Caro Sr. Eduardo de Medeiros. Li com a maior atenção a sua opinião na sua coluna “Nótulas de Verão” do dia 7 do corrente mês. Começo por agradecer a comparação com o saudoso Dr. Cândido Forjaz, muito embora não me sinta, nem de longe nem de perto, à altura dessa grande figura Angrense. Posta esta introdução devo dizer que começo a ficar um pouco aborrecido com o facto de ter de responder a várias pessoas, todas elas sobre o mesmo assunto, todas elas a dizer o mesmo, qual orquestra desafinada. Tenho muito gosto em responder e irei fazê-lo sempre, mas pedia ideias e argumentos novos, de forma a podermos avançar no debate público. Na falta dessas ideias, que tardam em chegar, seja qual for o interlocutor, ficam as minhas repetidas respostas, sendo que desde já o convido a ler o Expresso Atlântico da próxima segunda-feira. Até lá repito o que disse à Sra. Teresa Nóbrega, já que o seu discurso em nada difere do dela: “Quando tomo uma posição faço-o como um exercício de total liberdade de expressão enquanto cidadãos de um Estado de Direito, sem pedir permissão a quem quer que seja, obrigado apenas pela minha consciência e sentido de dever cívico para com a nossa terra, para com quem me elegeu e para com a minha Região. Quem fez perigar a Autonomia foi quem a deturpou em primeiro lugar. De momento a mesma enferma de vários problemas que tendem a ter um carácter estrutural e que não servem ao todo Regional. Só existem temas tabus em ditaduras, como tal não abdico da minha liberdade de defender e sustentar os meus pontos de vista. Quanto ao resto do seu articulado, que respeito, é mais do mesmo. Apenas reflete o que pensa uma minoria de Ponta Delgada – nem São Miguel representa. A verdade é que estamos TODOS fartos do centralismo que criticam de Lisboa, mas aplicam aos Açores. Esta é a razão pelo qual o que defendo ganha cada vez mais força. Quanto aos benefícios da Autonomia, entendo que estão por comprovar. Sempre achei que, nos Açores, se confundiu a Autonomia com o dinheiro que veio da Europa e que nos levou a melhorar o nosso nível de vida. A questão é que todas as regiões do país melhoraram com os fundos Europeus e a nossa foi a que menos evoluiu. Antes da autonomia éramos das regiões mais pobres da Europa, continuamos a ser. Todas as Ilhas perderam população. Estamos em último lugar nos 7 indicadores de desenvolvimento da OCDE. Financeiramente não somos sustentáveis, a Região só gera 52% do dinheiro que precisa, os restantes 48% vêm do orçamento Nacional, de fundos comunitários e 20% de endividamento. Como região pobre que somos continuamos a sustentar uma enorme classe política, globalmente medíocre, que usa a Autonomia para fazer a sua vida a dos filhos, familiares e amigos. Esses sim deviam ser o alvo da sua ira, não eu. No entanto contra esses nem uma palavra. São de Ponta Delgada... Volto a relembrar que não desempenho qualquer cargo nas estruturas partidárias quer locais, quer regionais, quer nacionais. Fui a votos e fui derrotado. Coisas da democracia! Como tal este é o tempo dos que meritoriamente ganharam. Mas sou Vereador legitimamente eleito e vou desempenhar essas funções até ao fim, sempre em defesa de quem me elegeu. Acima de tudo sou livre e independente. Graças a Deus não preciso da política para viver e também não sou de ter medo de nada. Duas coisas essenciais para se poder estar na vida publica e que esta região, e que pelos vistos não sabe o que é. No dia em que me quiserem fora do partido nem precisam grandes coisas, nem muito menos comissões. Basta só pedir. Saio da mesma maneira que entrei… sem ninguém saber. Por tudo isto ligar a minha opinião ao PSD, partido fundador de uma Autonomia que não esta, apenas tem um objetivo, favorecer o PS. Os leitores que tirem as suas conclusões.”
Marcos Couto
marcos.couto@sapo.pt