8 de setembro de 2020

A escola em tempo de pandemia

O ano letivo de 2020-2021 vai começar, mas há ainda muitas dúvidas quanto à forma como decorrerão as aulas e muitos pais e professores têm manifestado as suas preocupações relativamente ao modo como se procederá à reabertura nas escolas deste ano letivo marcado pela pandemia.
Nos Açores o regresso às aulas presenciais tem um “plano B”, caso a situação epidemiológica assim o determine, pelo que as escolas devem estar muito bem preparadas também para um eventual ensino à distância.
Tendo bem presente os últimos meses de aulas do ano letivo anterior e as dificuldades e os desafios criados aos estabelecimentos de ensino que, quase de um dia para o outro, tiveram de tomar medidas e adaptar-se a modelos de ensino à distância, continua a preocupar os responsáveis pelo sector, com vista a possibilitar um ensino regular, face à nova normalidade criada por esta pandemia que nos assolou a todos.
Os pais e encarregados de educação terão um papel determinante no sucesso do cumprimento das regras estabelecidas, com a sua atitude colaborativa, quer em situação de ensino em sala de aula, quer quando for necessário o recurso ao ensino à distância. 
Para tal, importa que as escolas possam cumprir todas as medidas de proteção contra a Covid-19,havendo necessidade imperiosa de haver planos de contingência rigorosos, claros, coerentes e exigentes com as orientações essenciais, tendo em vista a proteção da saúde pública de alunos, professores e pessoal auxiliar.
Por outro lado, com a pandemia, os Sindicatos exigem mais docentes e pessoal auxiliar, já que este ano, no seu entender, foram colocados apenas 435 professores nos Açores, enquanto no ano letivo passado foram colocados 490, pelo que exigem diretrizes concretas da Autoridade de Saúde sobre o funcionamento das escolas, face à redução dos docentes.
A Secretaria Regional da Educação tem de se preocupar em assegurar todas as condições para que em cada escola se possa garantir as circunstâncias essenciais de saúde e segurança, com pessoal devidamente treinado para qualquer situação, de modo a que haja espaços devidamente adequados para o número de alunos em cada turma.
Tal preocupação não deverá cingir-se apenas ao funcionamento das escolas públicas nos Açores, como igualmente ao ensino privado regular, pois a saúde pública dos açorianos deverá estar em primeiro lugar, que terá de responder prontamente às necessidades que venham a ser identificadas, em termos de recursos humanos e materiais, para não vir a dificultar ainda mais o sucesso do ensino no nosso Arquipélago.
O Governo Regional prevê ainda que os horários de funcionamento dos estabelecimentos de ensino possam vir a ser alargados, de modo a evitar o aglomerado de muitos alunos. É de aplaudir a distribuição de duas máscaras sociais reutilizáveis por cada um dos alunos do 2.º e do 3.º ciclo do ensino básico e do secundário, dos professores e dos restantes funcionários das escolas no arranque deste ano letivo.
Uma grande preocupação dos pais diz respeito aos transportes coletivos dos alunos de e para a escola, sem devidas condições de proteção da saúde de toda a comunidade educativa, havendo necessidade da deslocação dos alunos em comodidade e salubridade, pois senão poderá constituir também um foco de problemas e serem evitados o transporte de alunos aos molhos como que enlatados.
Outro grande problema diz respeito às refeições dos alunos, cuja preocupação tem levado muitos pais a preferirem que os filhos levam os seus lanches de casa, como forma de se prevenir a segurança alimentar das crianças.
As condições do funcionamento das aulas de Educação Física e o enquadramento das pessoas em situação de risco, bem como medidas concretas para os alunos da educação especial são outras preocupações que antes da abertura do ano escolar importa resolver, a fim de, não apenas acautelar o “normal” funcionamento da escola, como dar garantias aos pais de que os filhos estarão entregues em boas mãos e que regressarão a casa com a convicção que o diabo do Covid 19 estará longe, bem longe de casa.
 

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Categorias: Opinião

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