À conversa com o Eduardo Amorim – Médico

“Os alunos devem viver a escola sem medos infundados e cumprindo todas as regras”

 Ao longo da sua carreira, alguma vez pensou ter de trabalhar num momento tão difícil e desafiante?
Eduardo Amorim - Por muito que se esperem situações difíceis na minha profissão, nunca pensei estar envolvido numa guerra desta natureza. 

Há que temer uma segunda vaga? Se ela acontecer, estaremos mais preparados, ao nível da população, e os danos poderão ser minimizados?
No nosso caso, açoriano, visto não termos passado propriamente por uma primeira vaga, a hipótese de uma segunda vaga não se porá e, sim, penso estarmos preparados para enfrentar o desafio.

As infra-estruturas hospitalares e outras unidades de saúde estão mais bem equipadas, ou gostaria de deixar algumas sugestões às entidades oficiais?
Na questão do equipamento há uma melhoria significativa nos recursos deste o início da pandemia, com o esforço feito a nível mundial.

Teme-se muito o momento da reabertura das escolas. Daria conselhos especiais aos jovens e às suas famílias?
Apenas que vivam com alegria, sem medos infundados e observando com o máximo rigor as normas implementadas. 

Os idosos institucionalizados, continuam em semi-confinamento nos Açores.  Não sendo especialista na área, como acha que pode estar a saúde mental destas pessoas? Que efeitos terá tido a este nível o grande isolamento a que estiveram e estão sujeitas?
Há uma afectação grande a nível psicológico de toda a população, mas os mais idosos têm um mecanismo natural de defesa fruto do envelhecimento, que faz com que não tenham tanta consciência dos riscos.

Como compararia a qualidade de vida e de saúde dos idosos institucionalizados e a daqueles que permanecem em casa, junto das famílias? Sabendo-se que as mortes ocorreram sobretudo nos lares de idosos...
A diferença da qualidade de vida nestas duas situações manifesta-se da mesma forma independentemente do estado de pandemia ou não. Como é sabido, a qualidade de vida dos que estão “institucionalizados” é bem diferente dos que estão acompanhados pelos seus familiares queridos. 

O que aconteceu no lar de idosos do Nordeste voltaria a acontecer novamente lá ou em qualquer outra instituição deste tipo? Ganhou-se em experiência para lidar com crises que possam ser semelhantes?
Obviamente, aprendemos com a experiência adquirida e os eventuais erros cometidos, então, não se deverão repetir, embora, dadas as condições dos lares, seja mito difícil controlar a evolução destas situações.
 
Em termos de saúde mental, quais as faixas etárias que acha que estão a ser mais afectadas pela pandemia?
Embora, como já referi, todos nós tenhamos sido afectados psicologicamente, penso que a faixa etária mais afectada será a dos adultos entre os 50 e os 70 anos.

Como estão os profissionais de saúde que tiveram de passar pela prova de fogo de tratar a Covid? Acha que conseguirão enfrentar uma nova vaga? Ou também eles, tendo tido que lidar com o perigo eminente, carecem de ajuda? 
Todos nós necessitamos de apoio, mas o trabalho em equipa é fundamental para nos escorarmos uns aos outros e avançar sem vacilar. As conquistas pontuais são o melhor alimento para a nossa atividade. A segunda vaga será enfrentada com a mesma determinação.

Que conselhos daria às pessoas de risco? Acha que deveriam voltar a confinar-se aos primeiros sinais de alarme, ou o uso de máscaras e o distanciamento social é suficiente para protecção?
O confinamento é sempre a melhor defesa, mas a observação das regras de protecção é  fundamental
Qual a sua opinião em relação ao uso de máscaras? Devemos usá-las só no interior ou também ao ar livre?
O uso de máscara (de forma correcta) é importante nos espaços fechados, mas, na minha opinião dispensável ao ar livre (excepto nos indivíduos infectados).

Houve na realidade algum medicamento que ajudou de forma particular a tratar a doença? Acha que neste campo foram feitos progressos?
O tratamento desta, como de outras gripes sazonais, faz-se com o recurso aos mesmos medicamentos embora estejam a ser testados medicamentos usados em outros tipos de infecção com alguns bons resultados.

O que pensa das vacinas? Pelo menos do que se sabe delas neste momento? Notícias de que  estão a ser feitas e testadas apressadamente geram insegurança e há pessoas que simplesmente não se querem arriscar. Até se fala no perigo de afectarem a genética humana. O que nos pode dizer sobre o assunto?
R: -  O mundo da vacinação é já muito bem conhecido. O perigo poderá estar na adopção de uma vacina em que não sejam observados todos os timings do processo. “A pressa é inimiga do bem fazer”.

Na sua opinião, a pandemia fica a dever-se a um trato incorrecto da natureza por parte do ser humano? 
Como todas as outras desgraças e flagelos que nos atingem, também esta Pandemia tem muito a haver com o nosso (humano) mau uso dos recursos da natureza.
                                               

Teresa Tomé

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Autor: CA

Categorias: Regional

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