5 de setembro de 2020

Escravos da razão

“O grande erro do século XX foi acharmos que o amor era só um sentimento, que vai e vem. Na realidade, é um ato de vontade e inteligência”. Li este título na Visão, numa entrevista conduzida pela jornalista e psicóloga Clara Soares ao psiquiatra e escritor espanhol Enrique Rojas, o homem do momento em Espanha.
Não sei se foi o grande erro do século XX, mas é um erro presente no nosso dia-a-dia: tendemos a colocar a razão acima do sentimento, descuramos as nossas emoções. Mas, o que seria das nossas vidas sem paixão, sem emoções? Um triste deserto, isolado e separado das riquezas da própria vida.
Como em tudo na vida, q.b. Temos de ter um autodomínio das nossas emoções, isto é, equilibrar as mesmas, mas não suprimi-las. Até porque elas veiculam informações determinantes para a própria razão.
Preferimos os dias e os momentos em alta, mas, como diziam os antigos, “o sofrimento tempera a alma”. Tem é de haver um equilíbrio e temos de aprender a gerir as nossas emoções, como a raiva, a ansiedade e a própria melancolia. Neste sentido, recomendo vivamente a leitura da Inteligência Emocional de Daniel Goleman.
Mas, antes de lerem, fica uma achega: a propósito da ira, por exemplo, ela é quase sempre uma reação secundária. E o que está por baixo? Importa compreender que “há sempre uma opção na maneira como respondemos às nossas emoções, e quanto mais maneiras soubermos de responder a uma emoção, mais rica pode ser a nossa vida”.
O que vem ao encontro dos cinco domínios principais da inteligência emocional, segundo Salovey: conhecer as nossas próprias emoções, gerir as emoções, motivarmo-nos a nós próprios, reconhecer as emoções dos outros e gerir relacionamentos.
É um desafio constante trabalhar a nossa inteligência emocional, mas determinante para o sucesso individual e das organizações ou pelo menos para sobrevivermos e quiçá marcarmos a diferença neste mundo pautado pelo desamor, pela depressão e pela falta de empatia.
Quem sou e para onde vou? São questões que me coloco frequentemente, obrigando-me ao autoconhecimento, a resolver pendentes e a (re) definir metas e objetivos.
Implica, também, alguma maturidade para reconhecer erros e crescer com eles, e manter o espírito de resiliência. Sempre escutando o coração, pois, como escreveu Saint-Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos”. Caso contrário, seremos escravos da razão…

Carmen Costa

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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