Padre João Furtado, pároco de Água de Pau e da Ribeira Chã

“Há sempre uma margem de esperança porque a vida não fica só por aqui”

O padre João Martins Furtado é o pároco de Água de Pau e da Ribeira Chã, da ouvidoria da Lagoa.
Em tempos, o nosso entrevistado começou a sua missão na Fazenda do Nordeste, depois acumulou a Paróquia de Santana e a seguir a Paróquia de Nossa Senhora do Amparo, na Freguesia da Algarvia. No Norte da ilha de São Miguel, esteve durante 11 anos. No final de Agosto de 1994 fez a sua despedida e foi para a Matriz de Santa Cruz, na Lagoa, onde esteve durante 14 anos, leccionando também na escola. Para além da Paróquia de Santa Cruz tinha também o Curado dos Remédios.
Durante quatro anos, o padre João Furtado acumulou as paróquias de Santa Cruz e Água de Pau, porque o seu antecessor, o padre João Botelho Mota, ficou doente. No entretanto, o padre João Furtado ficou com a comunidade de Nossa Senhora dos Anjos e Santa Cruz, na Lagoa, ficou entregue a outro sacerdote.
Neste nosso diálogo, o padre João Furtado relembrou os tempos de confinamento devido à pandemia da Covid-19, cujos efeitos têm perdurado. “Celebrei as Missas sozinho e além do mais estávamos isolados. Contactávamos por telefone, as pessoas mais necessitadas, mas senti muita limitação e não tinha capacidade para mais nada. Portanto, temos de ser muito francos, muito autênticos e foi isso que senti, fiquei muito isolado, fazendo o que fosse possível, nomeadamente em espírito de oração, a pedir uns pelos outros, mas desta forma também mantivemo-nos unidos com o mesmo pensamento e na amizade”.
Mais disse, que “falava com um ou outro paroquiano, mas foi um tempo em que as pessoas ficaram limitadas, reservadas nas suas casas e com muitos cuidados”, sustentando que “não sente simpatia pelas redes sociais”, bem antes pelo contrário.
Quando foi possível abrir as igrejas aos fiéis, “graças a Deus que tudo se alterou e essa presença nota-se mais, na Missa das 11 horas”. 
João Furtado releva ainda que “os idosos não vão, mas isso é perfeitamente compreensível. São idades de risco e depois as máscaras é outro problema para essas pessoas. Aquelas que vêm à Igreja vêm com gosto e com convicção, porque a presença é muito importante e demonstra a vivência cristã”.
Se quanto à missa das 11h00, estamos conversados, o padre diz também que “a Missa das 19h00, aos Domingos, também não está assim muito diferente, daquilo que era, parecendo-lhe até que tem aparecido mais pessoas do que anteriormente acontecia”.
“Neste recomeço desta vivência cristã parto com a convicção que tudo isto não é nosso, isto é do nosso Senhor Jesus Cristo, Ele é que tem o poder e vamos fazendo a nossa parte. Fala-se que há muitas paróquias que estão muito em baixo, esta também está e sabemos que há falta de pessoas, de movimento, de dinâmica e isto está tudo muito diferente”.
Às missas com máscara e igrejas com lotação limitada, segue-se a festa da paróquia em moldes muito limitados. “Nunca antes tinha assistido a uma situação destas. A festa em honra de Nossa Senhora dos Anjos, este ano, vai ser muito simples. No entanto, a Eucaristia vamos fazer. Por exemplo, a Celebração da Eucaristia e início do Tríduo de preparação para a Festa de Nossa Senhora dos Anjos tinha muita gente, na Segunda-feira. O 2.º e 3.º dia do Tríduo aconteceram na Terça e Quarta-feira, terminando aqui com a reunião dos pais e padrinhos das crianças a baptizar”.
Na Quinta e Sexta-feira houve Eucaristia, às 20h00, mas ainda na Quinta-feira, das 18h00 às 20h00, decorreu a Celebração do Sacramento e Reconciliação.
A Celebração Vespertina da Solenidade de Nossa Senhora dos Anjos, com a participação do Coral de Nossa Senhora do Monte foi na sexta-feira.
No dia da festa, este Sábado, dia 15 de Agosto, a Celebração da Eucaristia na Igreja Paroquial, que é também a Solenidade de Nossa Senhora dos Anjos antecede a Alvorada no Monte Santo com a participação da Banda “Fraternidade Rural” em honra de Nossa Senhora dos Anjos, às 08h00.
Às 11h00, será celebrada a Missa Solene no Adro da Igreja Paroquial, com a presença da imagem de Nossa Senhora dos Anjos e participação de todo o povo com a presença de grupos corais da Paróquia. “Os cânticos muito populares, marianos e eucarísticos foram seleccionados” quase a dedo “para que todo o povo também possa participar”. 
Segundo o Padre João Furtado “tudo é realizado com todas as medidas de segurança, seguindo as orientações da Autoridade de Saúde dos Açores, nomeadamente o distanciamento físico, higienização das mãos e uso de máscara”.
No terminar da celebração, o padre João Furtado dará a bênção do santíssimo, cantar-se-á a Cristo, sacramentado e depois da bênção cantar-se-á o hino Nossa Senhora dos Anjos
O fogo-de-artifício (Monte Santo) será outro momento a ter em conta, a partir das 23 horas.
Para amanhã, Domingo, haverá celebração da Eucaristia, participada pelo Coral Nossa Senhora do Monte, às 11h00, e celebração da Eucaristia, participada pelo Coral Shalon, às 19h00.
A terminar, o Padre João Furtado quis deixar uma mensagem de esperança a todos os nossos leitores. “Sou uma pessoa optimista e realista, porque sabemos que as coisas não estão bem e temos de ter os pés bem assentes no chão, mas há sempre uma margem de esperança, porque a vida não fica só por aqui. Temos de olhar para o futuro com olhos claros, com a esperança que a vida vai melhorar. Para o ano, certamente, tudo será melhor, assim esperamos, e mal seria de nós, se não tivéssemos este dom maravilhoso que é esperar e ter o dom da esperança. É uma palavra de conforto, de olhar para o futuro, com olhos bem claros e sentir que tudo vai melhorar. Tenho esta esperança e o Senhor também vai ajudar”.

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