11 de agosto de 2020

A escola que faltava e que falta

Foi finalmente inaugurada a Escola do Mar dos Açores, uma instituição localizada na ilha do Faial e que pretende ser uma referência nacional e internacional na formação de profissões ligadas a esta área.
Trata-se de uma aposta que vem reforçar a oferta de oportunidades de qualificação numa área de importância emergente a nível europeu e mundial, como é o Mar e que há uns anos a esta parte estava relegada ao esquecimento, a não ser cursos de curta duração muito aquém daquilo que era necessário para o desenvolvimento do sector.
Ainda bem que chegou ao dia desta almejada concretização que foi uma promessa que passou de ano para ano e ganhamos uma escola moderna, funcional, equipada com diversas valências e concebida para desenvolver uma formação de excelência, e que abre porta ao ensino já no próximo ano letivo.
São parceiros neste projeto a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique e a Universidade dos Açores e parece que também a Câmara Municipal da Horta, não sei a que cargas de água, a não ser para apoiar logisticamente ou apenas para ficar bem na fotografia.
Entretanto, foi constituída uma Associação para o Desenvolvimento e Formação do Mar dos Açores, entidade criada pelo governo para expressamente gerir os destinos deste novo estabelecimento de ensino, cuja atividade se iniciará com cursos de formação modular, como sejam cursos de pesca e de comunicações, embora se pretenda também lecionar cursos de dupla certificação de nível IV e Cursos de Especialização Tecnológica de nível V, em áreas como mestrança e marinhagem, reparação e construção naval, aquacultura, mergulho ou atividades marítimo-turísticas.
No passado houve uma tentativa de promover cursos de pesca na Escola Profissional da Ribeira Grande. No entanto, muito poucos alunos chegaram ao fim, porque eram cursos com a duração de dois e de três anos e os alunos com menos apetência para irem para a escola, aderiram a cursos de curta duração ministrados pela LOTAÇOR apenas com o fito de obterem a cédula marítima, que lhes permite a atividade piscatória.
No Continente existia o INFORPESCAS, com larga experiência na certificação de cursos no âmbito das pescas, bem com na realização de ações de formação profissional com uma variedade de cursos no sector, mas foi extinto o que deu lugar ao Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar, designado por FOR-MAR, apenas com a abrangência de circunscrever-se apenas ao território do Continente. Ficamos de fora até hoje.
Entretanto, o Concelho da Ribeira Grande sempre reivindicou que a escola do mar estendesse a sua atividade, com um Pólo desta ilha e não apenas no Faial, o que provocou uma grande celeuma, em que os faialenses manifestaram o desagrado pela fraca influência da sua classe política, pelo que o governo regional teve que colocar água na fervura e prometer que a única entidade formativa nesta área seria sediada naquela ilha.
A decisão foi tomada pelo Governo Regional sem atender aos apelos persistentes da necessidade de se instalar nesta ilha de uma escola de pescas, por demasiadas vezes apontada como uma grande necessidade para a dinamização do sector e sobretudo para a dignificação dos pescadores, que continuam a ser vistos como uma classe sem instrução e sem qualificações adequadas para fazerem face aos novos desafios que se colocam a este sector da economia que é ainda o parente pobre da atividade económica açoriana.
No passado, como agora importa apostar na valorização, qualificação, e habilitação técnica dos recursos humanos do sector das pescas, bem como na própria valorização da capacidade empresarial, desenvolvendo ações de apoio técnico a agentes económicos, alargando o mais possível a oferta formativa diversificada e adaptada a diferentes contextos e destinatários.
Não questiono o objetivo de dotar o Faial de uma escola de formação e qualificação profissional de excelência, tendo em vista promover a formação inicial de jovens em profissões ligadas ao mar, ou seja profissões relacionadas com as pescas e transportes marítimos, mestrança e marinhagem, reparação e construção naval, atividades marítimo-turísticas e mergulho profissional, bem como nas áreas dos portos e infraestruturas portuárias, observação de pesca e do ecossistema. Tudo isto é demasiado importante para o desenvolvimento do sector e que não deve ser mais descurado, como foi até aqui.
No entanto, só se o Governo Regional não quiser, porque será muito fácil constituir um Pólo da referida Escola em Rabo de Peixe, atendendo a que a estrutura está montada e apta para reabrir portas aos cursos ligados à pesca.

 

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Categorias: Opinião

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