amor...

Maria Corisca

Meus Queridos! Não gosto de me meter em coisas da politica sobretudo numa altura em que cheira a eleições, mas num chá das cinco em que juntei em minha casa as amigas do costume, que juntas fazem um ramalhete que vai do rosa choque ao laranja desbotado com matizes de azul-marinho e de vermelho roçado… Todas juntas parece uma Comissão de deputados, cada um com a sua opinião querendo levar a água ao seu moinho… Mas, todas elas estão com medo da abstenção… e fazem apostas quanto aos partidos que se colocam nos extremos da direita e da esquerda que vão a eleições regionais pela primeira vez… Tudo isto quando o PS/A está com o COVID às costas… e o PSD se desfaz em guerras intestinas por causa dos lugares de candidatos a Deputados…. A minha amiga Jardelina diz que ou Bolieiro sacode a morrinha e toma as rédeas da situação… ou então será devorado pelos algozes… que uns por ignorância e outros por vocação suicida, … têm destruído o Partido nas últimas décadas…. Há hora que entreguei os meus recadinhos ao Director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu ainda não havia resultados da reunião magna do PSD/A realizada na Ilha Terceira, e por isso não posso dizer quem fica e quem sai nas listas de candidatos a Deputados, mas prometo para a próxima semana dizer o que pensam as minhas amigas do chá das cinco!

 


Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço não falhou e lá estava com as suas amigas de peito na inauguração das obras dos mamarrachos da Calheta que em boa hora se lembrou de fazer o Bloco de Esquerda que em cada campanha eleitoral traz o assunto à baila. Quando a minha prima viu a fita vermelha e a bandeira dos Açores, e logo depois das palminhas da praxe, na hora do corte da dita cuja, até pensou que as ditas galerias tinham mudado de nome e de dono… agora pertença do BE, quem sabe por usucapião, que é o que está na moda… Mas o que a minha prima sabe é que o Bloco de Esquerda conseguiu a proeza de fazer com que o Governo e a Câmara se vissem forçados a vir a terreiro para explicar na praça pública o inexplicável. Foi uma dor d’alma ouvir e ler mais uma vez um poderio de desculpas esfarrapadas, próprias de quem não tem força ou não quer pôr o investidor privado na ordem, … esse sim que herdou aquilo tudo por usucapião e se dá ao luxo de alongar no tempo e usar os prazos como bem entende. A minha prima só tem pena que depois das eleições tudo volte a ser esquecido…


Ricos! E por falar nas Galerias da Calheta e nas desculpas do Governo e Câmara, já agora como cidadã cumpridora dos prazos que me impõem para pagar os impostos que me taxam sem apelo nem agravo, gostava de saber quem são as entidades externas que ainda não deram os pareceres que a Câmara espera e de quem dependem tais entidades… e como é que se leva mais de 6 meses a dar resposta à solicitação da Câmara. Agora se vê o cambalacho que foi o período de 4 meses de prazo dado para começar a obra, depois de emitida a licença… Cá para mim, devem é ter-se esquecido de dar prazo para o investidor apresentar os projectos, incluindo as especialidades e as alterações …. e com esta arma lá se vai tudo para calendas gregas. E ninguém pergunta se já foi ultrapassado o prazo dado pelo Governo na resolução que aprovou o PIR (Projecto de Interesse Regional) àquele investimento ou até se já passou o prazo que concedeu licença turística à unidade a ser construída… Mas quem acertou na mouche foi o jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, no “barómetro” semanal do Correio Económico que pergunta onde anda o Delegado de Saúde que não vê o perigo que todo aquele espaço é para a saúde pública… Como diz a minha prima, em terra de cegos quem tem um olho é rei…


Meus queridos! Foi preciso uma visita estatutária do Governo do meu querido presidente Vasco Cordeiro à ilha do Arcanjo, para a gente ver que o Conselho de Ilha de São Miguel ainda mexe e dá um ar de sua graça. Desta feita reuniu lá para os lados do Nordeste e ao que dizem as más-línguas houve muitas faltas que não se entendem, o que prova a importância que muito boa gente dá àquele órgão. A minha prima Jardelina até vai procurar ter acesso à acta para ver os nomes dos ditos cujos faltantes…  O que é certo é que o presidente do Conselho, meu querido Professor Luís Andrade tornou público o relatório entregue ao Governo em que constam diversos problemas da Ilha, entre os quais, Saúde, Educação e Turismo, não esquecendo também as Galerias da Calheta e não esteve com meias medidas ao finalizar dizendo que o relatório deste ano era mais ou menos igual ao do ano passado porque se mantêm os mesmos problemas … Pois!


