23 de agosto de 2020

Dos Ginetes

Cristina Ghielmetti

     Há poucos anos ainda eram as redes sociais consideradas por alguns “puritanos” um caminho vocacionado para invasão à vida pessoal das famílias. Verdade que é necessário sempre manter algum cuidado pois nas mesmas se disfarça ainda gente com falsos perfis que no mais completo anonimato é capaz de opinar, sobre tudo e sobre todos, com verdades e com mentiras.
Na realidade qualquer um de nós pode ser vítima da astúcia dessa gente, mas na grande maioria, creio eu, podemos também descobrir gente boa, gente séria, amigos que não são apenas virtuais mas que são mesmo amigos verdadeiros originários de qualquer país que compõe este mundo complicado mas onde existe muitos lugares onde ainda é bom viver, e nós apesar de todas as dificuldades fazemos parte do que alguns apelidam de “paraíso na terra”.
     Hoje quero dedicar a minha crónica a uma senhora que conheci apenas visualmente e por breves instantes em 2015, mas que me despertou a curiosidade nestes últimos meses pelos bonitos comentários que faz aos meus artigos de opinião que na generalidade partilho na minha página do facebook. Sem qualquer problema fá-lo mesmo na sua língua materna, o Italiano, pois compreende perfeitamente português mas tem a natural dificuldade em escrever na nossa língua. 
No início da semana que agora terminou tive a honra de melhor conhecer a senhora Cristina Ghielmetti e o seu companheiro, o senhor Cesare, aparentemente mais reservado mas que à medida que um diálogo se estabelece descobrimos igualmente uma grande simpatia muito própria das gentes de Itália.
Sobretudo para os amigos da minha terra dos Ginetes que melhor conhecem esta família a senhora Cristina é a mãe da simpática “Chiara” que com o seu marido “Giorgio” são os proprietários da Pizzaria “O Sole Mio”.
 Chegou à vizinha freguesia de Candelária por altura do Natal 2015 onde reside perto da Ermida do Socorro, mas dois anos depois adquiriu uma antiga moradia que com o seu companheiro transformaram num magnífico espaço para aí viver respirando ar puro e sem poluição, envolta num silêncio por vezes apenas interrompido pelo cantar dos pássaros só possível nestes locais pequenos onde a natureza ainda intacta nos entrega o que possui de melhor.
Dizia-me que tal moradia a considera sua “casa de coração”, com um entusiasmo bem visível demonstrado através de um diálogo “recheado de português à mistura com Italiano”,e o brilhar sincero nos seus olhas e movimento dos seus membros muito próprios desse povo por natureza alegre, que canta, ri e até anima multidões nos mais variados espectáculos musicais e desportivos como tive ocasião de assistir pessoalmente quando estabeleci residência num outro país onde a Comunidade Italiana há mais de um século está presente e sempre muito activa. Diz-se apaixonada pela nossa Ilha, ela que nasceu no Norte de Itália numa aldeia chamada “Erba” que pertence ao Concelho de “Côme”.
No início esteve 1 ano a dar apoio à sua filha e ao seu genro na cozinha da pizzaria aqui nos Ginetes, ela que já foi proprietária de um restaurante em Itália onde servia mais de 100 refeições diárias.
Sente algumas vezes o coração dividido pela saudade pois tem outra filha casada a viver em Itália e mais 2 netos. Gostaria que viessem também para os Açores mas reconhece as dificuldades que iriam encontrar devido às profissões que exercem pois não seria fácil exercê-las num local tão pequeno como o nosso. Quando a saudade se faz mais sentir lá vai passar algum tempo com a filha, o genro e os dois netos. Igualmente por cá tem mais dois rebentos que muito bem se adaptaram à nossa terra e que diariamente também os tem ao seu cuidado. É o apoio mais importante que pode dar os avós aos seus filhos, zelando pelo bem-estar dos netos.
É capaz de falar nos problemas que envolvem a política do nosso país como se aqui sempre tivesse vivido, e um dos grandes desejos que alimenta é possuir a nacionalidade portuguesa quando o tempo de residência legalmente o permitir. Fala do Presidente Marcelo, do Primeiro-Ministro António Costa ou do Presidente Vasco Cordeiro e de suas decisões com um conhecimento que me surpreendeu.
Por vezes a tentação é grande de comparar os dois países mas a determinação com que defende as suas ideias colocam-nos curiosamente bem perto das suas preferências. Poderei dizer que são uma família de Italianos apaixonados pelos Açores.
A senhora Cristina é uma excelente embaixadora destas Ilhas que procura promover sempre que possível junto dos seus amigos. Mantém continuamente contactos com os que vivem longe pois com as novas tecnologias tudo é mais simples e fácil. Espero que continue a sentir-se bem e orgulhosa, como tão bem o manifesta, por viver nos Açores. Foi um prazer conhecê-la pessoalmente tal como ao companheiro o “Sr. Cesare”. É bom contactar com esta gente que escolheu viver connosco. Temos por cá outras comunidades de nacionalidades diferentes que devem merecer igualmente todo o nosso carinho e atenção. Uns mais participativos que outros, mas todos merecem o maior respeito e consideração.
Obrigado Cristina por fazer parte da nossa gente. Continue a ser exactamente a pessoa que é pois necessitamos dessa energia que tão bem nos transmite neste tempo difícil para todos mas que sem dúvida vamos bem ultrapassar.
Que continue alegre e feliz entre nós.

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Categorias: Opinião

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