6 de setembro de 2020

Dos Ginetes

Contradições

Desde o início, mesmo se não possuo qualquer formação na área da saúde, nunca fui grande admirador da responsável pela Direcção-Geral da Saúde, Dra. Graça Freitas. Nada de pessoal contra a senhora mas as “cambalhotas” que ela deu no início na desvalorização desta pandemia deixou mesmo os ignorantes como a minha pessoa desconfortáveis. Umas vezes era uma gripe normal como as outras, no dia seguinte dizia não haver hipótese desta chegar a Portugal, o uso de máscara não era primordial, etc. etc. Ainda hoje a respeitável senhora encontra sempre uma forma de dar a volta para agradar ao Governo da República que metido numa grande encruzilhada quer também colher os seus frutos mas sem dúvida necessitando de algum apoio além de outros partidos para “sobreviver” ao acumular de contradições que vergonhosamente se sucedem a um ritmo quase inacreditável. É o que se tem passado entre o Partido Socialista Português e o seu amigo mais à esquerda o Partido Comunista.
Decisões que têm efeitos lá longe para os lados da Capital mas que também acabam por influenciar a nossa vida nos Açores. Estamos metidos num ciclo vicioso de tal forma que acabamos por nos interrogar o que está acontecendo a este pequeno país que continuamente avança e recua. O que é bom em determinado dia já não o é no dia seguinte acabando por alimentar o desrespeito pelas leis que supostamente foram criadas para facilitar o bem-estar de todos nós. 
Nesse pequeno Continente Português tem sido uma enorme confusão, por exemplo, com a festa do “Avante”, que no momento de escrever esta crónica não consigo saber como irá terminar após tantas “reviravoltas” mesmo se a minha experiência, fruto do que diariamente observo e que passou a hábito em Portugal nos últimos tempos, me diz que não vai ser tão respeitado como nos pretende fazer acreditar o Partido Comunista Português, que nem consegue a unanimidade dos seus mais directos admiradores que são sobretudo a classe dos verdadeiros trabalhadores e não dos grandes banqueiros que poderiam convencer com o seu enorme poder instalado o mais santo dos políticos portugueses, se é que existe algum vocacionado para a santidade. 
       A autoridade deixou de ser respeitada como outrora e as normas que eventualmente poderiam contribuir para uma melhoria deste clima pesado que nos pressiona pela incerteza não são tidas com seriedade pois cada qual parece que faz o que melhor lhe apetece.
Por aqui também não temos sido os mais exemplares, Fomos surpreendidos nos Açores com o problema das touradas que pessoalmente considero um espectáculo, que como humano, me envergonha em pleno século XXI. Tal como os que pensam ser um direito não os impedindo de assistir a tão triste divertimento, segundo a minha opinião também eu tenho o direito de não concordar, sobretudo da forma como foi organizado recentemente em Angra do Heroísmo onde a “malta estava completamente à vontade” sem respeito pelo distanciamento a que estamos todos obrigados. O mais grave é que quando permites a um grupo de satisfazer os seus gostos não o podes impedir a outros de igualmente satisfazer o que dizem ser cultura popular que por tradição “não tocas”. 
Por cá nestes maravilhosos espaços de terra separados pelo mar que constituem as Ilhas dos Açores há já alguns anos o Governo decidiu apostar no desenvolvimento turístico da Região. A determinada altura sentimos mesmo que eram demasiados os que nos visitavam e que a nossa privacidade estava em risco.
A maldita pandemia veio tudo transformar.
Nesta última Quinta-feira por razões pessoais tive que me dirigir a Ponta Delgada.
Para quem possui um mínimo de amor por esta terra e até mesmo pela nossa Cidade da qual todos nos orgulhamos é um choque brutal. Ruas desertas, lojas definitivamente encerradas, e as que ainda mantêm portas abertas deparamos com dois ou três empregados saturados pelo calor provocado também pelo uso da máscara obrigatória e não pelo trabalho intenso que habitualmente existia nestes dias.
Enquanto o comércio lentamente desaparece, as pessoas não têm dinheiro para desembolsar porque os trabalhos são poucos o que provoca o desemprego, o estacionamento no coração da Cidade continua extremamente dispendioso. 
Assim não vamos nunca recuperar uma economia que está doente. 
Necessitamos urgentemente de ajuda não só para uma qualidade de vida mais justa e saudável, mas de homens e mulheres suficientemente motivados a dar a volta a esta forma de viver que lentamente nos sufoca. 
Não esqueçam que brevemente teremos eleições e nestas somos nós os donos do poder. 
Brevemente irei aqui deixar apenas a minha opinião mas se Deus quiser não deixarei nunca de votar.
 

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima