12 de agosto de 2020

Coisas do corisco

Terão os Açores violado a constituição portuguesa?


Antes de mais nada, terei que dizer, em abono da verdade, que os Açores não violaram a Constituição, mas apenas a ganância do mando que Portugal sempre exerceu sobre os Açores  e a Madeira, quais donos das nossas ilhas, nas quais até impuseram uma espécie de Vice-Rei, não fosse o Diabo tecê-las e os açorianos e madeirenses lhes dessem algum laivo de maluquice e mandassem suas excelências, os portugueses, cavar batatas.
E disse  que os Governantes ilhéus não violaram a Constituição porque apenas zelaram pelos interesses das suas populações criando, dentro da sua melhor forma de ver, as regras que nenhuma Constituição mundial poderia ter ou prever perante a imponderabilidade que este vírus tem.
De facto, não existia nenhum plano de contingência desenhado, por que país fosse, que pudesse servir de candeia que iluminasse os outros países para que fossem criadas regras seguras de enfrentar a pandemia. Assim, este pandemia que enfrentamos, não se inserindo nas regras de nenhuma Constituição mundial, exige que sejam as próprias regiões que a enfrentam, dentro das suas realidades sociais, físicas, e de bom senso, criem as suas normas para se defenderem melhor desta louca confusão.
Por tudo isso, o Governo Português  não pode criar as regras para os Açores e Madeira, que melhor se adaptam às regiões continentais, pois para além de sermos diferentes, termos uma Região formada por diversas ilhas, sem fronteiras terrestres, que nada têm a ver com o Minho, o Algarve, ou Lisboa e vale do Tejo.
Portugal, no seu diabólico vício de mando, quis apenas exercer o poder de nos obrigar a não termos uma quarentena obrigatória, sob o pretexto de ser inconstitucional, metendo-se, como lhe é hábito, por um atalho cuja Constituição portuguesa não tem, pois não existem nem  atalhos, nem caminhos, que sirvam para todo o território nacional se defender melhor desta pandemia.
Além disso, os alertas lógicos para a pandemia, são e serão sempre diferentes de região para região, pois a geografia, densidade populacional, e até mesmo a cultura de cada uma delas, por serem diferentes, merecem, a meu ver, um tratamento diferente.
Por isso, o Senhor Presidente da Câmara de Ovar isolou, e muito bem, o seu concelho porque entendeu ser a melhor forma de diminuir os contágios  e consequências do vírus não desobedecendo, por isso, a Constituição portuguesa, mas apenas a segurança  da sua gente. Sob a mesma lógica, também os  Governos da Madeira e dos Açores, dada a fragilidade inerente aos ilhéus, entenderam cercar as suas ilhas, estabelecendo uma quarentena obrigatória a toda a gente que chegasse de fora aos Açores, residentes incluídos.
Onde raio está então o pecado grave dos Governos insulares? Claro que está apenas, e só, no facto de não beijarem a mão, e rogar ao patrão poderoso português para o fazer.
Se a Constituição portuguesa não prevê, nela própria, regras que se enquadrem numa pandemia que ninguém domina, ou conhece bem, consequentemente não existe nenhuma desobediência à mesma a não ser nas cabeças do advogado e do Governo português, que agiram, quais lobos, sob uma doentia mania de mandarem, ainda por cima quando na posse de uma desastrosa política sobre a forma de agirem contra a pandemia, Portugal estar cada vez mais desacreditado internacionalmente  e aos portugueses ser-lhes negada a livre entrada nos seus países.
Este é mais um enredo engendrado por Portugal só para nos espezinhar e moer a cabeça porque se julgam no direito de nos dar ordens.
Por isso, contra “gente burra”, como os governos portugueses geralmente são,  temos que ser corajosamente audazes e, se for necessário, deitar a mão aos cordéis decisórios regionais, batendo com a porta a esses medíocres que não nos respeitam.
A autonomia que temos, para além de não nos servir, não é senão uma forma disfarçada da mediocridade portuguesa nos achincalhar, e de nos tratar como gente menor.
Há coisas para as quais é necessária muita coragem; há situações que não são toleráveis por uma questão de honra; assim como existem muitas coisas que o respeito tem que vir ao de cima sobre todas e quaisquer pretensões que o nosso país possa ter.
Portugal já largas vezes nos tratou como seres menores; Cavaco e Silva teve, até, o atrevimento de dizer, como se fossemos chulos, que gastávamos mais do que podíamos quando havia acabado de receber 4 esquadrilhas de F16 pelo acordo das Lajes; este Governo de António Costa é tão esfomeado que até já quer interferir e decidir sobre o filão submarino que aos Açores pertence. Estamos habituados a esse tipo de comportamento por isso compete-nos a nós açorianos cortar com o cordão umbilical que os lusos teimam, manter.
A pergunta que se poderá fazer é a de que lucram os Açores ligados a Portugal? Que seu saiba, pouca vergonha, corrupção, maus hábitos, e claro, a arte do negócio se arderem as florestas de um país.

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Categorias: Opinião

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