Arranque do ano lectivo

Apesar dos receios, pais estão confiantes no regresso às aulas

   Está aí o ano lectivo 2020/2021 com regras diferentes do habitual, devido à pandemia de Covid-19. Apesar das aulas presenciais só terem o seu início agendado para esta terça-feira, ontem os alunos dos primeiros anos dos ciclos de ensino (5º, 7º e 10º anos) foram aos respectivos estabelecimentos de ensino para a habitual recepção e também para se inteirarem das regras que terão de ser cumpridas no decorrer deste ano lectivo. Neste ponto, é necessário reforçar que apesar de as orientações da Autoridade de Saúde Regional e da Direção Regional da Educação servirem de guia para as escolas definirem as suas regras, cada estabelecimento de ensino deve adaptar essas recomendações à sua realidade particular.
O Correio dos Açores foi auscultar os encarregados de educação e alguns alunos, em dois estabelecimentos de ensino de Ponta Delgada para perceber como está a ser encarado este regresso às aulas e que preocupações prevalecem relativamente a este ano lectivo.
À porta da Escola Secundária Domingos Rebelo encontramos Maria Gabriela Soares, encarregada de educação que apesar de admitir alguma preocupação, considera que a escola organizou-se bem para a retoma da actividade lectiva.
“Estou preocupada por causa do coronavírus, mas a minha filha usa a máscara. Tem de regressar às aulas, é obrigatório. Ela tem 12 anos e tem visto as notícias na televisão com atenção. Estava inquieta e ansiosa para vir para a escola. Na minha opinião, penso que as coisas estão bem organizadas”, referiu.
Também neste estabelecimento de ensino, Osvalda Moniz que se apresentou “como encarregada de educação do meu neto porque a mãe está a trabalhar e não tem possibilidade de vir cá a reuniões. Como estou em casa dispus-me a vir com o meu neto que está no sétimo ano”, explica antes de ser questionada sobre a sua preocupação sobre o reinício das aulas.
“Sim e não. Começamos a prepará-lo em casa sobre o que deveria fazer. Ele tem de começar a ter mais responsabilidade daquela que tinha. Temos que ter esperança. Por aquilo que eu vi este ano e no ano passado com o meu outro neto que também está aqui e vai para o 9 ano, está muito organizado. Se eles respeitarem as indicações dos funcionários e dos professores a coisa vai normalizar e vai correr tudo bem”, destaca. O neto de Osvlada Moniz, Bernardo Martins que ingressa no 7º ano de escolaridade demonstrou confiança neste regresso às aulas.

“Penso que no início vai ser confuso...”
diz o aluno Bernardo Martins

“Penso que no início vai ser confuso mas depois vamo-nos habituar. Acho que não vai haver problemas, pelo menos da minha parte não”, garante o aluno.
Na escola Secundária Antero de Quental, Carina Oliveira, encarregada de educação de uma aluna do 10º ano e que por orientação da escola não pode acompanhar a filha ao interior do estabelecimento, apesar de “estar um bocado preocupada por causa da pandemia” mostrava-se confiante de “que as medidas de distanciamento irão ser cumpridas dentro da escola”.
Também na Antero de Quental, Bernardete Lopes, encarregada de educação de um aluno que irá frequentar o 7º ano de escolaridade, apesar de admitir alguma expectativa e receio, encara o regresso às aulas como algo bom.
“Apesar de haver algum receio também não acho que seja benéfico eles continuarem em casa e não terem ensino presencial, por isso acho que faz todo o sentido regressar, ainda para mais, dada a conjuntura que vivemos cá na região. Eles (alunos) também já perceberam as rotinas que têm de cumprir no seu dia a dia, portanto agora é esperar que corra tudo bem. Aqui não sei muito bem como vai funcionar, mas tive oportunidade de ler o plano de contingência da escola. Percebi que os alunos vão estar sempre de máscara quer no interior das salas quer nos recreios. O que me preocupa mais é o facto de eles quase não terem tempo para conversar e para brincarem no exterior da escola. Agora só o tempo dirá e vamos ver como vai correr”, afirma.
Esperança é a palavra de ordem de João Mota, filho de Bernardete, que admite poderem vir a existir algumas dificuldades e que já sente algumas saudades das aulas presencias e do convívio com os colegas.
 “Se as coisas continuarem como estão, acho que vai voltar tudo ao normal. Tenho esperança que isso aconteça. Penso que vai ser difícil manter o distanciamento dentro da escola. Estava um bocado ansioso por voltar às aulas e já tinha saudades de ver os meus amigos”, admitiu o aluno.
No exterior do estabelecimento encontramos também João Martinho, pai de uma aluna do 7º ano. O encarregado de educação falou dos receios que tem com o regresso das actividades lectivas e revelou grande optimismo relativamente à manutenção do distanciamento social dentro da escola.
“Claro que estou receoso. Acho que todos os pais estão. Vendo as noticias e o aumento dos casos de infectados, tenho dúvidas que se acabe este ano. Mas ela tem de estudar para ter um futuro melhor do que o meu. Falamos com ela em casa e vamos dando conselhos. Não acredito que consigam manter o distanciamento entre os alunos dentro da escola porque as crianças não vão conseguir fazê-lo. Ainda não sabemos também se a escola dá mascaras para os alunos usarem. Estou preocupado com o que poderá acontecer. Penso que deveriam dividir as aulas em turnos da manhã e outro da tarde”, afirmou o encarregado de educação.

Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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