3 de setembro de 2020

Nótulas de Verão

1. Já entrados  em Setembro, tal como prometemos nas últimas Nótulas, julgo ser interessante e oportuno tecer algumas considerações construtivas às mais recentes propostas da Câmara de Ponta Delgada no que se refere ao Programa de Reabilitação Urbana do centro histórico da cidade que, a meu ver, deve merecer a melhor atenção dos munícipes e do cidadão comum interessado na vida da cidade.
  Do que em Março veio a público ficamos a saber da construção de duas novas  Ciclovias , sendo uma na Avenida D.João III com a extensão de 900 metros e outra no interior da cidade conforme reza o PERU ( Programa Estrutural de Reordenamento  Urbano ), um investimento que vai até 2024.  Sobre este PERU nada a acrescentar logo que  melhore a fluidez e a segurança de todos os que vão circular na zona, a pé  ou a cavalo ! Também está prevista a melhoria das condições de espera para todos os utilizadores do minibus  e a modernização dos sanitários públicos da Praça  Vasco da Gama, há muito carecidos de profunda remodelação, mas há necessidade também da existência de outros na zona do Colégio / Jardim Antero de Quental, não se tendo ainda descortinado a razão porque encerraram os do Jardim Sena Freitas! O programa reforça e bem a importância de fomentar  “  modos de transporte suaves “ , faltando aqui uma referência à Estação Rodoviária necessária em qualquer cidade do mundo e à criação de mais espaços em Ponta Delgada  para estacionamento prioritário. 

2.  Mais recentemente veio a público o chamado “ Relatório do Estado do Ordenamento do Território de Ponta Delgada ( REOTPD ) que permite avaliar o grau de execução do PDM, cuja discussão pública vai até 11 de Setembro próximo. A intenção do Município envolve uma série de ações ainda não totalmente especificadas, de reabilitar  e revitalizar as áreas degradadas , valorizar o Centro Histórico que se espera não seja apenas para mudar candeeiros e floreiras, bancos e banquetas,  promover  a requalificação dos espaços industriais e empresariais, valorizar  os recursos naturais e a paisagem e aqui seria bom que se protegesse, com a colaboração do governo,  a orla marítima do Pópulo aos Fenais , dos Mosteiros às  Capelas,  não deixando construir junto ao mar , reabilitando apenas as zonas balneares naturais que a natureza nos oferece. De resto a cidade já está virada para o mar, faltando agora reabilitar com prioridade a zona das Milícias , como ali se prevê, requalificar a abandonada zona de Santa Clara e da Calheta de Pêro de Teive que ainda acaba por servir de Museu das vergonhas da cidade !  De realçar com apreço   o prolongamento da Avenida D. João III  e a criação de parques de estacionamento que devem ser prioritários no Plano, tal como as obras de primeira prioridade, na importante área do Saneamento  Básico. Novidades que a cidade e o concelho bem precisam ! Incluindo sinalização moderna e de qualidade em todo o concelho, nas vias de comunicação, nos principais centros e nos edifícios do património histórico e nos de interesse comunitário. 

3. Os Lares em Portugal estão na primeira linha de preocupações  com política e desaforos à mistura. É claro que só pelo facto de se tratar de Idosos, que já há quem os queira descartar, a questão deve merecer toda a nossa atenção e respeito e, por serem mais velhos, não os vamos abandonar ou deixar que Instituições e governo sacudam águas e tenham medo de saber a verdade dos factos que têm acontecido, incluindo nos Açores,  como é público e notório. Eles merecem todo o nosso respeito e atenção.
  O jornal Expresso de Lisboa tem dedicado páginas inteiras a este assunto com episódios de bradar aos céus,  mas tratando de questões e episódios que vale a pena equacionar e comentar. A pandemia alterou a forma de construir lares. Os velhos caixotes ou armazém de idosos ( o Nordeste é uma exceção em termos de edifício,  inaugurado em 2000  ), no futuro vão ter  “ quartos mais espaçosos e com varandas generosas, jardins e piscinas , áreas lúdicas e de serviços , serviços hoteleiros e cuidados médicos , havendo já casos no Continente onde se tenta aplicar esta nova concepção de lares ou residências para seniores,  no privado.  E pelos Açores continua a conceder-se subsídios para ampliações e obras sem definição  clara de regras e das consequentes obrigações do Estado no bom funcionamento das estruturas nem a necessidade emergente de mais pessoal qualificado, ou seja exige-se omeletas sem ovos ! Porque a regra tem sido, se o lar tinha capacidade para 38, vamos lá aumentar para 50 o número de idosos utentes para aqueles exíguos espaços, por razões de ordem financeira ! Se calhar para não faltar na concessão dos outros subsídios !
  Já a senhora ministra Ana Godinho revelou  que “ além da falta de recursos humanos , temos de alterar as regras dos equipamentos sociais , pensar numa nova geração de respostas sociais, com novas regras de construção, mais vocacionadas para um envelhecimento ativo e saudável , criando-se também mecanismos de apoio ao domicílio que tragam inovação “ , que nos Açores já se defende há anos e eu próprio sou testemunha disso.
  No Continente as equipas conjuntas da Saúde e da Segurança Social estão desde Junho a fiscalizar no terreno as Instituições residenciais para idosos e, até ao presente, já realizaram cerca de 500 visitas preventivas, essencialmente por causa da Covid. Querem verificar o funcionamento, detetar as falhas de equipamentos de proteção , de recursos humanos  e planos de contingência e de bloqueamentos desnecessários !  E nós  por  cá  ?  Vamo-nos amanhando com subsídios  e carrinhas de 21 lugares ! 

4. Rabo de Peixe ficou desolado com a saída do Padre Cláudio da Obra de Maria, que já regressou ao Brasil ! António Pedro  Costa, cidadão natural  e residente em Rabo de Peixe, de corpo inteiro, que vive com alma e coração tudo o que diz respeito à sua terra, escreveu com realismo e emoção uma nota sobre a saída daquele sacerdote, autêntico exemplo de apóstolo simples, dócil, dedicado e humilde, registando o sentimento de tristeza do povo daquela  Vila. No ano transacto o mesmo aconteceu com o padre Oniel que saiu de Ponta Garça, que pertencia à mesma Obra. E tantos exemplos que precisamos por aqui, mais que encontros e procissões, sínodos, pregações e retiros  ! 
             
  Fajã do Araújo, finais de Agosto de 2020
 

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Categorias: Opinião

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