Domingo, dia 23 de Agosto, a Paróquia do Senhor Bom Jesus, despediu-se do padre José Cláudio Silva, que durante oito anos e meio serviu na vila de Rabo de Peixe.
A eucaristia, que teve lugar no Largo Pe. António Vieira, vulgo Coreto, na zona central da vila, foi um momento de homenagem a todos os que da Comunidade da Obra de Maria estiveram durante 11 anos ao serviço da Diocese de Angra, e nela concelebraram vários sacerdotes, bem como o ouvidor da Ribeira Grande, padre Vítor Medeiros.
Com a nomeação do padre Francisco Zanon para aquela Paróquia, a Comunidade de vida consagrada à Obra de Maria dá por finda a sua missão nos Açores. O padre José Cláudio Silva durante o tempo que esteve em Rabo de Peixe, conduziu de forma extraordinária os propósitos católicos da população daquela Vvla, onde residem cerca de dez mil almas, fazendo com que todo o seu esforço tenha sido apreciado e acarinhado pela população.
Apesar da pandemia em que vivemos, aquela celebração eucarística, respeitando as regras sanitárias, foi muito participada e constituiu um momento alto ao congregar a população à volta da figura simpática e humilde do seu pároco, que deixa um legado espiritual muito difícil de igualar.
A solene cerimónia religiosa foi preparada com todas as cautelas, tendo em vista o cumprimento de todas as normas emanadas pela Autoridade de Saúde, e onde a população de Rabo de Peixe deu um claro exemplo de civismo e cidadania activa no desenrolar de toda concelebração.
Aquele sacerdote da Obra de Maria primeiro esteve durante dois anos e meio na Paróquia do Bom Jesus a coadjuvar o vigário paroquial, passando depois a pároco in solidum com padre Duarte Moniz, servindo as paróquias das Calhetas e do Pico da Pedra.
Em 23 de Agosto de 2014 recebeu a provisão de pároco da Paróquia do Senhor Bom Jesus.
O padre José Cláudio, em entrevista recente ao Correio dos Açores ,disse “oito anos e meio foram suficientes para marcar imensamente a minha vida e, como estrangeiros, aprendemos a valorizar de uma forma muito intensa a aceitação das pessoas. Longe da pátria, dos familiares, dos amigos e conhecidos é de encher o coração de gratidão o acolhimento e apoio que tivemos nestes anos todos.”
Por outro lado, enfatizou que a vila de Rabo de Peixe é rica e cheia de gente boa, referindo-se de forma muito carinhosa às suas vivências das romarias, tanto masculinas, quanto femininas. Resumiu um pouco do muito que foi concretizado na Paróquia, desde os «Encontros com Deus na Rua» no Verão; as “24 horas para Deus”; os trilhos com jovens e adultos por esta maravilhosa ilha; as visitas às famílias e aos idosos; as visitas às escolas que muito confortavam o coração de amor, a alegria e o acolhimento das crianças; os momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento na Igreja e nas Ermidas, os terços e o Grupo de Oração, os retiros, as festas, procissões e cortejos, as despensas com seus animados bailinhos das castanholas – que muito gosta. Enfim, tanta gente boa, que levamos connosco no coração”.
Para o padre José Cláudio, foi também uma honra e uma graça ser o Capelão do Mosteiro das Irmãs Clarissas nas Calhetas, considerando que foi um presente de Deus conhecer e viver nesta belíssima ilha e uma imensa honra e alegria servir ao Senhor Bom Jesus em Sua Paróquia.
No final da eucaristia foram ofertadas algumas lembranças dos movimentos paroquiais e de alguns paroquianos, bem como da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, que se quis associar ao momento, sendo de destacar a oferta de uma coroa do Divino Espírito Santo, um dos símbolos maiores da identidade açoriana, tão peculiar das tradições de cada habitante destas ilhas e como recordação dos oito anos e meio que aquele sacerdote serviu uma das maiores Paróquias da Diocese de Angra.
O Largo Pe. António Vieira engalanou-se e foi primorosamente ornamentado com um altar dedicado ao Senhor Bom Jesus, que corresponde também ao cenário insondável e misterioso que inspirou a criação da Obra de Maria.
Inúmeras vozes dos quatro grupos corais existentes na Paróquia constituíram um grandioso coral, regido por José Carlos Pimentel e que ajudou com os seus belos cânticos a enlevar a majestosa cerimónia litúrgica, que foi transmitida directamente pelas redes sociais e acompanhada por centenas de emigrantes que quiseram acompanhar aquele momento de despedida do pároco do Senhor Bom Jesus.
António Pedro Costa, em nome do Conselho Pastoral, disse na sua alocução que “se qualquer partida provoca tristeza, neste caso, fica a alegria de que o padre José Cláudio tudo fez para semear concórdia entre o nosso povo que inspiradamente soube guiar, espalhando, de forma tranquila, paz e serenidade por toda a ila, com a sua palavra e postura cândida e amiga, plantando amizades por onde passava e que irão perdurar para além da sua partida.
O seu múnus sacerdotal foi um autêntico testemunho que cativou pela sua simplicidade e dom da palavra. O seu sorriso e a sua postura sábia e carinhosa mostra bem como ele é um verdadeiro homem de Deus que habitou entre nós, onde destacou a sua dedicação, a atenção, a meditação, bem como o cuidado e o carinho dispensados por aquele sacerdote a toda a comunidade de Rabo de Peixe, tanto crentes e não crentes, durante estes anos que esteve nesta ilha.
Natural do estado brasileiro do Paraíba, o padre José Cláudio veio para os Açores e na altura em que foi nomeado nem sabia onde ficava o arquipélago. Mas, como a missão era esta, aceitou-a porque era a vontade de Deus e veio. Na bagagem trouxe apenas uma enorme disponibilidade para escutar, aprender e conhecer.
A comunidade Obra de Maria nasceu no Brasil pela mão de Gilberto Gomes Barbosa, há 30 anos, que veio para os Açores a convite de D. António de Sousa Braga. Uma das marcas da sua presença é a forma celebrativa, profundamente inspirada nos movimentos carismáticos, com que os seus missionários levam o Evangelho onde quer que haja pessoas.
APC