13 de setembro de 2020

Nunca é tarde para recomeçar

 1- Com o Verão a terminar e com o Outono a chegar, é altura de fazer contas à vida, quando faltam 45 dias para as eleições que vão escolher os representantes do povo na Assembleia Legislativa que terá o encargo de legislar de forma transparente e justa sobre as políticas que têm por fim último servir os cidadãos e fiscalizar a acção do Governo, para que ela seja exercida de forma inclusiva e despartidarizada, porque a sua função é governar e servir todos e não apenas alguns. 
2- O mote para o período 2021/2027 foi anunciado pelo Governo esta semana no termo das negociações havidas entre a União Europeia e República, relativamente ao envelope financeiro para os próximos seis anos. 
3- De novo, relativamente ao período 2014-2020, há a registar um aumento de 110 milhões de euros no Programa referente à Politica de Coesão, que passou a ser de 1.359 milhões, mantendo-se para já o Desenvolvimento Rural, Mar e Pescas, e Posei com as mesmas verbas do período anterior. 
4- A novidade das novidades foi a verba de 1.035 milhões de Euros que vêm Plano de Recuperação Europeu para fazer face à crise provocada pela Covid-19.
5- Tendo em conta que o quadro Europeu que está já delineado vai ser executado pelo novo Governo que sair das próximas eleições, entendemos que é crucial saber qual o modelo social, económico e cultural que vamos ter para a próxima década 2020/2030. Para a sua formatação há que ter em conta o nosso histórico, o que somos hoje, e como querermos ser no futuro, no espaço europeu a que pertencemos. 
6- Os Açores têm como activos tangíveis os recursos económicos provindos do sector primário, agricultura, pecuária e pescas, que potenciam a indústria sobretudo a agro-alimentar, e o sector terciário estimulado pelo turismo.  
7- Como activos intangíveis, mas com valor, temos a nossa posição geoestratégica e o que ela representa em termos aéreos e marítimos, incluindo a cobiçada vasta zona económica exclusiva. 
8- De acordo com os dados oficiais, a repartição do emprego na Região assenta essencialmente no sector terciário, que absorve 74% do emprego, repartido pela Administração Pública com 53 %, e pelo comércio e demais actividades do sector turístico, com 21%. 
9- O sector secundário representa por si 15% do emprego, e o sector primário absorve 11% da mão-de-obra disponível.
10- A sustentabilidade da Região está ancorada nos activos humanos que tem nas transferências do Estado, nos termos da Lei de Finanças Regionais, dos Fundos de Coesão da União Europeia, bem como da actividade económica que desenvolve e dos recursos financeiros que ela gere.
11- Nos últimos 44 anos, os Açores registaram três importantes ciclos na história recente. 
12- O primeiro ciclo, virado para a construção e afirmação do auto-governo, a que se seguiu o segundo ciclo que teve como objectivo a criação das infra-estruturas em todas as ilhas necessárias ao desenvolvimento harmónico, em termos sociais, económicos e culturais, gerando uma alteração profunda no rendimento e na qualidade de vida dos açoreanos. 
13- Com a criação da Zona Euro e com os abundantes Fundos Comunitários que couberam à Região, desenvolveu-se o terceiro ciclo, virado para o crescimento e desenvolvimento económico, travado de forma abrupta,  pela grave crise de 2009 a 2014 e, agora, pela pandemia.
14- Apesar de toda a evolução que houve, a Região padece de vários constrangimentos, como o desemprego jovem, o abandono escolar, a falta de qualidade do ensino, os baixos níveis de qualificação profissional, o desemprego de longa duração, que tem sido mitigado com a formação e os apoios oficiais, o peso excessivo do sector terciário na economia, a elevada taxa de pobreza e a anemia persistente na indústria, sem esquecer, entre outros, o magno problema da desertificação que ocorre em algumas ilhas.
15- Outro dos constrangimentos está ligado ao nosso sistema financeiro e na sequência do que temos propalado, Mário Fortuna anunciou que o sector empresarial regional pretende a criação de um Banco de Fomento “um processo que, estrategicamente, financie a estrutura produtiva que temos”. 
16- Nunca é tarde para reconhecer o que é uma necessidade, e o que se propõe é que desde já se iniciem diligências para dar corpo a tal projecto, e se possível, aproveitando o Banco com sede nos Açores e com mais de 40% de capital açoreano.
                                              

Print

Categorias: Editorial

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima