Paulo Garcia, Presidente da Sociedade Filarmónica Triunfo

“Os apoios da Direcção Regional da Cultura são diminutos quando comparados com os outros apoios que nós temos”

Com sede na Freguesia da Matriz, na Ribeira Grande, está situada “uma das bandas mais antigas da Região e a mais antiga de São Miguel”, como nos refere Paulo Garcia, Presidente há 8 anos da Filarmónica Triunfo. Na sua vasta história, já com 174 anos desde a sua fundação, a 2 de Fevereiro de 1846, a Banda já marcou presença em vários palcos regionais e internacionais. Dessas, Paulo Garcia destaca uma ida ao Canadá, em 1985, “onde a nossa diáspora marca uma forte presença. Alguns emigrantes recordam com alguma saudade essa deslocação da Banda Triunfo”, afirma destacando também que “esta é uma instituição muito acarinhada pelos habitantes da freguesia e também pelos nossos emigrantes”. A ligação à diáspora é mesmo um dos pilares da Banda que muito recentemente fez questão de ‘eternizar’ essa relação.
“Há pouco tempo foi colocada uma placa da Banda Triunfo no mural da Praça do Emigrante, aqui na Ribeira Grande, para reconhecer o apoio recebido pelos emigrantes. Isso tem sido muito importante para o normal funcionamento da nossa banda”, salienta.
O Presidente da Filarmónica Triunfo, que conta actualmente com 36 músicos e que há data do encerramento, tinha 10 alunos da na sua escola de música, refere que a banda vive essencialmente da sua juventude.
“É uma filarmónica constituída maioritariamente por jovens, com jovens a partir dos 9 ou 10 anos. Registo também que o nosso músico mais antigo anda à volta dos 66 anos”, afirma.
Sobre o tema do momento, a pandemia de Covid-19, Paulo Garcia revela que até ao momento a Filarmónica encontra-se encerrada, apesar de estarem a ser estudadas “todas as maneiras para a retoma”. Durante esse período de encerramento, o Presidente da Filarmónica Triunfo destaca uma iniciativa que foi levada a cabo.
“Através do maestro houve um trabalho efectuado a partir de casa, onde cada músico fez a gravação do hino da nossa padroeira, Nossa Senhora da Estrela. O maestro montou essas gravações, fez um vídeo que depois divulgamos nas redes sociais”, destaca.
Depois de um ano de 2019 que Paulo Garcia considera ter sido “muito bom”, nomeadamente pelo facto de a Triunfo ter realizado pela primeira vez uma Festa do Espírito Santo, com a pandemia foram vários os projectos que tiveram de ser adiados.
“Tínhamos em perspectiva uma deslocação às grandes festas do Espírito Santo de Fall River, nos EUA. Logicamente que agora isso caiu por terra, tudo se transformou e temos de repensar. Outra das actividades que íamos implementar este ano e que ficou suspensa era a substituição completa do nosso fardamento que já tem 8 anos. Tudo isto fica pelo caminho e neste mundo de incerteza não sabemos agora quando poderemos retomar esses projectos”, lamenta.
Sobre a retoma dos ensaios que ainda não se concretizaram, o Presidente da Sociedade Filarmónica Triunfo afirma que, já durante este fim de semana, a banda vai reunir-se para prestar uma homenagem durante a festa da padroeira.
“A imagem vai passar pelas ruas numa viatura e quando passar na nossa sede, estamos a reunir os músicos para tocarmos o hino apenas aquando da passagem da imagem”, refere.
Relativamente à situação financeira da instituição, Paulo Garcia refere que as contas “estão um pouco desequilibradas”, essencialmente pelo facto de a Filarmónica ter adquirido a sua sede no final do ano passado. 
“No final de 2019 tivemos de fazer um investimento que passou pela regularização do edifício da nossa sede. Tivemos de passar o imóvel para o nome da Sociedade Filarmónica Triunfo e aí tivemos de despender algum dinheiro”, esclarece.
O Presidente da Sociedade Filarmónica Triunfo considera ainda que se não fosse o apoio da Município, da Junta de Freguesia e de alguns emigrantes, a situação poderia ser mais complicada.
“Contamos com as receitas dos serviços, concertos, procissões e festas do Espírito Santo que em 2020 não aconteceram. A nossa outra fonte de receita são as quotas dos associados que não são muito expressivos. Quero destacar muito o apoio dos nossos emigrantes que estão sempre prontos para nos ajudar e esse apoio tem sido um dos pontos fortes. Ainda há pouco tempo tivemos um donativo de um emigrante que nos vai dar para cobrir as despesas comuns”, destaca.
Por outro lado, Paulo Garcia considera que os apoios com origem na Direcção Regional da Cultura deveriam ter maior flexibilidade.
“Os apoios da Direcção Regional da Cultura são diminutos quando comparados com os outros apoios que nós temos. Há muita burocracia e para uma instituição como uma filarmónica, em que não temos serviços administrativos, nem secretaria e são os directores e o maestro que, muitas vezes de forma voluntária, tem de preparar esses processos que são exigentes e em que é preciso muita papelada”, refere.   
O Presidente da Banda Filarmónica Triunfo considera que, se a situação de pandemia se mantiver por muito mais tempo, será complicado manter as contas em dia e que isso poderá levar à necessidade do encerramento da banda que completa 175 anos de existência em 2021.
“Nós não pretendemos isso e vamos fazer o possível e o impossível para não fechar a porta. Há esse risco e quanto mais o tempo passar e até, agora, não estamos a ver as coisas a melhorar. Até parece que estamos a voltar ao início e olhamos para o futuro com alguma incerteza e desconfiança devido à pandemia”, lamenta.
Para Paulo Garcia, o regresso à normalidade da sua e da grande maioria das filarmónicas só será possível quando voltarem a acontecer as festas, as procissões e os serviços.
“O grande problema não é a retoma da nossa colectividade, mas sim o regresso das festividades e das procissões. Enquanto não houver serviços, até podemos estar a fazer ensaios mas não há receitas. De qualquer forma, estamos optimistas nesse regresso à normalidade. Não vais ser um caminho fácil e vamos encarar como o nosso maior desafio desde que estamos aqui”, afirma o Presidente da Sociedade Filarmónica Triunfo.   
                                                 
Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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