Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense

Cinema ambiental brasileiro chega aos Açores para unir os dois lados do Atlântico e debater problemas contemporâneos

Trata-se de uma parceria entre o projecto “Cinema sem conflitos” e o Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense (FICASC), no Brasil, e pretende inspirar, deste lado do Atlântico, o debate para as questões ambientais mas não só. 
À semelhança do que tem acontecido em edições anteriores deste festival de cinema ambiental, em São Miguel o FICASC também vai muito além de ser apenas uma mostra de filmes e contará com o debate em vários pontos da ilha, prontificando-se já a chegar a outras ilhas no próximo ano. 
De acordo com Ivan Gouveia, responsável pelo Projecto “Cinema Sem Conflitos”, que aborda questões problemáticas através do vídeo, “o objectivo de trazer este Festival de Cinema Ambiental é sensibilizar o público Açoriano para as questões ambientais e sociais numa perspectiva global e contribuir para o enriquecimento da oferta cultural dos Açores. Pretendemos chegar a públicos alvo desde ao Infanto-juvenil, Adultos e Crianças com necessidades Educativas Especiais. São estes os públicos aos quais devemos desde já educar para o futuro e a conservação da sua “casa” ambiental chamada de Açores”.
Para o festival que vai decorrer de 14 a 20 de Setembro, vai ser possível assistir aos filmes no auditório do Expolab, na Lagoa, bem como nas Escolas de Água de Pau e de Vila Franca do Campo, onde haverá também um debate com especialistas nas várias áreas abordadas pelas películas. Mas para se assistir aos filmes, que este ano vai recorrer ao formato digital devido à pandemia, vai ser possível fazê-lo gratuitamente através da página do festival: www.ficasc.com.br, quer nos Açores quer no Brasil. Ivan Gouveia avança, no entanto, que esta parceria com a organização deste festival ambiental vai ser para continuar e garante que “o Festival FICASC vai ser disponibilizado apenas em São Miguel, mas no próximo ano pretendemos levar a outras Ilhas do arquipélago”. 
Além de debater e alertar para as problemáticas ambientais e contemporâneas, esta parceria, que decorre através do projecto Primeiro Plano, do CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação, do Algarve, também tem outra vertente. O responsável pelo projecto “Cinema sem conflitos” indica que esta parceria é de grande importância “porque permitirá promover o intercâmbio cultural entre os Açores e o Estado de Santa Catarina do Brasil, região esta com uma forte ligação histórica à Região Autónoma dos Açores, uma vez que foi colonizada por açorianos no século XVIII”. Além disso, acrescenta Ivan Gouveia, “é ainda uma oportunidade para promover e consolidar o destino Açores, como destino de turismo de natureza junto do público brasileiro”. 

Ampliar acções 
do outro lado do Atlântico

Por seu lado Doty Luz, Director do FICASC, recorda o início desta parceria “que surgiu através da Rede Primeiro Plano - O espectador em construção, coordenado por Raquel Pacheco, que nos apresentou ao projecto “Cinema Sem Conflitos”. Para realizar um festival de cinema, necessitamos de parceiros e apoiantes, assim como em 2019, onde o FICASC contou com 18 instituições parceiras e apoiantes, que juntos realizaram um festival de sucesso”. Este ano, continua, “ficamos extremamente felizes com as parcerias estabelecidas com os Açores, diante do envolvimento e comprometimento da equipa do “Cinema Sem Conflitos”, Casa do Povo de Vila Franco do Campo, ExpoLab, entre outros parceiros. O FICASC considera de fundamental importância a parceria estabelecida entre todas as instituições parceiras dos Açores, proporcionando ampliar as nossas acções no outro lado do Atlântico, e reconhecendo o início de uma próspera e duradoura parceria”.
O objectivo, explica Doty Luz, é que esta parceria se prolongue além dos dias 14 a 20 de Setembro e “se amplie cada vez mais, que possamos juntos levar informação de qualidade para o público, e que a cada ano a união das instituições se fortaleçam, objectivando um mundo mais justo e igualitário”.
Este sempre foi o objectivo principal do festival de cinema que se desenvolveu em três municípios do Estado de Santa Catarina (Lages, Urubici e São Joaquim), que englobam a chamada Serra Catarinense. “O FICASC foi criado dentro de uma perspectiva de não somente exibir filmes sócio-ambientais, mas através deles discutir com urgência sobre os problemas contemporâneos do mundo todo”, explica Doty Luz. 
Os filmes exibidos, trazem uma ampla reflexão sobre “o caminho que a humanidade está escolhendo, onde o futuro é o agora, e a necessidade de travar os inúmeros eventos de destruição ambiental e social são essenciais na actual conjuntura”. E é perante este cenário que o Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense tem vindo a actuar “também em escolas e universidades, acreditando no cinema como instrumento de transformação social, política e ambiental”.
Entre 14 e 20 de Setembro o FICASC vai exibir mais de 60 filmes entre curtas-médias e longas-metragens de diferentes países e diversas temáticas, entre documentários, animações e ficção, sendo apenas necessária uma inscrição prévia no site. “São obras cinematográficas que procuram sensibilizar e consciencializar sobre as questões sócio-ambientais. Este processo somente se torna eficiente ao longo do tempo, acreditando numa mudança de comportamento através de atitudes, utilizando a educação ambiental”, acredita o Director do Festival.
Este ano o Festival não vai contar com nenhum filme produzido nos Açores mas esse é também um dos objectivos com esta parceria. “Certamente recebemos filmes de outras instituições parceiras como este ano, com indicação do Festival de Cinema Negro e da Plataforma Videocamp”, explica Doty Luz que acrescenta que o FICASC recebe filmes dos seus parceiros que são avaliados pela comissão de selecção. “Para o próximo ano, estamos abertos para receber filmes dos Açores”, remata confiante deixando essa possibilidade. 

O FICASC

Entre 14 e 20 que estiver noutras ilhas que não São Miguel ou em qualquer parte do mundo, pode aceder através do site do festival ao 60 filmes seleccionados para este ano. Os filmes, brasileiros e internacionais, foram seleccionados para que o público comece a pensar de outra forma a sua relação com o meio ambiente, promovendo assim a reflexão. 
Online a programação vai contar com mostras de cinema, exposições virtuais de fotografia e “lives” [debates] com convidados sobre os temas abordados, nomeadamente sobre sustentabilidade, florestas, povos indígenas e cinema e educação.  
A programação vai contar com sete mostras. A Mostra Contemporânea, que resulta da pesquisa em festivais do mundo todo, traçando um panorama do cinema sócio-ambiental nos dias de hoje; a Mostra Amazónia, com filmes de vários países amazónicos, retratando os seus problemas e apontando soluções; a Mostra Povos de Lutas, com filmes sobre questões urbanas, activismo ambiental e trabalhadores sem-terra; a Mostra Latina, selecção de obras cinematográficas das Américas do Sul, Central e do Caribe dos últimos anos. Haverá ainda a Mostra Espanha, mostrando a produção de películas espanholas no âmbito sócio-ambiental; a Mostra Homenagem, onde será feito um reconhecimento ao trabalho de André D’elia, ambientalista, director e produtor brasileiro que dirigiu alguns dos mais importantes filmes ambientais brasileiros na última década; e a Mostra Infância, com filmes cuidadosamente seleccionados para dialogar com os mais novos sobre a importância de se cuidar do planeta desde cedo.              

Carla Dias    

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Autor: CA

Categorias: Regional

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