Cristina Calisto, Presidente da Câmara Municipal da Lagoa

“O sector do turismo na Caloura tem espaço de crescimento seja na sua progressiva qualidade ou no potencial de diversidade”

A Caloura, em Água de Pau, sempre foi uma zona turística por natureza. Com um micro-clima, um porto que complementa uma paisagem paradisíaca, e oferta gastronómica, a Caloura sempre procura tanto por locais como por turistas, e também cedo começou a despertar para o potencial turístico. Com vários alojamentos locais e unidades hoteleiras, há agora a possibilidade de se alargar a oferta de camas naquele local. Há um novo empreendimento, que se posiciona no segmento dos hotéis de 4 estrelas que terá capacidade para 18 quartos, e que está já em construção. 
Mas há outras duas unidades hoteleiras, que juntas terão capacidade para perto de 200 camas, e cuja autorização para as operações urbanísticas já foram autorizadas pelo Conselho de Governo, reunido em Março deste ano. Uma autorização obrigatória já que, devido à suspensão parcial do Plano de Ordenamento Turístico dos Açores, é necessária autorização governamental quando os empreendimentos turísticos impliquem aumentar a oferta turística em mais de 75 camas. É o que acontece neste caso. 
O Conselho de Governo explica que esta autorização, que caduca caso a obra não se inicie no prazo de um ano, diz respeito a dois empreendimentos de apartamentos turísticos de 4 estrelas, nomeadamente o empreendimento “Ann’s Vineyards”, com capacidade para 102 camas, e o empreendimento “Caloura Heights”, com capacidade para 85 camas.
Mas na Câmara Municipal da Lagoa ainda não deu entrada qualquer processo de licenciamento para estas duas unidades hoteleiras. A Presidente, Cristina Calisto, confirma apenas “um processo licenciado de uma unidade hoteleira nova, já em plena construção, que albergará 18 quartos e que se posicionará na gama dos hotéis de 4 estrelas. Não temos, actualmente, na Câmara Municipal de Lagoa qualquer outro processo de licenciamento de unidades hoteleiras para a Caloura”. 
Apesar de apenas poder falar “de projectos objectivos e concretos” que tenham chegado à autarquia, Cristina Calisto tem conhecimento das operações urbanísticas autorizadas pelo executivo, em Conselho de Governo reunido a 3 de Março deste ano. “Sabemos que o Conselho do Governo, reunido a 3 de Março de 2020, em Santa Maria, autorizou as operações urbanísticas que a sociedade “Ann´s Paradise” se propõe a realizar na vila de Água de Pau, sendo uma na Caloura e outra no Valongo (entrada poente de Água de Pau). Contudo, ainda nenhum destes projectos deu entrada na Câmara Municipal, sendo certo que esta autorização do Conselho de Governo não dispensa o cumprimento das obrigações legais e dos instrumentos de gestão territoriais aplicáveis”, garante.
E, reforça a autarca, “qualquer projecto tem que ter em atenção o cumprimento das obrigações legais e dos instrumentos de gestão territoriais e sectoriais, portanto, devem ser obrigatoriamente cumpridos”, quer o Plano de Ordenamento da Orla Costeira quer as normas do Plano Regional de Turismo. Mas Cristina Calisto frisa que, não tendo ainda a autarquia conhecimento destes novos projectos, “é completamente extemporâneo responder” acerca de outras informações sobre os projectos. 

Crescimento do turismo 
na Caloura
Numa zona bastante apelativa para o turismo, a Caloura caracteriza-se pela qualidade nos alojamentos que oferece. E Cristina Calisto destaca isso mesmo, quando se questiona sobre como vê a autarquia este crescimento da oferta turística naquele local do concelho. “O número de camas é um indicador quantitativo objectivo, e que tem estado efectivamente a crescer nos últimos anos, muito fomentado pelo alojamento local. Também na Caloura o alojamento local é uma realidade existente, mas caracterizado pela sua intrínseca qualidade. O paradigma do turismo na Caloura sempre foi marcado pela qualidade diferenciadora e o seu eventual crescimento em “número” não deixará a qualidade de parte”, afirma a autarca.
Estando aquela zona e Água de Pau já habituada a receber turismo, haverá sempre espaço para crescer na oferta já que é “efectivamente uma zona carismática do concelho no que se refere ao turismo”. A Caloura “tem-se adaptado à evolução dos tempos e não é apenas nos últimos anos que o sector do turismo está presente na Caloura. A paisagem, a orla costeira, o micro-clima específico, as dinâmicas sociais, o porto de pescas e o equilíbrio nobre entre quem chega e quem está, têm conferido uma enorme atractividade turística (interna e externa) a todo este território”, evidencia. E espaço para progredir “há sempre em todos os sectores e também no sector do turismo e, obviamente que, o sector do turismo na Caloura tem espaço de crescimento, seja na sua progressiva qualidade ou no potencial de diversidade”, atraindo mais turistas para aquele ex-libris do concelho.

Interdição da Baixa D’Areia 
traz “impacto desfavorável”
Outra das zonasbastante procurada por turistas, até devido à sua proximidade com as unidades hoteleiras existentes na Caloura, é a praia da Baixa D’Areia que desde o ano passado se encontra interdita devido a derrocadas que afectaram a arriba da praia pequena. Toda a zona de acesso pedonal às praias e aos merendários ficou interdita, tendo sido anunciado no início de Agosto pelo Governo Regional que as obras de estabilização da arriba vão avançar em Outubro. A Presidente da Câmara Municipal da Lagoa reconhece que “prevíamos devolver o usufruto desta extraordinária praia na presente época balnear”. No entanto, uma série de eventos “foi protelando o seu início, entre indisponibilidade de recursos técnicos para a realização das avaliações  geotécnicas e geológicas, enquadramentos orçamentais e num ano com as especificidades que teve e que todos sabemos”. Mas uma vez que decorre já o processo concursal para a sua intervenção, cujo valor base da empreitada é de 147.500 euros, há já a certeza da intervenção ainda este ano. 
Não haverá risco de não estarem concluídas as obras a tempo da próxima época balnear? Cristina Calisto assegura que “na próxima época balnear estará, com certeza, concluída. Ainda que executada em pleno Outono, não é uma obra muito extensa no tempo, com prazo de execução previsto de três meses”.
Apesar de haver esta certeza de que no próximo ano já será possível usufruir de toda aquela zona envolvente da praia, o certo é que houve efectivamente “um impacto desfavorável” pelo facto daquela zona balnear estar encerrada desde Maio de 2019. 
“É certo que diminuiu a dinâmica que esta zona costumava possuir, não só pela interdição da praia, mas também pelas condicionantes implícitas das medidas preventivas impostas pela pandemia da doença Covid-19, em particular na zona de merendários”, começa por afirmar Cristina Calisto que explica que aquela intervenção, “na salvaguarda da segurança, não poderia ser adiada ou minimizada”. 
Aliás, aquela intervenção esteve prevista para acontecer no mês de Junho, e por isso mesmo a autarquia cancelou a 3ª edição do Caloura Blues que decorre na zona de merendários da praia da Baixa D’Areia. “Há efectivamente um impacto desfavorável, ainda que limitado no tempo, do usufruto, contemplação e visibilidade deste espaço e por consequência do próprio concelho. No entanto, após a intervenção de estabilização dos taludes, certamente todas as dinâmicas sociais e comunitárias serão rapidamente recuperadas nesta zona edílica”, conclui Cristina Calisto. Carla Dias
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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