11 de agosto de 2020

Açores Sempre

Parece estar em curso uma campanha anti-autonómica.
Ultimamente, tenho observado que alguns escribas cá da praça se aproveitam da visibilidade que os cargos lhes conferem e da liberdade de imprensa para emitir pareceres sobre o tipo de autonomia que devemos ter; melhor dito, que tipo de subjugação devemos, ou não devemos ter.
É sabido por todos os que me lêem que sou nacionalista. Assim, pouco me importa o grau de autonomia que Portugal se digna conceder a estas ilhas. Todavia, sinto que quanto menor ela for, mais consequências tem no nosso viver colectivo; daí ser da opinião de que, já que Portugal não quer tratar os Açores como tratou de Cabo Verde ou S. Tomé e Príncipe, pelo menos que a autonomia destas ilhas seja a mais ampla possível.
Como penso desta forma e vendo os Açores como um todo, não admito que, quem provavelmente ainda andava de fralda em 1975, enquanto eu andava na rua a lutar pela liberdade dos Açores venha escrever que esta autonomia só serve uma ilha, no caso S. Miguel.
Quem assim fala, e escreve, demonstra uma ignorância total e uma atroz falta de respeito para com aqueles que obrigaram Lisboa a ceder às pretensões autonómicas.
Todos sabem que S. Miguel é o motor económico dos Açores e que causa dores de cotovelo a quem julga que há favorecimento especial a esta ilha.
Ainda no passado domingo ouvi na Antena 1 Açores a senhora Secretária Regional da Saúde dizer que 80% dos passageiros desembarcados nos Açores, fazem-no em S. Miguel.
Aquela governante falava a propósito do elevado número de infectados com a Covid 19 que se verifica nesta ilha contrastando com os outros aeroportos com ligações ao exterior que não apresentam casos positivos.
É realmente muito estranho que os infectados venham todos para S. Miguel. Será que também fazem testes aos desembarcados em Santa Maria, Terceira, Faial e Pico?
Outro assunto que veio à baila na passada semana foi a malfadada quarentena a que um piloto foi sujeito e que originou um habeas corpus para soltura do dito.
Apesar de ultrapassada a questão, por se ter verificado em Maio passado, parece-me que aquela matéria continua a ser notícia. A sua importância foi tão grande que até mereceu “honras” de subir ao Tribunal Constitucional. Francamente, só neste país!
Revoltam-se-me as “tripas” quando observo determinadas “prepotências” dos poderes centrais ao proibir algo que queremos fazer diferente daquilo que é feito no rectângulo português, alegando, invariavelmente, a falta de poder dos órgãos regionais em deliberar sobre determinadas matérias.
Claro que, como não podia deixar de ser, houve de imediato os atentos veneradores e obrigados do centralismo português a apoiar aquele Tribunal que interpreta a lei conforme lhe apraz; ou seja, umas vezes cingindo-se “à letra”, outras vezes com uma interpretação do texto. Porém, uma coisa é certa:- quando se trata de algo vindo dos Açores é certo e sabido que é inconstitucional.
Que a saúde pública da Região fique em causa, para aquele Tribunal, não tem qualquer problema. O que interessa, é que a Autoridade Regional de Saúde não pode restringir a livre circulação de qualquer pessoa.
 E se a dita cuja estiver infectada pela Covid 19? Não é crime a propagação da doença?
Para os defensores do centralismo (que são muitos), nos Açores, as quarentenas, sejam elas livres ou obrigatórias, é que não pode haver, só porque não foram deliberadas pela Assembleia da República.
A este respeito devo dizer que concordo com o que disse o Presidente do Governo Regional dos Acores ao afirmar que, em matéria da salvaguarda da saúde pública a lei deve ser alterada.
Para defesa de quem cá habita.

            P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
            9 de Agosto de 2020

 

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Categorias: Opinião

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