1 de setembro de 2020

Símbolos

 


Se formos ao dicionário a palavra símbolo quer dizer, de entre outros significados, figura, marca, qualquer objecto físico que tem uma significação convencional. Neste trabalho quero reportar-me à bandeira e ao hino da Região Autónoma dos Açores.  
Fui um dos contemplados com a oferta de um livro escrito e editado pelo antigo Ministro da República, Juiz jubilado Alberto Sampaio da Nóvoa.
Recebi o livro através da Gráfica Açoriana, proprietária deste Jornal Correio dos Açores, para o qual colaboro há cerca de quatro décadas, mais coisa menos coisa.
Por imperativo de consciência quero, em primeiro lugar, agradecer publicamente ao Meritíssimo Juiz jubilado Alberto Sampaio da Nóvoa o envio daquela obra, a qual, vem enriquecer o meu “ajuntamento” de livros a que eu, pomposamente, apelido de biblioteca.
Como não podia deixar de ser, quero também agradecer as simpáticas palavras que, em jeito de dedicatória, entendeu escrever a meu respeito, reconhecendo a minha intransigente e constante defesa da causa açoriana.
Quando li o livro, notei a extraordinária sensibilidade do autor em relação a tudo o que o rodeia, bem como, o modo como se refere aos acontecimentos que, durante os cinco anos de mandato protagonizou sem grandes exuberâncias, numa atitude de humildade, mas de grande eficácia. Fiquei também sensibilizado pela maneira como se refere à sua extremosa família que tanto ama, e ainda, às referências que faz nas relações de Antero de Quental com os seus antepassados.  
Na dedicatória que achou por bem fazer, o Meritíssimo Juiz jubilado chama-me à atenção para a referência que de mim faz na página 45 do livro, para exemplificar o bom relacionamento que havia entre o Ministro da República e o Governo Regional dos Açores, nomeadamente, com o seu Presidente Carlos César.
Assim, em fins do ano 2000 contestei, através deste nosso Correio dos Açores, a distribuição dos símbolos nacionais (bandeira e hino) pelas escolas dos Açores, à semelhança do que tinha sido feito em território continental, olvidando, propositadamente ou não, os símbolos das Regiões Autónomas.
Alertado por esta minha contestação, o então Ministro da República, entendeu que, aqui nos Açores, não fazia sentido distribuir só os símbolos nacionais. Assim, contactou o então Presidente do Governo Regional, Carlos César, para que fossem também distribuídos os símbolos regionais pelas escolas da Região.
Lembro-me de, na altura, ter recebido um telefonema do Gabinete do Ministro da República no Solar da Madre de Deus, a agradecer aquele meu “alerta”.
Na altura, e ainda hoje, penso do mesmo modo.  Os símbolos regionais não podem estar ausentes do sistema de ensino. Em minha opinião, as crianças têm de aprender, desde cedo, a identificar e a respeitar os símbolos regionais.
Desde cedo, há que incutir nas crianças um sentimento de orgulho de ter nascido nestes nove rochedos “plantados” em pleno Oceano Atlântico.
Para que tal aconteça, há que ter um programa diferenciado de ensino. Um programa que obrigue toda a gente, e em todo o território regional, a honrar os nossos símbolos, nomeadamente, Brazão de Armas, Bandeira e Hino. Nem que para tal haja uma disciplina própria de cidadania.
É, em boa verdade, constrangedor verificar que, por vezes, em repartições públicas regionais a bandeira dos Açores é içada ao contrário, com o milhafre a “voar de costas”, num manifesto desrespeito pelos Açores, enquanto Região.
Assim como é constrangedor verificar o “desprezo” que os serviços do Estado em serviço na Região, mesmo recebendo apoios do Governo Regional dos Açores, tenham “vergonha” de içar a bandeira dos Açores ao lado da bandeira de Portugal.
Relembro aqui o “escândalo” que foi a ordem dada pelas Forças Armadas, em mandar retirar todas as bandeiras dos Açores da área das comemorações do dia 10 de Junho de 2018, onde Sua Excelência, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa apareceu na TV, junto a uma metralhadora, a falar com uma rapariguinha. Que teria dito o Presidente?
Para finalizar e valendo-me do livro oferecido, recorro às palavras do Presidente da República Doutor Jorge Sampaio aquando da comemoração dos 25 anos de autonomia:-
O sistema autonómico tem sido capaz de ultrapassar os obstáculos do tempo e tenho a certeza que vai continuar a ultrapassá-los. É preciso que os açorianos tenham uma atitude de intervenção, pois a autonomia vive dela. 
Nem mais! A amplitude da autonomia depende da nossa capacidade de reivindicação.


Texto escrito pela antiga grafia.
30AGO2020

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Categorias: Opinião

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