Ricos! Li esta semana no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que para os lados de Alvalade, na capital do rectângulo, foi detido um taxista que vai ser julgado no Tribunal de Pequena Criminalidade, porque cobrou mais 80 cêntimos a uns clientes que tinham apanhado o táxi pelo caminho e ele estava a cobrar como se tivesse havido uma chamada… A gente sabe que numa profissão de gente séria e trabalhadora como são os taxistas, há sempre alguns que “afincam a unha” e são mais que muitas as histórias que se contam, desde o valor da corrida até às voltas por longos caminhos para fazer andar o taxímetro. Mas é de registar, num país de justiça lenta para as burlas de milhões e para os tais crimes de colarinho engomado – não digo branco por via de não ser conotada com racismo – a rapidez com que se actua para quem cobra mais 80 cêntimos num táxi… é coisa de bradar aos céus !


Meus queridos! Diz a minha sobrinha-neta que gosta de andar pelas redes sociais que a decisão do Tribunal Constitucional de dar razão a quem se queixou das quarentenas forçadas, depois de terminado o período de estado de emergência nacional, divide toda a gente, uns a defender os direitos da Saúde e outros o dura lex sed lex. Eu que não sou mulher de me meter em política, só digo que os políticos são vítimas de si mesmos, porque a eles e só a eles compete mudar as leis que estão mal. Aos tribunais cabe julgar e mais nada. E bem esteve o meu querido presidente Vasco Cordeiro ao dizer que a lei precisa de ser aperfeiçoada, mas devia tê-lo sido logo de início e viu-se que a posição de força da República na questão da continuidade territorial não ia trazer nada de bom. Situações novas requerem novos comportamentos, mas como toda a gente sabe, o tempo dos políticos é de elástico… e depois quem sofre é o Zé-povinho que Bordalo tão bem imortalizou….


Ricos! Mas a coisa pode não ficar por aqui, pois como diz a minha comadre Maria da Praia, se o pobre do taxista foi a tribunal por causa de oitenta cêntimos, há quem diga que muitos dos que foram considerados “presos indevidos” preparam-se para reclamar a indemnização à autoridade de Saúde Pública por perdas e danos materiais e morais… Se a coisa pega… vai ser um rastilho...


Meus queridos! Não há campanha eleitoral em que não venha à baila a questão da eutrofização das lagoas em São Miguel. Quem não se lembra da grande manifestação do SOS Lagoas, de meia dúzia de pessoas e um cão, e que tanto brado deu naquele tempo e depois das eleições se evaporou? E de tantos outros projectos que se foram gorando e até agora pouco ou nada melhorou… Desta feita e sem esquecer a compra de mais uns alqueires de terra para plantar urzes e queiró, foi assinado com pompa e circunstância um protocolo para adquirir uma máquina de filtrar a água das lagoas e mandar a substância filtrada para fazer adubo… Foi só o protocolo e nem se sabe quando vem a máquina… Não me lembro de ter havido cerimónia quando o governo de antigamente comprou uma ceifeira para limpar as algas das Lagoas das Sete Cidades e que muitos desdenharam mas não puseram fora… Agora há cerimónia para tudo, até para iniciar a obra da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda na freguesia de Pedro Miguel, que ficou destruída aquando do sismo de 1998 no Faial…. Ao fim de 22 anos ainda se reconstrói património religioso danificado em 1998… E ainda há quem fale mal da reconstrução da Ilha Terceira aquando do terramoto de 1980! …É preciso não ter vergonha!


Meus Queridos! Por falar em vergonha, a minha prima Angélica que está em Lisboa desde o confinamento e ainda não ganhou coragem de fazer a viagem de regresso com medo de não apanhar “o bicho”, contou-me que numa roda de amigas com quem se costuma juntar na margem sul do Tejo, a indignação era grande depois de saberem que a Fundação Calouste Gulbenkian tinha atribuído um prémio de um milhão de euros à activista Greta Thunberg pelo trabalho desenvolvido na defesa do ambiente, e que Greta aceitou e agradeceu… Pudera! É pilim que dá muito jeito, mas Angélica estranha que a ecologista tenha aceite tão generoso presente de uma Fundação criada e alimentada com dinheiro do petróleo que ela abomina… Cá p’ra mim tanto é vergonha para quem deu, como para quem aceitou, e mais valia que a Fundação tivesse aplicado aquele milhão na recuperação dos bairros degradados da margem sul do Tejo para reduzir o perigo de contaminação a quem lá vive… O bom senso é coisa rara na era actual!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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