Projecto de 13,7 milhões de euros

Central pioneira de armazenamento de energia dá qualidade ao serviço mas não terá impacto no bolso dos terceirenses

A multinacional alemã, juntamente com a Fluence Energy (que é detida pela Siemens e pela AES), já assinou o contrato com a EDA para instalar na ilha Terceira um sistema de armazenamento de energia através de baterias, e respectiva manutenção durante 10 anos, no valor de 13,7 milhões de euros. Trata-se de um dos maiores sistemas independentes de armazenamento de energia por baterias a ser instalado numa ilha na Europa, e o maior do género em Portugal, e pretende tornar a ilha Terceira mais sustentável em termos energéticos. 
Este contrato agora firmado implica o fornecimento de 24 módulos de bateria, com uma potência total de 24 megawatts (MW) e uma capacidade de armazenamento de 16 megawatts por hora, o que seria suficiente para cobrir o consumo médio diário de mais de 2.600 famílias portuguesas. 
O projecto, que tem conclusão prevista para 2021, inclui ainda um sistema de gestão de micro-rede, pioneiro em Portugal, e que vai permitir monitorizar em tempo real, toda a infra-estrutura e prever o consumo e a produção de energia para várias horas/dias com base em previsões meteorológicas. Uma forma de optimizar a operação e maximizar a integração de energias renováveis e recursos endógenos, mantendo o abastecimento de energia com maior fiabilidade e continuidade do serviço.
De acordo com a Siemens, este projecto da EDA pretende tornar a Terceira uma ilha mais sustentável, já que o sistema de armazenamento de energia que vai ser implementado “vai ajudar a Ilha Terceira na transição para um novo mix energético. Esta tecnologia permitirá um aumento da quota de energia renovável, limitando o consumo de combustíveis fósseis e reduzindo significativamente as emissões de gases com efeito estufa. Irá ainda aumentar a independência energética da Terceira, dando mais flexibilidade, capacidade, resiliência e autonomia à sua rede de energia,” explicou Fernando Silva, responsável pela Smart Infrastructure da Siemens Portugal. 
Este projecto conta com tecnologia Gridstack de última geração da Fluence, que combina hardware, software avançado e inteligência baseada em dados. Com uma capacidade de 15 MW, este sistema vai regular principalmente a frequência e a tensão da rede eléctrica, “aumentará a segurança do fornecimento de energia graças à reserva girante, e absorverá e armazenará o excesso de energia produzida por fontes renováveis, devolvendo-a à rede durante horários de pico de consumo ou de baixa produção”. Ou seja, acredita a Siemens que a implementação deste sistema, associada a uma expansão adicional de até 6 MW de energia produzida a partir de fontes renováveis ou recursos endógenos, tais como geotérmicos, “permitirá à ilha duplicar, a médio prazo, a sua quota de energias renováveis de 20-30 por cento para mais de 60 por cento. A substituição de parte do fornecimento de energia a diesel por energias renováveis resultará numa redução de 1.150 toneladas no consumo anual de diesel e diminuirá as emissões de CO2 em mais de 3.500 toneladas por ano. Isto corresponde, aproximadamente, às emissões de CO2 de cerca de 1.500 carros que percorram cerca de 20.000 km por ano”.

EDA e a independência do exterior
A eléctrica açoriana confirma que este sistema de armazenamento de energia “tem como vantagens ser modular, possuir uma elevada eficiência energética nos processos de carga e descarga, e ter uma resposta muito rápida às variações da procura da rede e da oferta de energias renováveis intermitentes, como são o caso das energias eólica e fotovoltaica. Ao permitir reduzir o número de grupos geradores térmicos em operação nos períodos em que o potencial renovável é elevado, possibilita a entrada directa desta energia na rede”. Permitindo também que a produção geotérmica na ilha Terceira possa aumentar para cerca de 10 MW e, consequentemente, que a quota de produção renovável naquela ilha atinja valores na ordem dos 66%. 
De acordo com Duarte Ponte, Presidente do Conselho de Administração da EDA, este sistema conferirá maior fiabilidade no fornecimento de energia eléctrica ao consumidor final, no entanto, para o bolso dos consumidores este projecto pode não ser muito significativo. Duarte Ponte explica que as tarifas das Regiões Autónomas “são reguladas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e são iguais para todas as ilhas dos Açores, e próximas das do continente e da Madeira (fruto da convergência tarifária)”. Desta forma, estes investimentos “não deverão ter grande impacto nas tarifas dada a proporção que representam a nível nacional. No entanto, acreditamos que a integração de energias renováveis, e a independência energética do exterior, venha, no futuro, a trazer benefícios nas facturas dos consumidores”.
Ao nível do impacto ambiental, o estudo de viabilidade do sistema de armazenamento de energia para a Terceira, realizado por uma entidade externa, “aponta para que, com a realização deste investimento e dos investimentos previstos na exploração de recursos geotérmicos na ilha Terceira, se possa reduzir o consumo de fuelóleo em mais de dez mil toneladas e as emissões de CO2 para a atmosfera em mais de 33 mil toneladas ao ano”.

Projecto da Graciosa
A EDA pretende gradualmente instalar estes sistemas de armazenagem e controlo de energia em todas as ilhas. Além do projecto na Terceira, que deve estar concluído no próximo ano, há também um projecto inovador na Graciosa que, de acordo com a EDA, tem demonstrado resultados ao nível da qualidade do serviço.
Duarte Ponte explica que o projecto inovador da Graciólica, que integra um sistema híbrido de produção de energia eléctrica, composto por um sistema de armazenamento de energia eléctrica em baterias, um parque eólico e um parque fotovoltaico, gerido por um sistema de gestão de energia automático, “não só colocou a ilha Graciosa na linha da frente da transição em curso para economias de baixo carbono, como veio promover a ilha Graciosa através da sua divulgação pelo mundo fora”. E já há resultados à vista: “no último ano, com o auxílio do sistema de armazenamento de energia eléctrica instalado na Graciosa, e respectivas funcionalidades de apoio à operação da rede eléctrica, verificou-se uma melhoria na qualidade de serviço técnica prestada no fornecimento de energia eléctrica” aos habitantes da ilha. 
                      

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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