Alguns milhares de micaelense, terceirenses e originários de outras ilhas dos Açores estão a passar férias no triângulo Pico-Faial-São Jorge. Muitos deles estão em casas de amigos e familiares e alguns integraram-se no programa ‘Viver os Açores’, podendo beneficiar de um apoio governamental até 175 euros se ficar hospedado numa unidade hoteleira ou alojamento local, fizer três refeições em restaurantes, uma actividade de animação turística e utilizar uma viatura rent-a-car.
Mas, muitas famílias, algumas das quais do concelho de Nordeste, em São Miguel, têm amigos e/ou familiares numa das três ilhas do triângulo e sai muito mais barato se pagarem a passagem, por exemplo, até ao Pico (pouco mais de 100 euros). Circulam entre as três ilhas nos barcos da ‘Atlanticoline’ por preços que são acessíveis e acampam nas outras ilhas onde não têm a habitação.
Por estes dias é fácil encontrar micaelenses e terceirenses nas dezenas zonas balneares ao longo da costa do três concelhos do Pico, Madalena, São Roque e Lajes. Praticamente em cada pequeno porto há uma grua, chuveiros ao ar livre e os locais e visitantes transformam o espaço numa zona balnear.
Um jornalista do ‘Correio dos Açores’ teve oportunidade de auscultar as razões porque alguns micaelenses preferiram fazer férias no triângulo turístico e a resposta é sempre a mesma: Muitos deles costumam visitar, anualmente Lisboa e Porto e seguir percursos turísticos a partir destas duas cidades. Perante o receio da pandemia do Covid-19, optaram pela segurança que proporciona um descanso em férias nos Açores, a opção pelas outras ilhas. E muitos deles estão a descobrir que, afinal, “sabe bem conhecer os recantos de ilhas da Região que não conheciam” de tal forma que as suas deslocações são “autênticas surpresas agradáveis”.
E, curiosamente, entre os visitantes de outras ilhas da Região, há grupos de jovens que encontram motivos para estar com as suas pranchas de surf em algumas zonas balneares do Pico, São Jorge e Faial. Eles, por esta altura, estão a dar uma vida diferente aos cais onde embarcam nos navios cruzeiro e nas zonas onde se concentram para surfar.
Mas o turismo no triângulo não se faz apenas de residentes em outras ilhas dos Açores. Há também a circular nas três ilhas turistas continentais e estrangeiros mas, obviamente, em muito menor número do que nos últimos anos.
Em Julho registou-se uma acentura quebra de passageiros a desembarcar nas três ilhas. No Pico desembarcaram em Julho 13.772 passageiros quando no mesmo mês do ano passado tinham desembarcado 40.970 passageiros. No Faial desembarcaram em Julho 21.488 passageiros quando no mesmo mês de 2019 tinham desembarcado 71.635 passageiros. E, em São Jorge desembarcaram em Julho 9.675 passageiros quando tinham desembarcado no mesmo mês do ano passado 23.436 passageiros.
Nesta cenário de quebra acentuada do turismo, é interessante um crescente movimento de visitantes de São Miguel, Terceira e de outras ilhas, npara o Pico, Faial e São Jorge. E é notória a arte de bem receber dos picoenses, dos jorgenses e dos faialenses. É também evidente que o parque habitacional do Pico está a crescer. As tradicionais casas de pedra estão a multiplicar-se E, de forma significativa, algumas delas são a segunda casa de continentais e de micaelenses.
João Paz