Desde o início da época balnear, iniciada em Junho passado e com duração até ao próximo mês, a Autoridade Marítima registou um total de 29 incidentes ocorridos nas zonas balneares dos Açores, sendo que 20 destas levaram à necessidade de evacuar os banhistas para os hospitais da Região.
No caso da Associação de Nadadores Salvadores dos Açores (ANSA), há registados até ao momento um total de 15 salvamentos efectuados dentro de água nas zonas vigiadas por esta associação, adiantando-se que um destes salvamentos ocorreu numa zona não vigiada em São Vicente.
De uma forma geral, conforme adianta o presidente desta associação, nesta matéria a época balnear “tem corrido bem em geral”, o que se deverá também ao facto de os nadadores que prestam este serviço à comunidade serem aqueles que tiraram a sua formação no ano anterior, conhecendo por isso “a exigência e o método de trabalho” da associação.
Esta época balnear, conta Roberto Sá, a Associação tem um total de 20 postos para os quais tem sempre que garantir um total de 41 nadadores salvadores por dia, podendo em alguns dias, nomeadamente aos fins-de-semana, alcançar os 47 nadadores salvadores graças ao reforço que foi permitido devido à Covid-19.
“A Associação tem, no total, 20 postos e para estes 20 postos temos que ter sempre garantidos um total de 41 nadadores salvadores por dia. Devido à Covid, em Vila Franca do Campo, o município decidiu fazer um reforço de mais dois postos na Praia de Água d’Alto e mais um na Vinha d’Areia.
Em Ponta Delgada, na Praia das Milícias, houve reforço de mais um nadador salvador diariamente. Ou seja, se fazíamos a vigilância com quatro nadadores salvadores agora fazemos com cinco, e isso acontece para garantir que há distanciamento entre as pessoas que frequentam a zona balnear”, diz, referindo-se aos 1,5 metros entre pessoas e 3 metros entre guarda-sóis.
Conforme explica, do ponto de vista da ANSA, ao se aumentar a vigilância das zonas balneares “as pessoas sentem-se mais seguras e estendem-se por todo o areal, tanto na largura como na profundidade”, salienta, constatando-se assim que “esta é uma medida que tem sido positiva” no distanciamento social de pessoas que não integram o mesmo grupo.
Por outro lado, tendo em conta que este ano não existiu curso para formar novos nadadores salvadores, “isto significa que estamos a trabalhar mais ou menos com o mesmo número de pessoas que tínhamos no ano passado, mas como há um reforço há dias em que não temos estes nadadores extras para colocar nas zonas balneares”.
Isto é, apesar de a segurança obrigatória estar sempre garantida conforme consta no edital de praia, não colocando assim em causa a segurança dos banhistas, diz Roberto Sá, nem sempre é possível colocar nadadores salvadores extra nas três zonas balneares referidas durante a semana, uma vez que alguns destes profissionais têm outras ocupações de momento.
“Durante a semana nem todos os dias conseguimos colocar nadadores extras nas três zonas balneares referidas porque não há disponibilidade de todos os nossos actuais nadadores, mas essa disponibilidade estaria colmatada se tivéssemos conseguido fazer formação na ilha de São Miguel, porque teríamos mais nadadores salvadores”, explica o presidente da ANSA.
Para esta associação, a primeira destinada aos nadadores salvadores nos Açores, este é um ano muito atípico e no qual a ANSA se vê impossibilitada de prosseguir as suas actividades.
“Temos um plano de actividades que implica fazer muita sensibilização e formação contínua com os nossos nadadores salvadores. Como temos que garantir distanciamento entre as pessoas isso impossibilita-nos em 2020 de fazermos as nossas campanhas de sensibilização o que nos deixa muito tristes porque durante dez anos sempre foi algo importante para nós e para a sociedade”, salienta.
Em acréscimo, também a actividade desta Associação começou mais tarde do que aquilo que é habitual, entre 15 a 20 de Junho, devido às recomendações lançadas pela Direcção Regional dos Assuntos do Mar e da Autoridade Regional de Saúde, deixando pouco tempo de preparação aos nadadores salvadores.
Contudo, salienta, na formação que estes profissionais recebem são já incentivados a ter cuidados individuais nas situações de socorro, integrando-se no método de trabalho e salvamento o equipamento de protecção individual “para não haver contágios quer para o nadador salvador quer para o banhista, caso algum esteja infectado sem o saber”, e que é utilizado em situações de socorro e em primeiros socorros fora de água”.
Neste Verão há ainda outra circunstância que tem vindo a afectar a permanência dos banhistas nas praias da costa sul da ilha de São Miguel, nomeadamente com a interdição de acesso a banhos no ilhéu de Vila Franca do Campo e nas zonas balneares mais próximas, como Vinha d’Areia e Corpo Santo, ou ainda com a presença de uma mancha nas águas da Praia do Pópulo.
