1 de setembro de 2020

Apoiar o sector produtivo em tempo de pandemia


Com esta crise pandémica que vivemos, muitos se perguntam como lidar com o coronavírus no meio empresarial do mundo rural dos Açores, bem como o seu impacto nos pequenos negócios que proliferam pelas nossas freguesias.
É verdade que o problema não atinge a complexidade da situação em que se encontra a nossa SATA, mas o momento é complicado para as empresas de pequena e média dimensão e inspira sérias preocupações a todos os níveis. É por esta razão que assistimos a que os governos estejam a investir na investigação, tendo em vista a obtenção rápida de uma vacina, para proteger a saúde da população.
Esta crise tem exasperado todos os setores de economia, desde as microempresas, como até os grandes negócios multinacionais e a ansia com que se procura retomar a atividade económica é o espelho da gravidade da crise que se instalou.
Ninguém pode negar que o coronavírus em tão pouco tempo trouxe graves consequências para a economia e que elas são sentidas nos mais diversos setores, pois a faturação dos empresários registaram quebras inimagináveis durante e depois o período de isolamento social, a que fomos sujeitos a nível nacional e dentro dos Açores, pois tudo piorou após o aparecimento do coronavírus.
O caso do setor hoteleiro, que depende diretamente dos turistas para se manter em funcionamento, tem sido duramente afetado, com as diversas unidades de Alojamento Local às moscas e os proprietários endividados pelos investimentos que tiveram de fazer para cumprir com os requisitos camarários para abrir portas a quem nos visita.
A atual crise diferencia-nos muitos do que aconteceu na crise financeira e social anterior, pese embora tivessem sido feitos cortes nos salários de todos, não se compara com o que se passa hoje em dia. Durante dois meses e meio estiveram totalmente fechados e não faturaram qualquer verba, mas, no entanto, tiveram de continuar a suportar os custos fixos. 
Como boa notícia veio agora o Governo Regional anunciar medidas de apoio às empresas, bem como ao setor do turismo, para promover a manutenção de emprego, em situações de quebra de receitas devido à pandemia da Covid-19. 
Numa economia pequena como a nossa, é possível fazer mais e melhor, comparativamente com aquilo que se faz a nível nacional, pelo que as medidas regionais que tenham como objetivo reforçar os mecanismos de apoio que visem incentivar o esforço de manutenção da atividade económica, é bem-vinda e urgente, esperando-se que seja uma medida que não complique burocraticamente a vida aos nossos pequenos empresários, que vivem diariamente com a corda ao pescoço.
De acordo com as noticias divulgadas, esse apoio regional será equivalente a 5,2 salários mínimos por cada trabalhador, no caso das empresas com menos de 10 trabalhadores; a 3,6 salários mínimos por cada trabalhador, nas pequenas e médias empresas; e a 2,4 salários mínimos por cada trabalhador nas grandes empresas, sendo ainda acrescido do valor correspondente aos encargos com Segurança Social da entidade patronal.
Para além disso, é de referir que os apoios às empresas anunciados a nível nacional têm aplicação direta na Região, pelo que as medidas complementares vêm contribuir para um maior desafogo do nosso tecido empresarial já de si muito frágil.
As empresas que recorram a linhas de crédito, devido à redução substancial das suas vendas, terão acesso na região a uma linha de apoio à manutenção do emprego, para fazer face ao reembolso desse financiamento. Por outro lado, o Governo Regional irá comparticipar as empresas açorianas que beneficiem das linhas de crédito criadas, com um apoio adicional a fundo perdido.
Importa, igualmente olhar com atenção para o setor cultural e de eventos, de modo a que estas entidades consigam desenvolver as suas iniciativas e o Governo Regional e as autarquias têm um papel determinante para a retoma da atividade cultural. O exemplo concreto das iniciativas de algumas Câmaras Municipais ajudam a mitigar o sufoco a que os agentes culturais estão a viver neste momento.
Se percebermos as dificuldades que as associações de dinamização cultural estão a passar, seguramente que a sensibilidade dos nossos governantes e autarcas poderá ajudar a ultrapassar a situação que se estende a todas as entidades que estão envolvidas na cultura e que a questão da pandemia veio dificultar a sua atividade. Por isso, desburocratizar é a palavra de ordem.

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Categorias: Opinião

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