No Pico da Pedra e em Santa Bárbara filarmónicas passam por dificuldades mas mantêm optimismo para o futuro

Filarmónica Aliança dos Prazeres
Fundada a 16 de Agosto de 1958, a Banda Filarmónica Aliança dos Prazeres nasceu da fusão de outra duas bandas; a Lira dos Prazeres e a União dos Prazeres. Desde então, a Banda que “tem sido uma marca importante da freguesia”, segundo palavras da sua Presidente, Diana Alves, já fez, para além dos serviços na ilha de São de Miguel, deslocações ao exterior, nomeadamente ao continente português e aos Estados Unidos da América. Nos anos 90 procedeu à gravação de um LP e mais tarde, já em 2009, gravou um CD.
“Crescida no meio desta realidade”, Diana Alves, Presidente da Aliança dos Prazeres desde 2017, desempenha há já vários anos cargos de Direcção na banda que tem na juventude o grosso dos elementos que a compõem
“Actualmente temos entre 48 a 50 elementos, contando com portas bandeiras e os respectivos músicos. Uma banda maioritariamente jovem em que as faixas etárias são compreendidas mais ou menos entre os 12 e o senhor mais antigo da banda que tem 70 ou 75 anos”, explica.
A Presidente da Aliança dos Prazeres confessa que fruto da pandemia de Covid-19, a escola de música deixou de aceitar inscrições: “A nossa escola de música conta com cerca de 4 elementos que já estão com o instrumento embora com a pandemia tive de fechar as inscrições. Ainda tivemos 2 ou 3 que se inscreveram mas ainda não levamos em frente uma vez que estamos perante estes tempos difíceis”, justifica.
E esses “tempos difíceis” são na realidade o principal motivo porque os últimos meses “nem sempre tenham sido os melhores”, realça, explicando a principal razão que levou à retoma dos ensaios.
“Antes fazíamos dois ensaios por semana e como havia necessidade de preparação para concertos, chegávamos por vezes a fazer três. Actualmente retomamos pela necessidade que sentimos para não existirem desistências de músicos. Nos temos uma banda muita unida, muito capacitada e não queríamos que aquele ‘bichinho’ se fosse desmoronando”, esclarece.
Fazendo agora esses ensaios por naipes, dividindo os músicos em grupos separados e mais pequenos, revela que, mesmo durante o período de confinamento, a filarmónica não se ‘deixou adormecer’ e levou a cabo algumas iniciativas.
“Enquanto estivemos em casa e com a inovação do nosso maestro tínhamos sempre o cuidado de fazer alguma gravação e nomeadamente, um grande foco da nossa filarmónica que foi lançado nas redes sociais e também na Televisão, que foi a gravação do hino de Santo Cristo”. 
Diana Alves evidencia a honra e o privilégio que todos os membros da filarmónica sentiram quando executaram este projecto.
“Para nós foi sempre uma grande honra participar naquelas Festas. Para toda a filarmónica é sempre um orgulho e nós em casa, cada músico, com trabalho árduo do maestro que preparou todas as partes musicais, entoamos cada um o hino em nossa casa de forma a ser efectuada uma gravação total. Apresentamos essa homenagem ao Senhor Santo Cristo dos Milagres e, na impossibilidade de estarmos presentes perante ele, quisemos marcar presença desta forma”, afirma.
A Presidente da Filarmónica Aliança dos Prazeres revela também os efeitos que a paragem obrigatória em consequência da pandemia trouxe no adiamento de alguns dos projectos que esta banda do Pico da Pedra tinha perspectivado para este ano.
“Eram muitos os projectos que nós tínhamos com a nossa filarmónica, nomeadamente um projeto de uma sede entre mãos. Tínhamos também a nossa escola de música para dar continuidade. Estávamos igualmente a tratar de todas as diligências e era de grande necessidade um fardamento para a nossa filarmónica e tudo isso ficou pelo caminho devido à pandemia”, explica antes de realçar que estes são “tempos muito difíceis e a filarmónica encontra-se, no fundo, encerrada embora estejamos sempre a fazer um pequeno trabalho para que não se deixe que a filarmónica ‘vá ao fundo’ e continue sempre a existir. Não é fácil para nós pensarmos num projecto sólido daqui para a frente e nos próximos tempos em que não sabemos o futuro que se avizinha”.
Apesar disso, Diana Alves não ‘baixa os braços’ e revela que planos têm a Aliança dos Prazeres para um futuro próximo.
“O que temos agora em vista e inclusive já nos oferecemos para isso é a nossa homenagem à padroeira da freguesia, a festa de Nossa Senhora dos Prazeres, que será no próximo mês de Setembro”, adianta.
A Presidente da filarmónica sedeada no Pico da Pedra explica que sem serviços, festas e procissões é difícil manter o ânimo dos músicos em alta apesar de confessar estar bastante satisfeita com a adesão que se tem registado nos ensaios desde a retoma da actividade que se tem vindo a realizar na Casa do Povo da freguesia.
“Admito que surpreende-me, enquanto dirigente, pensava que seria pior, menor, a comparência nos ensaios. Para nós é sempre motivo de orgulho ver a sala, mesmo por naipes, cheia. Isso é sinal que não desistiram e que nem a pandemia os faz parar. O ânimo não é o mesmo uma vez que não existe o trabalho para o objectivo de virmos a ter saída no dia x”, realça.  
Sobre a situação financeira porque atravessa a sua instituição, revela a importância dos apoios recebidos pela autarquia da Ribeira Grande e da Junta de Freguesia do Pico da Pedra e esclarece que as contas vão-se mantendo equilibradas.
“Estão mais ou menos equilibradas tentando sempre pensar que melhores tempos virão e que nós vamos passar isto. O apoio veio até ao final do ano mas não sabemos se depois continuará. Só mesmo com os serviços é que uma filarmónica sobrevive”, diz antes de dar conta que da parte, da Direcção Regional da Cultura os apoios às bandas deveriam ser de outra monta.
“Se calhar deveríamos ser mais apoiados ao nível da Direcção Regional da Cultura. Isso é uma situação que já fizemos chegar a quem de direito e agora é aguardar e tentar levar a bom porto estas instituições que nós dirigimos”, afirma.
Olhando para o futuro, Diana Alves, prefere que seja o optimismo a reinar sobre uma visão negativa perante os tempos que se avizinham: “Nós temos que estar optimistas e tentar passar esse optimismo ao grupo que dirigimos. Admito que não é fácil e tentamos ver uma solução de um lado ou de outro, mas acima de tudo temos de estar optimistas e posso-lhe dizer que essa visão prevalece mais do que o pessimismo. Acreditamos que melhores tempos virão”, acrescenta.

