30 de agosto de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! A minha prima Maria da Praia telefonou-me Quinta-feira, pouco depois do telejornal das 20h00, muito preocupada porque não sabia o que tinha acontecido ao meu querido Presidente Vasco Cordeiro quando na RTP/Açores lhe deu “umas brancas”… para responder à pergunta feita pela minha querida jornalista Dulce Bradford sobre o que tinha a dizer quanto à sentença dada pelo Tribunal da Comarca dos Açores, que mandou pôr em liberdade quatro cidadãs alemãs que tinham ficado em quarentena sem saberem ler nem escrever português e sem terem alguém que lhes pudesse traduzir as razões de tamanho pesadelo… Vasco Cordeiro fez pausas e mais pausas… e mais parecia que lhe faltava ar para falar… Maria da Praia diz que não sabe se aquela “misancene” faz parte do marketing político próprio da época que se vive, …apresentando um ar condoído perante tamanha injustiça feita pela justiça… ou se então… a sentença ficou-lhe atravessada na garganta de tal modo, que impedia o fluir do ar … Seja como for, Maria da Praia diz que ficou muito preocupada com a forma e o conteúdo da declaração presidencial de Vasco Cordeiro…. Respondi-lhe que não sou mulher para fazer qualquer juízo de valor sobre tal questão, mas ainda assim adiantei-lhe que pelo que me disse uma sobrinha minha que sabe dessas coisas do Direito, o imbróglio legal quanto às medidas de combate à Covid-19 na Região começa quando as medidas não tomaram forma de lei aprovada pela Assembleia Legislativa, e foram ordenadas tão só por Resolução do Governo e depois acrescentadas por normas circulares feitas pela Autoridade de Saúde que não tem poder para legislar… Além disso, não se pode ter ao mesmo tempo… sol na eira e chuva nas couves… isto é, não se pode querer turistas para animar a economia e depois não ter meios para responder de imediato a quem vindo de fora… ficar depois infectado… Depois das várias sentenças condenatórias, o Governo já teve tempo para alterar e conformar com a legalidade as medidas de confinamento… Não o fazendo, os tribunais vão continuar a fazer o que lhes compete quando foram para tanto chamados…
 

Ricos! Ainda a propósito da “libertação” das quatro alemãs, o advogado comentador da RTP/A Elias Pereira convidado a dizer de sua justiça, falou da necessidade de rever os poderes constitucionais quanto aos direitos liberdades e garantias, porque essa era matéria que se justificou a quando do derrubo do “fascismo” e da transição para a democracia, o que pelos vistos perdeu sentido…. Não sou mulher de me meter nessas discussões sobre princípios constitucionais, mas não posso deixar de dizer que o ilustre causídico confundiu alhos com bugalhos, quando comparou a cerca sanitária de Ovar deliberada pela Câmara Municipal lá do sítio… com a falta de poder da Região para mandar  fechar os aeroportos, medida pedida a Lisboa e que foi rejeitado como se devem lembrar, pelo Primeiro-ministro e pelo Presidente da República… Elias Pereira questionava o poder que teve o município de Ovar para impor a cerca sanitária e fechar o concelho a entradas e saídas…. E o poder que a Região não teve para suspender os voos para os Açores… Apesar das minhas limitações, que eu saiba Ovar não tem aeroporto… e por isso não se pode comparar os poderes exercidos pela Câmara daquele município com os poderes ou falta deles para se encerrar o espaço aéreo nas ilhas… Não me esqueço de ter lido num Editorial no Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, o meu Director escrever que no caso deviam ter sido cancelados todos os serviços de apoio nos aeroportos às aeronaves… o que seria a única forma de obstar à entrada de aviões no período crítico da pandemia… Eu que sou uma leiga, percebo que a pandemia da Covid-19 tanto ataca os Município como a Região que também tem Municípios, mas uma coisa são os poderes dos Municípios e outra são os poderes da Região. Por outro lado, tirando a matéria dos aeroportos, não é preciso esperar por leis da República para resolver as questões da Saúde que são competência da Região…Isso faz-se é na Assembleia Legislativa… E o que disse Elias Pereira acerca da legislação… fez-me lembrar a tirada do deputado do PSD/A António Ventura, quando há tempos na Assembleia da República perguntou à Ministra da Saúde quando tomaria certas medidas relativas à saúde aos Açores… e teve como resposta que essa era matéria que competia à Região…. Pelos visto este é o estado em que estamos, confundindo-se por quem não devia, poderes e deveres entre a República e a Região… Quem nos acode no meio de toda esta “caldeirada”?


Meus queridos! Este mês de Agosto, que amanhã dá o último pio ,foi um mês difícil de suportar pelo calor e pela tensão política. Como diz a minha prima Jardelina, o calor mais do que nos fazer assoprar e colar a roupa ao corpo, afecta a cabeça e deixa-nos nervosos. E na política, este Verão quente está mesmo a mexer com a cabeça de muitos políticos e com os nervos de quem ainda tem coragem de ouvir notícias. Depois de ter ouvido o Primeiro - Costa, mesmo em off record chamar cobardes aos médicos, com todo o rosário de protestos que se seguiram e com os do costume a defenderem o indefensável, foi a vez do meu querido Presidente Marcelo ter perdido a paciência e o charme na inauguração da Feira do Livro, na Invicta. Perante uma cidadã indignada com os auxílios prestados às grandes empresas, esquecendo as pequeninas, Marcelo não teve meias medidas e disse que isto acontecia “porque os portugueses votaram neste Governo”… E ainda adiantou, com todas as letras: “Pergunte aos portugueses porque é que votaram neste Governo”… Depois de ouvir isto e de me ter engasgado com o biscoitinho da Lomba da Maia que estava a comer, pensei logo que essa foi forte, para quem tinha acabado de avisar que não estamos em tempos de gerar uma crise política… E eu, que nunca gostei do Presidente de Boliqueime, pensei logo o que teria acontecido se fosse Cavaco a dizer isto. Mas agora tudo se perdoa, porque uma excepção até confirma a regra das selfies… Os beijinhos estão a fazer muita falta… mas eu digo que o que está a fazer falta é o sentido de Estado que se perdeu neste País…


