13 de setembro de 2020

Dos Ginetes

A Barraquinha do Largo do Tanque

Em 6 de Novembro de 2018 publiquei neste espaço que me é reservado semanalmente pelo Correio dos Açores uma crónica intitulada “Junta de Freguesia 1 ano depois” em que descrevia um pouco do meu desencanto face a determinadas situações que em minha opinião era necessário  corrigir. Existem uns que dizem ser mais fácil criticar do que fazer, e em determinadas ocasiões é mesmo verdade, mas tal não justifica atitudes de arrogância de responsáveis que acabam por destabilizarou mesmo destruir amizades sinceras abrindo o caminho a conflitos desnecessários. Neste mundo, na realidade não somos donos de nada e quando fazemos parte de uma Instituição que funciona “em equipa” o diálogo sincero e sem arrogância deve existir entre todos os seus membros. Afinal o “poder” um dia acaba restando infelizmente por muitos anos na memória das gentes o que poderia ter sido melhor conseguido e não foi. Hoje ninguém tolera a arrogância com uma falsa humildade como outrora.
 Há poucos dias lia numa das redes sociais:
“Se pensas que és importante e não valorizam o teu trabalho passa pelo Cemitério e verás onde se encontram todos os importantes como tu”.  
Errar é humano e nenhum de nós poderá dizer que nunca errou. Difícil por vezes é reconhecer o nosso erro e possuir a humildade para sem vergonha de o admitir dizer simplesmente “ERREI”.
Sei que humanamente é um problema ao qual também eu próprio não escapo pois reconheço também o meu temperamento um pouco explosivo, mas sei também que é no dar que se recebe e que a nossa satisfação do dever cumprido é proporcional à satisfação que conseguimos colocar naqueles que estão connosco empenhados na mesma causa.
 Há mais de 2 anos foi colocada no Largo do Tanque aqui nos Ginetes, espaço por excelência do Centro Histórico desta terra, uma pequena “cabana, barraquinha ou casinha” conforme lhe queiram chamar, que pessoalmente nunca compreendi, tal como a grande maioria da população dos Gonetes a utilidade da mesma pois é uma afronta horrorosa ao magnífico espaço que merece algum respeito. Se a intenção inicial foi a melhor, o que quero acreditar, o resultado é bem diferente. No momento de nada serve além de poluir a vista deste Largo que tranquilamente ao longo de várias décadasfoi beneficiando de pequenas modificações para que fosse sempre mais atractivo.Recordo-me, era ainda criança, da construção do Coreto tal como das primeiras árvores que foram plantadas à volta do mesmo Largo. A determinada altura substituíram-nas porque não se enquadravam em tal espaço pois não era possível controlar o seu crescimento com a tradicional “poda no Outono” como é possível agora com as que lá se encontram. Tudo organizado por gente que mesmo não sendo perfeita tinha capacidade de escutar o que parece tarefa muito difícil de conseguir neste tempo. Quando há perto de dois anos abordei neste mesmo espaço tal assunto estava confiante que surgiria uma correcção. Mas não, a teimosia continua mesmo se a pobre “casinha” está nua como nasceu,agora com a cor da madeira devorada pelo sol e provavelmente a chuva também irá contribuir para o seu desgaste. Usando um termo mais moderno direi que foi um “erro de casting” que é da responsabilidade da Junta de Freguesia de Ginetes solucionar para bem da nossa terra e não tentar querer “levar a sua avante” pois tal não beneficiará a sua imagem.
Nunca esqueçam que o principal atractivo desta terra é a Ferraria. Todo o investimento que possa ser feito nesse local pelo Governo Regional, pois sei que a Junta de Freguesia não dispõe de recursos financeiros para tal, é sempre uma mais-valia. Barraquinhas de revistas ou artesanato ou até mesmo um museu como está previsto não passam de miragens.
 Existe tanto para melhorar no interior desta terra, na manutenção e embelezamento destas ruas outrora orgulho de quem aqui vivia. Hoje as gentes estão cada vez mais afastadas das “nossas” Instituições. É necessário que esse orgulho saudável que fazia parte da força deste povo, regresse como nos belos tempos dos quais me recordo, assim como muita desta gente que aqui vive e de taljátem saudades.
O futuro não se avizinha fácil. Não estamos em tempo de loucuras
 

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Categorias: Opinião

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