8 de setembro de 2020

Para onde vais autonomia?

 Estamos novamente em tempo de promessas, que na maioria não serão cumpridas, por quem vencer esta nova “luta de galos” (leia-se PSD e PS) porque os restantes partidos são só para animar a malta. Ou seja, vai ser mais do mesmo.
Porém, há dados novos a juntar às velhas questiúnculas autonómicas. Agora, até um administrador de uma companhia aérea estrangeira se acha no direito de meter o nariz nos nossos assuntos internos, nomeadamente, na autorização dada à SATA por Bruxelas para poder pedir empréstimo bancário com aval do Governo Regional.
Cabe aqui perguntar:- o que tem a ver aquele estrangeiro com a gerência daquilo que é muito nosso?
Que aquele senhor tenha poder para negociar com o nosso Governo Regional sobre matérias da sua (?) companhia, como foi o caso da promoção dos Açores no estrangeiro, pela qual dizem ter recebido um milhão de euros, nada a opor. Todavia, aquela companhia ao operar na Região, tem de se considerar como uma empresa estrangeira e limitar-se ao seu trabalho específico e não meter o nariz para onde não é chamada.
Por outro lado, o Governo Regional teria de informar aquele administrador que se metesse na sua vida e da sua (?) empresa e deixasse a SATA em paz.
De resto, aquela companhia, que se apelida de low-cost, se os residentes nos Açores fizerem bem as contas adicionando à passagem, o pré-seat e a bagagem talvez não faça grande diferença do preço de residente na SATA.
A atitude do CEO da Ryanair é, em minha opinião, uma intromissão abusiva na nossa vida colectiva, ou seja, na nossa autonomia.
Outro exemplo de falta de autonomia é o que abaixo descrevo.
Estamos quase a entrar em campanha eleitoral para as eleições para a Assembleia Legislativa Regional. 
Como é hábito, os candidatos a deputados irão “esmerar-se” nas promessas, nas críticas, na apresentação de hipotéticas soluções para os “milhentos” problemas que temos.
Desconheço se irão fazer comícios, mas atendendo ao momento que todos passamos, julgo que não será aconselhável. Assim, caberá aos Órgãos de Comunicação Social repercutir e divulgar as iniciativas dos partidos concorrentes e as propostas dos candidatos.
Todos sabemos que, de todos os O.C.S, o que tem maior impacto é a televisão.
Li algures que a RTP/Açores, só dará cobertura televisiva aos partidos que cá trouxerem os presidentes dos ditos para acompanhar os seus candidatos locais.
A ser verdade o que li, penso que uma situação destas não cabe na cabeça de ninguém que tenha nascido nesta terra, principalmente àqueles do após 25 de Abril.
Quando li semelhante disparate, lembrei-me logo do início da emissão do antigo Emissor Regional dos Açores, pela voz desse grande radialista que foi Sílvio do Couto.- AQUI PORTUGAL, PONTA DELGADA, Emissora Regional dos Açores da Emissora Nacional…
Para os “rapazes da minha idade” todos sabemos quanto, em 1975, nos custou “arrancar o dente” a Lisboa para que, nos Açores, fosse instalada uma emissora televisiva.
Motivo? Por uma questão de unidade dos Açores, e para dar a conhecer a todos os açorianos o seu território, de Santa Maria ao Corvo, bem como, a imensidão de mar que nos rodeia e a que chamamos de Zona Económica Exclusiva.
Parece que a RTP/A é, a meu ver e cada vez mais, uma janela das RTP’s portuguesas (1-2-3), por culpa dos seus sucessivos Sub-directores locais, que não têm coragem (ia escrever outra coisa) de se impor perante Lisboa e dizer basta.
Deste modo, impõe-se cada vez mais perguntar:-
Para onde vais autonomia?

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.

6 de Setembro de 2020
 

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Categorias: Opinião

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