Ricos! Eu sei que estamos em tempo de férias, mas agora que todos vão começar a regressar ao trabalho pode ser que alguém dê uma voltinha por aí com os olhos de ver. E estou a falar do meu querido Embaixador Catarino, Representante da República nos Açores e que tem como uma das suas obrigações olhar pelo Património do Estado na Região. Os exemplos de edifícios públicos dependentes de Lisboa e que estão cada vez mais degradados são muitos, mas hoje vou só lembrar o miserável estado em que está a Alfândega de Ponta Delgada que já não conhece um pincel e um balde de tinta há muitos anos. No centro de Ponta Delgada e na mui nobre Praceta Vasco da Gama, aquilo é um borrão que é uma vergonha. Não acredito que a Direcção da Alfândega não tenha já feito sentir a necessidade de uma pintura, mas sei que hoje os directores nem têm poder para comprar uma lâmpada sem assinatura de Lisboa. Pode ser que com uma palavra do Solar da Madre de Deus se arranje uns baldes de tinta… para lavar o que anda sujo Há um poderio de tempo! ... 


Meus queridos! A minha prima Maria da Vila telefonou-me toda contente quando leu no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a notícia da Mudança da Imagem do Senhor da Pedra da Misericórdia para a Matriz da Vila, ao meio-dia da Quarta-feira. Foi uma maneira diferente e inesperada de começar a festa e houve o cuidado de nem avisar as pessoas para evitar aglomerados, mas mesmo assim ainda foram muitas as dezenas que se aprontaram para ver a mudança da imagem. A minha prima Maria da Vila ficou triste de não ter sabido a tempo, mas percebe que assim, foi melhor… Ela depois compensou a sua ausência, acompanhando os tríduos de preparação que levaram muita gente à grande Matriz, onde todas as regras são cumpridas e muita gente ficou no adro apenas para ouvir. Um ternurento beijinho para o padre José Borges e seu irmão, padre Paulo Borges, cujos sermões, serenos, mas cheios de vida, encantaram todos os presentes e os milhares de pessoas que seguiram as transmissões pela internet… Hoje lá estarei com a minha prima Maria da Vila, para a Missa da Festa e depois… para um geladinho no Saraiva…


Meus queridos! No grande jornal inglês The Telegraph, foi publicado um grande artigo assinado Mary Lussiana sobre os Açores e a Madeira. Um trabalho de mérito e grande promoção para as duas Regiões Autónomas que a autora chama de ilhas portuguesas... Mas houve logo um site chamado NIT News in Time que embandeira em arco –e bem – com o trabalho, mas não resiste a dizer que são as Ilhas de Portugal... Ainda há um longo caminho para se perceber e entranhar que Açores e Madeira são Regiões Autónomas e merecem ser tratadas assim… Mas para muitas cabecinhas, o complexo colonial ainda não passou. E por isso mesmo cada vez dou mais razão a quem diz que quem quer ser dono de ilhas pague por elas…


Ricos! Quem não se lembra de ouvir o Primeiro-Costa dizer que os jogos da fase final da Champions, que para mim é sempre a Liga dos Campeões, era uma oferta aos médicos e enfermeiros e outro pessoal da Saúde? Quando vi na televisão o jogo da final, andei à procura, no meio de tanta gente engravatada, desde Presidente e Governo, até aos lídimos representantes da bola mundial, para ver se descobria médicos ou enfermeiros… Não vi ninguém. O que quer dizer que em termos de homenagens estamos falados. Palmas às janelas, dedicatórias de acontecimentos, tudo isto é fácil… mas é fogo de pouca dura…. Resolver os problemas dos profissionais de saúde ou ao menos tê-los ali representados num evento que lhes foi dedicado pelo poder político,… já é outra louça. Mas ricos! Esse é o país que temos… e elegemos...  portanto, não se queixem!


Meus queridos! Como já sou “entradota” na idade, lembro-me bem da polémica que durou anos e anos nos States, por causa da Pedra de Dighton, com o saudoso Dr, Luciano da Silva a defender que ela provava a chegada dos Portugueses ao Novo Mundo e outras figuras, entre as quais Onésimo Almeida a desmistificar todas as suposições. Quando li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a entrevista com o Professor Félix Rodrigues sobre a peça de cerâmica datada pelo carbono 14 com 2.530 anos e encontrada na Terceira e os comentários e contraponto que outras figuras têm feito sobre a matéria, nomeadamente o meu querido Eng. Martins Goulart, pensei logo que vamos ter uma versão açoriana da Pedra de Dighton, e que se vai chamar… o caco da Grota do Medo. E como nos States até fizeram um Museu à Pedra, na ilha de Jesus até bem podem seguir igual caminho… 


 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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