23 de agosto de 2020

Recados com Amor

Meus queridos! Esta semana, resolvi ir com a minha prima Jardelina, à baixa de Ponta Delgada à procura de umas linhas para completar um bordado numa toalha de mesa que comecei a fazer para passar matar o tempo do confinamento… Como não podia deixar de ser, passei pelo largo da Matriz que já tem alguma animação, com pessoas na rua e nas lojas, o que é bom sinal nos tristes tempos que correm e me deixou com esperança para futuro…. Como é meu hábito, olhei para o relógio-sentinela cá do burgo, implantado na majestosa torre e seu “açucareiro” que, juntamente com as Portas da Cidade, faz o ex-libris da velha urbe, como é costume dizer-se. Mas o importante é que ao olhar para o relógio, vi que lá em cima estavam umas pessoas a medir e a estudar a pedra que circunda a torre e que como tenho dito repetidas vezes está muito desgastada e em risco de cair… Por isso fiquei muito contente ao ver que finalmente a Câmara, a quem pertence aquela torre e relógio, está a pôr mãos-à-obra para tratar da segurança daquela estrutura que ameaça perigo há muitos anos e cujas obras têm vindo a ser adiadas, de vereação em vereação. O que se espera é que agora seja mesmo de vez, antes que aconteça alguma desgraça… Não sendo especialista em estruturas, atrevo-me a dizer que se calhar não será nenhuma tolice assinalar o espaço circundante chamando a atenção para o perigo de queda de algumas pedras…. para evitar  o provérbio que diz: Depois de casa roubada trancas à porta… Mas desta vez, tenho a certeza que a minha querida presidente Maria José Duarte e sua equipa não deixarão de prover a tão urgente obra que até não precisa de nenhuma licença porque a Câmara não pede licença a si mesma…


Ricos! E já que estou a falar da Matriz de Ponta Delgada, muito contente fiquei quando soube que o Governo Regional já avançou com o dinheiro necessário para a pintura de toda a igreja Matriz que, como se sabe é monumento classificado e estava há anos a precisar de “lavar a cara”, pela dignidade que merece e porque é dos lugares mais fotografados da capital micaelense. Assim sendo, teremos agora por junto as esperadas obras na torre e a pintura da igreja, a mostrar que afinal ainda há quem olhe pelo nosso património. Prometo uma vela a São Sebastião quando olhar para o relógio e souber que ele já não corre risco de descer do céu à terra… sem apelo nem agravo!


Meus queridos! Fiquei para Deus me levar quando ouvi, com estes que a terra há-de comer, o Primeiro-ministro Costa dizer que é fácil os médicos estarem nos seus consultórios a ditar palpites sobre o que está bem e o que está mal nos lares com a crise covidiana e os velhinhos e velhinhas a morrerem sem terem pedido passaporte para passar para o outro mundo. O rico ainda há dias elogiava o pessoal de saúde, mas na hora das verdades manda-os calar, porque sabe bem que nos lares, tal como nos hospitais, mais não se faz porque falta mais meios… e só ele e o seu Governo é que determina o valor das comparticipações a pagar aos lares… comparticipações que não chegam para pagar meia missa… assim como nos Serviços de Saúde, a contratação de meios humanos e a apetrechamento de equipamentos capazes para responder às necessidades… Por isso fico furiosa quando vejo os governantes tornarem-se em cata-ventos… dizendo agora uma coisa e logo o seu contrário… descredibilizando a política que já anda pelas ruas da amargura…  


Ricos! Mas isso tanto acontece no rectângulo como por cá também. Agora só se fala no que aconteceu no Alentejo no Lar de Reguengos, e como a memória é curta já se esqueceu o que se passou no Lar do Nordeste, que teve o rastilho no Hospital do Divino… Até agora não se soube de qualquer inquérito para apurar a verdade dos factos apesar das mortes que ali aconteceram… e tudo fico abençoado com a visita do Presidente Marcelo ao Nordeste para deitar o Bálsamo que parece ter sido suficiente para encerrar o sarcófago do sofrimento que ali se viveu… Já não posso ver tanta influência política nas decisões da Saúde e de tanta intromissão da saúde nas questões da política…. Por isso é que estamos nessa bagunçada de há toiros, não há toiros; há rali - não há rali; fecha - abre bares e cafés, porque andam a misturar votos com saúde e saúde com votos… O “adorado” Tiaguim deve andar sem saber se é candidato, Director ou Autoridade de Saúde. Eu já não sei e também já não sei onde anda o clube de fãs do Tiaguim… É caso para dizer que se repete o principio segundo o qual de repente uma pessoa passa de “bestial a besta”…


