A nível nacional, o número de inscritos nos centros de emprego aumentou na generalidade das regiões, apontam os dados ontem publicados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional. No entanto, no caso dos Açores, esse número diminuiu 1,4%, sendo este o mais baixo a nível nacional.
Assim, em Julho deste ano os Açores contam com um total de 6 mil 957 situações de desemprego, o que de acordo com esta fonte, resulta em 1,7% do número total de desempregados registados do país (407 mil 302 pessoas registadas e sem emprego).
Quando em comparação com o passado mês de Julho, no mês de Junho existiam apenas mais seis pessoas desempregadas registadas (6.963 pessoas) na Região Autónoma dos Açores, enquanto em Julho de 2019 existiam mais 101 pessoas desempregadas nos Açores (7.058 pessoas), número este que no ano passado correspondia a 2,4% do total de desempregados registados a nível nacional.
Em Junho deste ano existiam menos 21 inscritos, nos centros de emprego da Região, uma vez que no mês de Julho foram contabilizados 1.043 inscritos, enquanto no mês de Junho estavam ali inscritos 1.022 pessoas desempregadas. Quanto ao período homólogo, em Julho de 2019 os inscritos contabilizados eram 937, havendo no espaço de um ano uma diferença de mais 106 inscritos.
No que diz respeito às ofertas de emprego por regiões, em Julho de 2020 foram registadas 21 ofertas de emprego, o que corresponde a 0,2% do número total de ofertas a nível nacional, o número mais baixo de todas as regiões portuguesas, sendo que este número representa um total de 12 mil 705 ofertas.
Número de inscritos estará associado à crise,
diz Mário Fortuna
No entender de Mário Fortuna, a existência de 21 novos inscritos nos centros de emprego da Região no espaço de um mês “é um valor reduzido e que pode estar associado à crise”, e que ocorrerá também devido ao facto de “estarem ainda em vigor uma série de programas de emprego”.
Para o economista, este número pode ainda ser o reflexo do confinamento obrigatório, quando as pessoas se viram impossibilitadas de procurarem emprego e, também, desmotivadas para o fazerem numa altura complicada.
“A impossibilidade de as pessoas procurarem emprego foi uma situação concreta e associável ao confinamento obrigatório. Nos inquéritos desenvolvidos, quando a pergunta é feita é evidente que as pessoas dizem que não procuraram embora estejam desempregadas e não se importassem de ter emprego”, diz, salientando que não existirão reflexos positivos caso as pessoas “continuem a não participar no mercado de trabalho pela via do desencorajamento ou pela impossibilidade de procurarem emprego”.
Neste sentido, e tendo em conta o evoluir da situação, Mário Fortuna refere que “a expectativa é que à medida que as pessoas se forem desconfinando haja alguma retoma da situação normal em que haja mais gente à procura de emprego e mais desempregados, no sentido estrito da palavra”.
Isto porque acredita também que a situação actual do emprego esteja ainda “um pouco controlada por via dos lay-off que vigoraram até ao final de Julho e que – embora de uma forma diferente – continuam a ter efeito durante Agosto e Setembro”, sendo por isso que estes mais recentes dados a nível regional reflectem “o efeito da terapia que foi aplicada para controlar o potencial surto de desemprego com a paragem completa de uma série de sectores”.
Apesar de estes serem dados que contrariam, de certa forma, a tendência a nível nacional no território continental, tendo em conta que o aumento homólogo mais pronunciado no que diz respeito ao número de desempregados registados se deu no Algarve, com um aumento de 216,1%, o economista refere que “as tendências serão mais ou menos as mesmas”.
Isto é, “tendencialmente podemos num mês não estar alinhados com o que acontece a nível nacional, mas acabamos por nos alinhar com o resto do país porque estamos a ser apoiados pelo mesmo tipo de políticas com incentivos aplicados às mesmas áreas no essencial. Pode haver algum desfasamento entre o que se passa nos Açores e o que se passa no resto do país, mas a tendência é para nos aproximarmos do que se passa no país”, refere.
Contudo, para Mário Fortuna é certo “que muita gente desapareceu do mercado de trabalho”, referindo-se aos casos de pessoas que mesmo estando desempregadas não estão activamente à procura de emprego.
Em contrapartida, será a área da saúde que está neste momento a absorver mais funcionários e mais empregos, refere, uma vez que estes se encontram a contratar, mesmo que a termo certo, para reforçar as equipas existentes.