“Essa situação tem acontecido em Vila Franca do Campo, mais concretamente na zona da praia do Corpo Santo, na Vinha d’Areia e no ilhéu de Vila Franca do Campo. Sempre que nos informam de que as pessoas estão impedidas de ir a banhos, o que o nadador salvador faz é cumprir as recomendações impostas pelas autoridades e as pessoas têm que escolher outra zona para tomar banho”, diz.
Costa Norte regista total
de nove salvamentos
No que diz respeito à Associação de Nadadores Salvadores da Costa Norte, conforme informou a Autoridade Marítima ao nosso jornal, entre os 29 incidentes ocorridos nas zonas balneares dos Açores estão registados nove salvamentos entre as zonas balneares que concessionadas, divididas entre os concelhos de Ribeira Grande e Povoação.
Segundo Marco Medeiros, este é um número pequeno, considerando que têm ocorrido “muitos poucos salvamentos” dentro de água, à excepção de “alguns pequenos acidentes” que vão surgindo.
Entre um dos mais preocupantes, adianta, está o caso de um jovem com cerca de 15 anos de idade ocorrido no passado mês de Julho, na piscina municipal da Ribeira Grande, mais concretamente numa zona não vigiada e na qual não são permitidos saltos para a água, que mediu mal as distâncias e a profundidade da água com a maré vazia, “que saltou e que infelizmente teve que ir para o hospital e que ainda se encontra em recuperação”.
Conforme explica ainda, a grande parte das situações que ocorrem são “ligeiras” e reflectem situações súbitas como más disposições, exemplificando com o caso de um senhor que este Verão teve uma convulsão dentro de água, na Praia de Santa Bárbara.
“Tivemos uma situação na Praia de Santa Bárbara em que um indivíduo com epilepsia se expôs ao sol durante muitas horas e quando foi ao mar teve uma convulsão dentro de água, em que houve a colaboração de uns banhistas praticantes de natação de competição que o detectaram e deram o alerta aos nadadores salvadores.
Após esse alerta os nadadores salvadores intervieram no resgate, perceberam que a vítima estava em paragem cardio respiratória e foram feitas manobras de suporte básico de vida no local, não sendo necessário aplicar o Desfibrilador Automático Externo que se encontrava na praia”, recorda Marco Medeiros, salientando que este homem foi depois “rapidamente colocado na maca e na moto 4, urgentemente dirigido ao parque de estacionamento para aguardar a chegada da viatura SIV da Ribeira Grande e de uma ambulância”.
Apesar dos atrasos nos concursos públicos, o coordenador da associação em causa refere que as novas medidas de contenção do novo coronavírus aplicadas às praias foram facilmente implementadas, “porque a nós só nos coube a parte do aumento do distanciamento do posto de praia que de 100 metros passou a ser vigiada a 150 metros por cada posto e continuámos a desempenhar as funções de nadadores salvadores”, diz.
Durante o mês de Junho e Julho, essencialmente, garante que “houve efectivamente o distanciamento social” nas praias vigiadas por esta associação de nadadores salvadores, mas que “após serem restabelecidas as ligações aéreas e, infelizmente, devido a algumas manchas que foram aparecendo na costa sul, fazendo com que as praias fossem fechadas à prática de banhos, a costa norte e a praia da Ribeira Quente foi invadida por banhistas, o que fez com que o distanciamento não fosse aplicado”.
Isto é, estas condicionantes fizeram com que – no entender de Marco Medeiros – existisse um “grande ajuntamento de banhistas”, turistas e locais, que ao procurarem outros locais para tomar banho de mar acabaram por optar pela costa norte ou pelo concelho da Povoação.
Porém, salienta que o cumprimento do distanciamento social não deve ser fiscalizado pelos nadadores salvadores, “cabendo aos banhistas respeitarem ou não essas regras, e cabendo a função de chamar a atenção das pessoas à Autoridade Marítima”, refere.
Também na costa norte da ilha de são Miguel e na Praia da Ribeira Quente houve um reforço de nadadores salvadores com o intuito de reforçar a segurança em toda a extensão da praia, salientando que aos fins-de-semana a Praia da Ribeira Quente conta com quatro nadadores salvadores durante o mês de Agosto, enquanto a Praia de Santa Bárbara conta actualmente com oito nadadores salvadores para 1,2km de areal.
Quanto à forma de lidar com a Covid-19 durante os salvamentos, Marco Medeiros salienta que estes são já procedimentos interiorizados pela equipa que coordena, e que dispõe no concelho da Ribeira Grande de uma sala de isolamento para troca de vestuário, banho e desinfecção de todo o equipamento, bem como de malas de primeiros socorros com um kit de intervenção destinado aos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus.
Dentro de água, diz, a equipa reforçou o equipamento individual na recolha do náufrago, “na qual o nadador salvador faz o salvamento com máscara e tubo de caça submarina ou de mergulho, para proteger a visão e a parte respiratória” sendo que, em terra, o nadador salvador faz a sua intervenção de bata, máscara, luvas e óculos, diz.