Ricos! A minha prima Maria dos Flamengos estava ansiosa por vir uns dias a São Miguel para dar um passeio e trazer o seu popó para se deliciar com as suas sobrinhas a percorrer os recantos da ilha-verde, como ela gosta de dizer. Mas este ano, com a decisão de não haver barcos gregos no Verão açoriano, São Miguel e Santa Maria estão privadas da possibilidade de transporte marítimo de pessoas e viaturas, entre si e com o resto da Região, ou seja sair de São Miguel e Santa Maria, só mesmo por avião que não leva popós nem carga. É caso para dizer que São Miguel e Santa Maria, ficaram confinados por via marítima… e lá aceitaram a decisão sem tugir nem mugir…. Deus nos livres se tal tivesse acontecesse com a Terceira que logo haveria uma berraria vociferando impropérios contra o “domínio dos micaelenses”… Bem bom que por cá não sofremos de tão nefando sindroma… Mas, voltando aos transportes marítimos, lá para os lados das Flores e Corvo também a coisa é parecida, mas pelo menos para o Grupo Ocidental existe barco para transporte de pessoas... Ou seja, transportes marítimos a sério, para toda a Região, foi sonho de papel que já se afundou… Mas não morro sem ainda ver uma ligação como deve ser entre São Miguel e Santa Maria que poderia conhecer outro desenvolvimento se houvesse um verdadeiro mercado interno a funcionar…


Ricos! Neste último número da Revista Visão há uma entrevista que merece ser lida e que põe frente a frente duas figuras eminentes da Cultura e da Filosofia das ilhas Atlânticas. Dos Açores, o pico-pedrense Onésimo Almeida, como entrevistador do madeirense, Cardeal Totentino Mendonça, um dos mais talentosos pensadores portugueses da actualidade, com uma capacidade de diálogo e carregada dose de humanismo que torna aliciante o que diz e escreve. Sem querer fazer publicidade à revista, pelos temas tratados na longa entrevista, pela argúcia das questões levantadas por Onésimo Almeida e pelas citações que faz do novo livro do Cardeal-poeta “O que é Amar um País”, e pelas respostas incisivas e discursivas de D. Tolentino, até seria bom que o jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, ou outro, conseguisse autorização para republicar a entrevista… Merece.


Ricos! O que mais deu que falar esta semana, pelo menos aqui para os lados da Ilha do Arcanjo foi a discussão sobre caca de gaivota ou sobre outras cacas que deram cabo do Verão no Ilhéu da Vila. Até a minha prima Maria da Vila já anda triste a pensar que se calhar este ano não vai poder ir lá fazer o enterro dos ossos na Terça-feira do Senhor da Pedra que se avizinha e começa já esta semana, sem festas de exterior que estas estão limitadas ao Avante e pouco mais… Mas agora mais do que guerra de saber se será de gente ou de gaivota, o que interessa é saber onde está o mal e tentar corrigir, mais do que discutir. E uma coisa é certa: tudo na natureza requer equilíbrio e neste momento as gaivotas são já uma praga assustadora em muitos lugares. A minha sobrinha-neta que costuma passar uns dias lá para os lados do Faial da Terra diz que na ribeira, são tantas que até quase já desapareceram os patos que por lá andavam… as gaivotas comem as crias todas e já há quem tenha recolhido patinhos recém-descascados para os criar em casa e depois devolvê-los à ribeira quando já não correrem risco de serem comidos por elas… É que com tanto cuidado com a natureza vamos ser “comidos” pelas pragas de melros-negros, pardais, rolas, pombas e gaivotas que tudo devoram… e mais os lagartos que já não se pode matar. Livra!


Ricos! Quando vi no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio o omnipresente Secretário Ponte dizer que nestes últimos anos mais de 8500 agricultores tiraram curso de usar sulfatos e pesticidas, lembrei-me logo de quem tem um pé de vinha numa latada ou uma figueira atrás no quintal, ou ainda um canteiro de couves e uns tomateiros, se deverá também ir tirar o dito curso, porque ou se deixa tudo por conta das pragas, ou há que viver de favores pedindo a quem tem cartão para comprar o que não se pode vender, nem que seja uma carteirinha de sulfato… Até nisto há fruto proibido… TENHAM DÓ!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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