10 de setembro de 2020

A talho de foice…

Regresso às aulas

 

Muito em breve retomam as aulas, este ano diferente do habitual, com os papás a entregar no portão da escola o seu bem mais precioso. Uns, pela primeira vez, outros, na continuidade de um projeto de alguém vir a ser bem-sucedido na vida. A escola para uns, é uma forma segura de guardar os filhos durante o horário laboral, para outros ela é vista como sendo, ensino, formação e um complemento à educação. Os tempos, em constante evolução, tornam diferentes os rituais. Recordo-me que na minha infância, íamos para a escola primária de bata branca, lavada e engomada a preceito pela minha mãe e que Deus nos livrasse de a sujar ou de a danificar, que para além do sermão, seria surra certa. Hoje, vivemos tempos modernos, em que a bata é apenas um requisito usado por alguns colégios particulares, onde ainda é vista por igualar as crianças e de as proteger. As escolas devem ser promotoras de políticas e estratégias que promovam a maior aproximação das famílias à escola. Os pais devem ser envolvidos de diferentes formas e cabe à escola proporcionar uma diversidade de modalidades de envolvimento parental, onde em cada uma das modalidades deverá ter em conta se estas estarão de acordo com as necessidades da escola e da família, corroborando assim os requisitos básicos para a aprendizagem, e no desenvolvimento de práticas educativas adequadas às necessidades dos alunos, compreendendo o desenvolvimento a cada momento da sua vida. Para que isso aconteça, os pais devem participar nas atividades escolares organizadas para os alunos e famílias, onde nestas terão a oportunidade de conhecer melhor o espaço onde o seu filho permanece tantas horas, de conhecer os colegas e as famílias dos amigos dos seus filhos, os professores e todos aqueles que ativamente contribuem para o seu crescimento. Os pais são parceiros importantes e a sua contribuição é valiosa para que os objetivos possam ser concretizados. Envolve-los em atividades no espaço escolar, para além dos tradicionais eventos que a escola promove, como as atividades de início e fim do ano letivo, festas de Natal, entre outras, a escola deverá oferecer oportunidades mais diversificadas, que possibilitem a participação da família com o objetivo de melhorar o ambiente escolar. Os pais e avós, devem e podem participar, por exemplo, na supervisão dos recreios, no apoio à biblioteca e na sala de estudo ou na organização de atividades de tempos livres. As famílias deverão ser envolvidas nas tomadas de decisão, através da representação dos pais nos organismos da escola em que esta, está prevista através das Associações de Pais, procurando assim cativar os pais de todos os níveis sócio-económicos, etnias, e de diferentes grupos profissionais para que estejam presentes na escola e que façam parte das Associações e de eventuais grupos de reflexão sobre os problemas escolares e da sociedade onde estão inseridos. A monitorização dos recreios é fundamental, uma vez que é neste local que ocorrem as mais diferentes atitudes comportamentais que podem afetar o estudo e a progressão na aprendizagem. O combate ao stress e ao bullying escolar, não deverá ser excluído, quer pela entidade escolar, quer pelos pais e para que seja eficaz a sua deteção e avaliação é necessário que estejamos todos atentos a cada atitude, analisando cada ação menos correta e no contexto em que ela ocorre. É do conhecimento geral que uma boa comunicação, entre a família e o professor facilita a adaptação à escola e contribui para o sucesso da aprendizagem. Os pais ao falarem com o professor e ou com o diretor de turma, terão a possibilidade de obter informações acerca do que os professores e a escola esperam dos alunos relativamente a questões comportamentais e de aprendizagem, e de que forma será possível ajudar o seu filho nas tarefas escolares, sendo também uma oportunidade de saber como é que o seu filho se comporta noutros contextos, que não o familiar, por outro lado, o professor ou o diretor de turma também ganha com esta experiência, porque fica a conhecer melhor o aluno e a sua família. Com uma adequada comunicação entre a família e a escola é mais fácil estabelecer objetivos e contribuir para que os alunos de hoje sejam pessoas melhores amanhã, capazes de resolver os problemas do cotidiano, de criar família, acrescentar valor à comunidade onde estarão inseridos. 
A sociedade educa o indivíduo conforme seus interesses, a fim de que o mesmo procure fins coletivos, ou seja, benefícios para si e para seu meio, o que faz com que a capacidade de trabalho e a reflexão acerca do cotidiano também sofram mudanças cada vez mais rápidas. A capacidade de adaptação, de resiliência, de carácter e integridade, começa no berço, sendo aprimorada na escola, é aqui que reside o segredo da simplicidade da criação de Homens com valor, onde os conteúdos curriculares e as experiências pessoais com o intuito de estimular o prazer pelo saber, proporcionam uma melhor compreensão e visão da realidade, condicionando as condições da trajetória de vida pessoal.

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Categorias: Opinião

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