Filarmónica de Nossa Senhora 
das Vitórias

Na freguesia de Santa Bárbara, nocConcelho da Ribeira Grande, está instalada uma das 

bandas mais jovens da ilha de São Miguel e que no próximo dia 31 de Agosto, completará apenas 34 anos de idade. Apesar da tenra idade, a Sociedade Recreativa Filarmónica Nossa Senhora das Vitórias conta já com um vasto registo de actuações ‘fora de portas’, destacando-se viagens ao continente português a locais como Sesimbra, Montijo ou Vila Real de Santo António. Também no estrangeiro e mais propriamente Canadá e Estados Unidos da América já tiveram a oportunidade de assistir a actuações desta Banda Filarmónica de Santa Bárbara.
Sobre a história da filarmónica propriamente dita, José Luís Praticante, Presidente da instituição contou-nos um pouco da criação desta banda.
“Foram pessoas que se juntaram um pouco na brincadeira e decidiram criar uma escola de música, neste caso o meu sogro foi o maestro fundador da banda, o senhor Leonardo Cimbron e ele juntou-se mais uns amigos e abriram uma escola”, explica antes de afirmar que a Escola de Música se tem constituído desde sempre como o pilar da Filarmónica.
“Temos uma escola com 10 crianças, mas há sempre um ou outro que falha e que desiste, mas depois nos anos seguinte voltam porque tem lá os seus colegas e amigos. Há sempre um ou outro que embarca e que emigra. Há 2 ou 3 anos tivemos uma razia em que 6 ou 7 foram para o Canadá e outros para o continente estudar. Temos sempre esses problemas mas de ano para ano vamos sempre ‘remendando’. A base dos músicos é sempre esta”, salienta.  
Com uma média de elementos a rondar os 50 músicos, José Luís Praticante destaca o papel importante que a Filarmónica desempenha na freguesia onde está instalada.
“A grande maioria é aqui da freguesia e são raros os jovens da freguesia que não tenham passado pela escola e pela banda. Temos um músico que se mantém desde a sua formação. O maestro de agora é filho do antigo maestro que já faleceu e que faz a continuação da filarmónica. Ele praticamente traz as escolas todas atrás de si e todos passaram pelas suas mãos”, destaca.
Falando sobre a Pandemia de Covid-19, não tem dúvidas em afirmar que “as bandas irão ressentir-se muito disto e não vai ser pouco”. Depois da paragem obrigatória revela que a banda já iniciou os seus ensaios: “Há volta de 2 meses, temos os ensaios por naipes para que não esteja muita gente junta. Temos uma sala de ensaio pequena e para juntar 40 e tal músicos no mesmo local é complicado. Um dia por semana, normalmente à Sexta-feira, juntamo-nos à frente da igreja fazemos um ensaio geral ar ao livre. Foi esta a solução que encontramos”, afirma.
Sobre os planos cancelados devido à pandemia, o responsável máximo da filarmónica revela que uma saída que tinha planeado teve de ser adiada. 
“Tínhamos prevista uma saída este ano ao Canadá ou um intercâmbio com uma banda de Crestuma, perto do Porto, mas ao que parece as coisas não se vão resolver tão cedo”, lamenta.
Também alguns dos investimentos que foram realizados antes do início desta pandemia têm de ser agora assumidos, apesar de José Luís Praticante admitir algumas dificuldades para que se consigam cumprir esses compromissos.
“Fomos obrigados por lei a comprar uma carrinha para transporte das crianças e contraímos uma divida para isso. Este ano contávamos com os serviços pagar a divida mas ficou tudo em saco roto (…) a luzinha vermelha está a bater no fundo porque para podermos estar a pagar a nossa carrinha foi uma ajuda que a nossa Câmara dá todos os anos”, explica adiantando também que para além deste encargo assumido, existem também outros fixos que se vão mantendo: “Só em consertos de instrumentos é uma loucura. Todos os meses gastamos à volta de 400 euros por mês nesses instrumentos”
Questionado sobre o futuro e se teme o desaparecimento da sua banda, o seu Presidente mantêm o optimismo e explica a razão que o leva a ter essa convicção.
“Desaparecer não, mas desmotiva muito as crianças. A nossa filarmónica não paga a ninguém e a Direcção ajuda em tudo o que pode. Está tudo aqui por gosto e não vai ser este vírus que nos vai meter abaixo. Pode-nos levar muita coisa mas não nos vai levar abaixo”, garante José Luís Praticante.    

Luís Lobão

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima